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23 maio, 2013
09 maio, 2013
O ORVALHO DIVINO
Meu doce Jesus, no regaço da tua Mãe, apareces-me, envolto
em luz de amor. O amor, eis o inefável mistério que te exilou da celeste
morada... Ah! Deixa-me ocultar sob o véu, que aos olhos humanos Te esconde e
junto de Ti, ó Estrela Matutina! Encontrei o meu antegozo do céu.
Desde o nascer de cada nova aurora, quando aparecem os
primeiros raios de sol a delicada flor que começa a abrir, esperança do alto um bálsamo precioso, é o orvalho
benéfico da manhã, totalmente cheio de uma doce frescura que produzindo uma
seiva abundante do fresco botão faz entreabrir a flor.
Tu és Jesus, a flor que acaba de abrir-se, contemplo-Te no
teu primeiro despertar, és Tu Jesus, a deslumbrante rosa, o fresco botão,
gracioso e cor de ouro. Os puríssimos braços da tua Mãe querida, foram para ti
um berço, trono real, o teu doce sol, é o seio de Maria e o teu Orvalho, o
leite virginal!...
Meu Bem-amado, meu divino Irmãozinho, no teu olhar vê todo o
futuro, credo por mim deixarás a tua Mãe, o amor já Te impele a sofrer mas
sobre a cruz, ó flor desabrochada! Eu reconheço o teu perfume matinal, eu
reconheço o orvalho de Maria O teu sangue divino, é o leite virginal!...
Este orvalho esconde-se no santuário, o anjo dos céus
contempla-O deslumbrado, oferecendo a Deus a sua oração sublime como S. João,
repete: «Ei-l’O aqui», sim ei-l’O, o verbo feito Hóstia, Sacerdote Eterno,
Cordeiro Sacerdotal, O filho de Deus, é o Filho de Maria o pão do anjo é o
leite virginal.
O Serafim alimenta-se da gloria, no paraíso o seu gozo é
perfeito eu, frágil criança, só vejo no cibório a cor, a figura do leite mas, é
o leite que convém à infância e o amor de Jesus é sem igual o terno amor!
Insondável poder, a minha Hóstia branca, é o leite virginal!...
Santa Teresinha, Recolhido por Fr. Vitor
25 abril, 2013
O Meu Céu!...
Para suportar o exílio do vale
das lágrimas, preciso do olhar do meu Divino Salvador. Este olhar cheio de amor
revelou-me os seus encantos, fez-me pressentir a felicidade Celeste. O meu
Jesus sorri-me quando suspiro por Ele, então já não sinto a provação da fé. O
olhar do meu Deus, o seu encantador Sorriso eis o meu Céu!...
O meu céu é poder atrair as
almas, sobre a Igreja minha mãe e sobre todas as minhas irmãs, as graças de
Jesus e as suas Divinas chamas, que sabem abrasar e alegrar os corações. Posso
tudo alcançar quando em segredo falo a sós com o meu Divino Rei, esta doce
Oração juntinho do Santuário.
O meu céu está oculto na Hóstia
pequenina, onde Jesus, meu Esposo, se esconde por amor. A este Fogo Divino eu
vou buscar a vida e nele o meu Salvador ouve-me noite e dia. «Oh! Que feliz
instante quando na tua ternura, Vens meu Bem-amado, transformar-me em Ti» esta
união de amor.
Sentir em mim a semelhança do meu
céu, do Deus que me criou com o sopro poderoso, o meu céu é ficar sempre na sua
presença chamar-lhe meu Pai e ser sua filha. Nos seus braços Divinos, no receio,
na tempestade, o total abandono é a minha única lei. Dormitar no Seu Coração,
bem junto do Seu Rosto.
Encontrei o meu céu na Trindade Santíssima,
que habita no meu coração, prisioneira de amor aí, contemplando o meu Deus,
repito-Lhe sem receio que o quero servir e amar para sempre. O meu céu é sorrir
a este Deus que adoro, quando Ele quer esconder-se para me provar na fé. Sofrer
enquanto espero que Ele me olhe de novo.
Santa Teresinha, recolha de Fr. Vitor
11 abril, 2013
Humildade
Ó Jesus!
