Mostrar mensagens com a etiqueta Carmelo Secular. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Carmelo Secular. Mostrar todas as mensagens

17 março, 2014

O Carmelo Descalço Secular…uma vocação e uma maneira de ser Igreja




Quem são os Carmelitas Descalços Seculares?
Os Carmelitas Seculares são homens e mulheres, leigos ou sacerdotes diocesanos, que, vivendo cada um segundo o seu estado de vida, no seu ambiente familiar, social, profissional e eclesial, se sentem chamados por Deus a viverem radicalmente o Evangelho, segundo o carisma e a espiritualidade do Carmelo Descalço, fundado por Santa Teresa de Jesus.
Através do seu compromisso, pertencem juridicamente à Ordem dos Carmelitas Descalços e, juntamente, com os frades e as monjas de clausura formam uma mesma família, com os mesmos bens espirituais, a mesma vocação à santidade e a mesma missão apostólica.
Os membros do Carmelo Secular têm como vocação e missão serem “testemunhas, fortes, da experiência de Deus” mediante: a oração, como diálogo de amizade com Deus; a leitura e aprofundamento da Palavra de Deus, isto é, a Lectio Divina; a amizade, na partilha fraterna; e o apostolado, ao serviço de Deus e dos irmãos.
Os Carmelitas Seculares são cristãos comprometidos, que desejam viver plenamente a sua vocação baptismal, com a ajuda da espiritualidade do Carmelo Descalço ou Teresiano. Isto pressupõe radicalidade, responsabilidade, compromisso pessoal com Deus, com a Igreja e com a Ordem.


Qual a vocação dos Carmelitas Descalços Seculares?
Os Carmelitas Seculares são cristãos conscientes da sua vocação e do seu papel na Igreja, vivendo na doação a Deus e aos outros, como verdadeiros “Filhos da Igreja”, servindo-a, cada um, de acordo com os seus dons e talentos.
A vocação do Carmelita Descalço Secular, é a mesma vocação dos frades e das monjas: uma vocação contemplativa e apostólica, como o desejou Santa Teresa de Jesus, nossa mãe fundadora.
Mais do que “fazer”, os carmelitas são chamados a “ser” «amigos fortes de Deus» e, a partir da sua experiência de intimidade com Deus, procurar testemunhar, esta mesma experiência com os irmãos, no ambiente em que vive. Isto pressupõe uma conversão contínua, fortalecidos da Palavra de Deus, para que oração e vida não sejam opostas, mas convergentes.

Como se concretiza a vocação e a missão dos Carmelitas Descalços Seculares?
Os Carmelitas Descalços Seculares são homens e mulheres de oração no meio do mundo, das ocupações e dos compromissos diários.
Leitores assíduos da Palavra de Deus, que «é viva e eficaz» (cf. Heb 4, 12), os Carmelitas Seculares encontram nela o alimento para as suas almas, orientação para as suas vidas e inspiração para a sua oração.
Deste modo, desejam viver a caridade fraterna que está expressa nas Fraternidades a que pertencem.
Ser Carmelita Secular é uma vocação específica dentro da Igreja. É corresponder ao chamamento de Deus e viver no seguimento de Jesus Cristo, dentro da família do Carmelo Descalço, ao jeito de Santa Teresa de Jesus, nossa mãe fundadora, do nosso pai, São João da Cruz e dos outros santos da Ordem, nossos irmãos. Como conseguir realizar esta vocação? Sintetizando podemos dizer:
  • Tendo Cristo como Modelo e guia, seguindo o exemplo da Virgem Maria;
  • Pela Leitura e meditação da Palavra de Deus (Lectio Divina);
  • Buscando a união com Deus pela contemplação e actividade apostólica;
  • Dando particular atenção à oração contenplativa e litúrgica;
  • Alimentando-se da Eucaristia;
  • Tendo tempos fortes de oração: dias de deserto, retiros,…;
  • Exercitando-se no amor fraterno;
  • Tendo um forte sentido eclesial.

Não existe nenhuma novidade para além do Evangelho. Jesus Cristo foi a última Palavra de Deus à humanidade. No entanto, o Espírito Santo, que Jesus prometeu enviar aos seus discípulos, é Criador e Criativo. Por isso, ao longo da história do Cristianismo, várias figuras carismáticas da Igreja, atentas à vontade de Deus, souberam pôr em prática as inspirações do Espírito Santo, apresentando, novas formas de viver o Evangelho, para responder às necessidades dos tempos e da Igreja. O Carmelo Teresiano é, assim, um maravilhoso carisma que Santa Teresa nos legou para, em família (monjas, frades e leigos), vivermos na intimidade com Jesus Cristo e testemunharmos ao mundo o amor de Deus.

