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22 dezembro, 2012

Das pedras para os filhos de Abraão: o encontro com o Crucificado por Amor.




Como surgiu o Carmelo na minha vida, na minha história pessoal? 
Creio que a primeira graça, foi quando um dia estando na Eucaristia  percebi dentro de mim que a minha relação com Deus tinha de mudar, estamos entre 2001 e 2002 (não me recordo a data exacta). Percebi que tinha de ser eu que tinha de fazer a vontade de Deus, e não querer que fosse Deus a fazer a minha. Isto levou-me a repetir muitas vezes as orações de Nossa Senhora na anunciação – “Eis a serva do Senhor faça-se a Tua vontade”, e de Jesus no horto: “Pai faça-se como Tu queres.” Isto foi fundamental, porque permitiu uma abertura à graça, porém muito incipiente.

Posso descrever a minha vida como uma série de lutas, de encontros, de descobertas, de períodos de fidelidade e entusiasmo, e de períodos difíceis, de rebeldia, de negação. Mas onde sempre o Senhor actuou, onde sempre me esperou… e podia dizer como a nossa Santa Madre “mais me cansei eu de O ofender do que Ele de me perdoar”.

Depois desta graça procurei de verdade fazer a vontade de Deus… mas essa vontade muitas vezes assustava-me… e pouco a pouco fui tentando silenciar a “Voz” que me gritava dentro… fiz-me surda e andei errante uns tempos.

Depois eis novas “luzes”, a minha vida mudou exteriormente. Mudei de escola e também de paróquia. A minha paróquia de origem estava (está) muito envelhecida, na nova paróquia encontrei vitalidade, uma Igreja aberta, com um testemunho de alegria, de “paixão”, de entusiasmo, uma Igreja atenta aos mais pequenos. Tratei mais de perto com várias irmãs, fiz a experiência de pertencer a um Corpo. 

Tudo isto levou-me a tentar ser mais generosa e empenhada… depois “encontrei-me” com o movimento dos convívios fraternos… descobri a oração. Fiz uma experiência muito linda: comecei a rezar pelo meu mano, que vivia uma fase difícil, e tudo começou a melhorar.

Neste tempo houve também uma “descoberta” fundamental… percebi no íntimo do meu ser, que o caminho para a felicidade era o AMOR, era a doação de si, era viver em comunhão.  

Estamos em 2005. Descobrir o amor e a alegria fez-me ver tudo com outros olhos… podia perguntar novamente ao Senhor qual era a Sua vontade… mas ainda me assustava… chega Agosto, vou às JMJ de Colónia… aí dá-se o primeiro encontro com Edith Stein: “Deus é a verdade, quem procura a verdade, procura a Deus…” sim dentro de mim havia sede de verdade… havia sede de Deus.

Mas eis que tudo muda novamente… em Setembro começo a faculdade, todo um mundo novo. O 2º ano foi o ano das mudanças… um ano de rebeldia e um ano em que fui “apanhada”. Queria ser independente, morar sozinha, sair do controle de todos… mas… o Senhor foi à minha procura quando andava mais longe… e dessa rebeldia começou a fazer algo lindo… e (imagine-se lá…) passei a ir à missa todos os dias. Precisava de estar com Ele… escutá-l’O… sentia a necessidade de estar em silêncio, de estar na solidão habitada.

A 6ª-feira santa de 2007 foi um dia importantíssimo. Houve um “encontro” com O Cristo Crucificado, mas não pela dor… pelo ódio… foi o Crucificado por Amor… aquele Deus que me amou tanto que morreu por mim (e este por mim faz a diferença), que me ama pessoalmente. Um Deus que se fez obediente, pequenino, aniquilado. Percebia interiormente que Ele me pedia para Lhe fazer companhia… estava tão só na Cruz… comecei a desejar estar sempre com Ele. A desejar Consolá-lO. 

O Carmelo: houve novamente um encontro com Edith Stein. Por ela descobri o carisma carmelita. O carisma da União com Deus, da intimidade, da oferta consciente da nossa vida, da fecundidade apostólica da vida escondida… eu queria muito ajudar os sacerdotes (primeiro pensei numa ajuda imediata… mas isso era pouco) … eu queria chegar a todos os sacerdotes… queria chegar a todas as pessoas… no Carmelo, na oração, não há limites de espaço e de tempo… há gratuidade e amor… não sabemos quem ajudamos… mas amamos e queremos ajudar todos. Por isso o coração da carmelita é o coração mais povoado do mundo, todos lá têm um lugar.