Quando éreis peregrino na terra disseste: «Aprendei de mim que sou manso e
humilde de coração e achareis descanso para as vossas almas».
Ó
poderoso Monarca dos céus, sim, a minha alma acha o descanso ao ver-vos, sob a
forma e a condição da escravo, abaixar-vos ao ponto de lavardes os pés aos
vossos apóstolos. Lembro-me então destas palavras que pronunciastes para me
ensinardes a praticar a humildade: «Dei-vos o exemplo para que, aquilo que Eu
vos fiz, o façais vós também; o discípulo não é mais do que o Mestre… se
compreenderdes estas coisas, sereis felizes ao praticá-las». Compreendo Senhor
estas palavras saídas do vosso coração manso e humilde, quero praticá-las como
o auxílio da vossa graça. Quero abaixar-me humildemente e submeter a minha
vontade à das minhas Irmãs, sem as contradizer em nada e sem procurar saber se
elas têm ou não direito. Ó Meus Bem-amado, que doce humilde de coração me
apareceis sob o véu de branca hóstia! Para me ensinar a humildade não podeis abaixar-Vos
mais, por isso quero, para corresponder ao vosso amor, desejar que as minhas
irmãs me deixem sempre no último lugar e convencer-me de que esse lugar é o
meu.
Suplico-Vos,
meu divino Jesus, que me envieis uma humilhação sempre que eu tentar elevar-me
acima das outras. Ó meu Deus sei que humilhais a alma orgulhosa mas aquela que
se humilha dais uma eternidade de glória, quero pois colocar-me no último
lugar, participar nas vossas humilhações para «tomar parte convosco» no reino
dos céus.
Mas, Senhor, vós conheceis a minha
fraqueza; todas as manhãs tomo a resolução de praticar a humildade e a noite
reconheço que cometi ainda muitas faltas de orgulho, ao ver isto sou tentada a
desanimar; mas sei que o desalento é também orgulho. Quero pois, ó meu Deus,
fundar a minha esperança só em Vós; já que tudo podeis,
dignai-Vos fazer nascer na minha alma a virtude que desejo. Para alcançar esta
graça da vossa infinita misericórdia repetirei muitas vezes: «Ó Jesus, manso e
humilde de coração, fazei o meu coração semelhante ao vosso!».
Santa Teresinha do Menino Jesus
Recolha de fr. Vítor
14 março, 2013
Teresinha
Minha Esposazinha
Querida
Oh! Como estou contente contigo... durante todo ano me divertiste muito à jogar malha. Gostei tanto que a corte dos anjos estava surpreendida e cantada, mais de um querubinzinho perguntou por que é que eu não o tinha feito criança... Outros me perguntaram ainda se a melodia da sua harpa não era mais agradável do que o teu riso alegre quando fazes cair um pino com a bola do teu amor? Respondi aos meus querubinzinho que não deviam ficar tristes por não serem crianças visto que um dia poderiam jogar contigo nas Campinas do céu, disse-lhes que certamente o teu sorriso me era mais doce do que as melodias deles, porque tu não podias jogar nem sorrir senão sofrendo, esquecendo-te de si mesma.
Esposazinha bem-amada, tenho uma coisa a pedir-te, vais recusar-me?... Oh não! Amas-me demasiadamente para isso. Pois bem! Vou-te confessar que queria mudar de jogo; a malha diverte-me muito, mas agora queria jogar o pião e, se quiseres, serás tu o meu pião. Dou-te um para modelo, já vês que não é bonito, quem não souber servir-se dele reacusá-lo-á a ponta pé, mas uma criança saltará de alegria ao vê-lo, e dirá: «Ai! Que lindo, é capaz de andar o dia inteiro sem parar». Eu, o Jesus Menino, amo-te, embora não tenhas atractivos, peço-te que não deixes nunca de andar pra me divertires... mas para andar a roda os piões são precisos chicotados... pois bem!deixa que as tuas irmãs te prestem este serviço e se agradecida para com aquelas que forem mais assíduas em não te deixarem atrasar o teu andamento. Quando eu me tiver divertido bastante contigo, levar-te-ei para o céu e então poderemos jogar sem sofrer...