António José de Jesus (Gomes Machado), ocds 

17 fevereiro, 2014

História de uma vocação…


… testemunho de um carmelita descalço secular



Ao iniciar este artigo testemunhal, veio-me ao pensamento Santa Teresa do Menino Jesus, que ao começar a sua autobiografia escreveu que ia “cantar as misericórdias do Senhor”. De facto a história da vocação de qualquer pessoa, outra coisa não é do que “cantar as misericórdias do Senhor”, pois Ele é o protagonista, é Ele quem chama e é Ele que nos dá as forças para lhe darmos o nosso sim.
A minha vocação carmelita começa na minha infância, com uma atracção especial por Jesus e todo o religioso.
Sem ter a consciência disso, posso dizer, sem faltar à verdade que, desde então, era um contemplativo. Assim, era Deus humanado, Jesus Cristo quem me atraía para Si e me chamava a segui-Lo.
O meu contacto, desde muito pequenino, com o Carmelo ajudou muito a crescer e a desenvolver este espírito contemplativo que o Senhor depositou em mim.
Durante a minha adolescência senti, de maneira muito intensa, que O Senhor me tinha seduzido e que não tinha outra opção senão deixar-me seduzir por Ele. Nasceu, então, uma sede de oração. Tinha uma grande necessidade de fazer oração. Seguia as minhas devoções (oração vocal), mas isto não me bastava, precisava que me ensinassem a orar (oração mental). O exemplo e testemunho de Santa Teresa de Jesus, fizeram-me sentir que era na “escola” do Carmelo que eu devia aprender esta “ciência” maravilhosa que me permitia saborear a presença deste Deus que me chamava a viver na Sua intimidade. Aqui percebi que a minha vocação era o Carmelo. Desejava ser filho de Santa Teresa de Jesus e de São João da Cruz. A maneira de realizar esta vocação, não o sabia.
Iniciei, na juventude, um processo vocacional, com o meu director espiritual, e vendo e analisando as várias possibilidades de consagração (sacerdotal, religiosa ou laical), segundo variados carismas, que como flores, perfumam o imenso jardim que é a Igreja, percebi que só no Carmelo me podia realizar e ser feliz, como pessoa e como cristão.
Senti, desde logo, que a minha vocação era contemplativa e laical. Desejava ser como um monge no meio do mundo.
Como realizar esta vocação? Dentro do Carmelo tinha a oportunidade de conciliar a minha vocação carmelitana, contemplativa e laical. E foi assim que entrei no Carmelo Secular.
Durante um tempo ainda pensei que o melhor seria entrar na Ordem como frade e fiz uma pequena experiência vocacional entre os Frades Carmelitas. Mas, realmente, identificava-me mais com o Carmelo Secular.
A fundação do Carmelo Secular do Porto (onde habito) deu-se no dia 16 de Julho de 1997, no antigo e extinto Carmelo do Porto. Como o grupo era muito numeroso, o Delegado Provincial do Carmelo Secular, determinou que se dividisse em dois grupos. Na verdade havia um grupo proveniente de Paços de Ferreira e um grupo de pessoas da região do Porto. Esta divisão deu origem às duas comunidades, atuais, do Carmelo Secular de Paços de Ferreira e do Porto.
Seguindo um rumo novo, o grupo do Porto, por minha iniciativa, foi reunido e estabeleceu-se no Convento dos Carmelitas Descalços do Porto. Com o aval do Provincial e do superior do Convento.
Sugeri que a comunidade se chamasse Stella Maris, um título de Nossa Senhora do Carmo, tão querido entre nós, carmelitas.
Passamos por muitas fases e dificuldades, mas permanecemos fiéis aos nossos encontros mensais, de formação e oração.
Fui o fundador da Fraternidade Stella Maris do Carmelo Secular do Porto, o impulsionador, responsável e formador, desde 1997 até 2010. Agora a comunidade continua, com novos rumos e sempre na escuta do que Deus nos pede.
Juntamente com as monjas de clausura e os frades, os carmelitas seculares, formam uma mesma família, a Ordem dos Carmelitas Descalços, com a mesma vocação e missão dentro da Igreja e para o mundo.
Como carmelita descalço, tenho a vocação primeira de buscar, pela oração e contemplação, a presença e a intimidade com Deus, que me ama com um amor eterno e que me aceita tal como sou, com as minhas virtudes e defeitos. E como missão, testemunhar, na família, no ambiente em que vivo, no trabalho e onde quer que me encontre, esta experiência de Deus que nos envolve com o Seu amor e misericórdia.
Deste modo, encontrei a minha vocação: ser um contemplativo no meio do mundo, um “monge/eremita” urbano, levando a todas as realidades humanas e às estruturas sociais esta presença misteriosa de Deus, na nossa alma, que nos alegra, fortifica e dá sentido à nossa existência, pois “Só Deus basta”!


António José de Jesus (Gomes Machado), OCDS