Dizia que a minha vida foi de lutas, agora no Carmelo travo também uma enorme luta… a luta pelo amor. Para que todos conheçam o amor de Deus. Deste Deus que é o Amigo que nos chama. Mas esta luta só se ganha perdendo. Sim, perdendo o nosso eu, para que seja Ele a ganhar. Deixar que seja Deus a fazer tudo em mim, a amar em mim, a trabalhar em mim. Só deixando que o Espírito de Deus aja em mim é que a minha vida de carmelita será fecunda para a Igreja.

O Carmelo apareceu como a resposta de amor. A resposta ao convite de Jesus a estar com Ele, a dar-me como Ele se deu. Não há outros caminhos??? sim há… mas para alguns este é o caminho. O escondimento, a simplicidade, o Amor.
Ir. Cláudia
 

16 dezembro, 2012

Alegrai-vos!


A Liturgia deste Domingo convida-nos à alegria. Um convite que nos é feito da parte do Senhor, porque é n’Ele que está a fonte da verdadeira alegria. Deus é “alegria infinita” (S. Teresa dos Andes). Ao convidar-nos à alegria, o Senhor convida-nos a não termos medo: “Não temas, Sião” (Sof. 3). “Não vos inquieteis com coisa alguma” (Fil. 4), como se nos diga: “Porque Eu venho a ti, já não tens nada a temer”. Por isso dizia o nosso Santo Padre João da Cruz: “Não é da vontade de Deus que a alma se inquiete com coisa alguma”. E assim nos exorta a segunda leitura: “Alegrai-vos” (Fil. 4)

Quando Deus vem ao encontro do homem traz sempre consigo a alegria e são desterrados o medo, a perturbação, a inquietação. Assim inicia o Novo Testamento, com a anunciação do Anjo a Nossa Senhora: “Alegra-te, ó cheia de graça”! “Não temas; Maria”. Desde a encarnação do Verbo, o mundo ficou vestido da Alegria de Deus! O Senhor traz sempre consigo o sol da alegria que expulsa as trevas do medo.

Então, se Deus encarnou em Jesus, se já veio a este mundo, porque continuamos nós a sentir medo, porque nos perturbamos e inquietamos, porque vivemos tantas vezes em grande ansiedade, tolhidos pelo medo do futuro, medo de perder os que amamos, medo de não ter emprego, medo de não sermos compreendidos e aceites, medo de não sermos amados? A Encarnação não foi um acontecimento do passado, ela continua a acontecer, em cada momento da nossa vida, no presente que nos é dado viver, aqui e agora. Sentimos o medo que nos rouba a alegria, porque em muitas situações da nossa vida Ele não encarna, Ele não tem espaço, estamos surdos e cegos para O reconhecer, porque estamos demasiado confiantes em nós mesmos e nas nossas forças e não acreditamos que Ele tem poder para nos dar a força que precisamos para não desanimarmos e perdermos a esperança. Fazemos divisões dentro de nós e na nossa vida: há espaços da nossa casa interior onde Ele não tem espaço, não chegou ainda a encarnar, por isso, essas realidades continuam habitadas pelas sombras do medo e da inquietação. A nossa relação com Jesus tece-se, muitas vezes, em alguns momentos de encontro com Ele, algum momento de oração, mas não é uma relação viva que perdura em todos os momentos e ao longo de todo o dia, com as portas da nossa casa interior todas escancaradas para Ele. Quando o Senhor vem, vem sempre de uma forma totalizante para empapar todo o tecido da nossa existência da Sua presença e não vem apenas a algumas partes ou compartimentos dela. Ele não quer assumir algumas coisas da nossa vida, Ele quer assumir toda a nossa vida, sem nada dela ficar excluído, para encher tudo da Sua presença de amor, o mesmo é dizer, da Sua alegria. Não quer dizer que não teremos mais dificuldades, mas que não estaremos mais sós.

“O que devemos fazer?” perguntamos também nós, como no Evangelho. Entreguemo-nos inteiros ao instante presente, dando o melhor de nós próprios, fazendo o maior bem possível em gestos concretos de amor, procurando a criatividade do amor que, mesmo do mal, sabe tirar o bem. Cada instante que nos é dado viver não é para nos fazer medo, mas – porque temos a certeza e experimentamos que Ele está connosco, Se alegra connosco, faz festa e exulta de alegria por nossa causa, está presente a nós, ama-nos infinitamente - sentimos toda a confiança para nos entregarmos, sem medo, a cada momento, para fazer algo muito belo para o Senhor e para os outros, como o fizeram Maria e José, ao acolherem Jesus encarnado na sua vida. Que neste Natal Jesus encontre todo o espaço para nascer em nós e assim encher a nossa vida da Sua alegria infinita!

Madre Margarida do Menino Jesus