Recolha de Fr. Vitor
14 fevereiro, 2013
Rosas de Santa Teresinha
Teresa e mais cinco irmãs
encontraram-se à volta da cruz de granito do claustro. Apanham as pétalas junto
de umas vinte roseiras e atiram-nas ao crucifixo. Do mesmo modo, a última fase
da sua vida de amor será cantada em Uma Rosa Desfolhada (PN 51).
O anúncio metafórico da sua missão póstuma, «Uma chuva de Rosas» (CA
9.6.3), descobre – ou melhor, não deveria encobrir – a única ambição de Teresa,
no céu como na terra: amar a Jesus e fazê-Lo amar. Todos têm conhecimento do
amor que Teresa dedicou às flores.
Uma pessoa desistiu de ler
"História de uma Alma" quando se deparou com o subtítulo da
autobiografia de Santa Teresa de Lisieux: "História primaveril de uma
florzinha branca escrita por ela mesma e dedicada à Reverenda Madre Inês de
Jesus". Porque achou a palavra "florzinha" decididamente repugnante.
Vencida a imediata rejeição à autora que, já de início, se apresenta como uma
"florzinha branca", aquele leitor decepcionado prestou um pouco mais
de atenção ao desabrochar dos feitos heróicos dessa florzinha. E entristeceu-se
ao terminar a leitura do livro. Pediu o segundo volume, que, infelizmente não
existe.
Jesus meu único amor, aos pés do
teu calvário, como gosto à tarde de atirar-Te flores!...Ao desfolhar para Ti a
rosa primaveril, quisera enxugar o Teu pranto... Atirar flores, é oferecer-Te
em primícias, os mais leves suspiros, as mais pesadas dores, penas e alegrias,
os meus pequenos sacrifícios, Eis mas minhas flores!...
Todos têm conhecimento do amor
que Teresa dedicou às flores. Ela perscrutava com avidez o livro da natureza,
no qual se estampam flores das mais variadas espécies. Sempre atenta aos
jardins, desde a infância, debruçava-se sobre os canteiros. Em sua
autobiografia, por razões muito especiais, não se esquecerá daquilo que seus
olhos e coração contemplaram: a diversidade das flores quanto à beleza. Teresa,
apesar dessa diversidade, percebeu que as flores convivem harmoniosamente nos
jardins do mundo inteiro.
Da tua beleza a minha alma
enamorou-se, quero oferecer-Te os meus aromas e flores, ao lançá-las para Ti
nas asas do vento, quisera inflamar os corações!... Atirar flores, Jesus, eis a
minha arma quando quero lutar para salvar os pecadores. A vitória é minha... eu
sempre Te desarmo com as minhas flores!!!...
Teresinha nunca quis ser, nos jardins do Senhor, uma flor
altaneira. Preferiu ser uma florzinha rebaixada, que até uma criança pode
colher e passos desavisados podem pisar.
Que florzinha branca teria sido
Teresa? Uma rosa branca ainda em botão? "História de uma Alma"
apresenta-nos uma preciosa pista.
As pétalas das flores,
afagando-Te o Rosto, dizem-Te que o meu coração é teu. O meu único prazer neste
vale de lágrimas, é atirar flores, repetir os teus louvores... no céu irei em
breve como os anjos pequeninos, atirar flores!..
Fr. Vitor
26 janeiro, 2013
Catequese sobre Santa Teresinha (III)
"Queridos amigos, também nós com santa Teresa do Menino Jesus deveríamos poder repetir todos os dias ao Senhor que queremos viver de amor a Ele e aos outros, aprender na escola dos santos a amar de modo autêntico e total. Teresa é um dos «pequeninos» do Evangelho que se deixam conduzir por Deus às profundezas do seu Mistério. Uma guia para todos, sobretudo para aqueles que, no Povo de Deus, desempenham o ministério de teólogos. Com a humildade e a caridade, a fé e a esperança, Teresa entra continuamente no coração da Sagrada Escritura que encerra o Mistério de Cristo. E esta leitura da Bíblia, alimentada pela ciência do amor, não se opõe à ciência académica. De facto, a ciência dos santos, da qual ela mesma fala na última página da História de uma alma, é a ciência mais nobre: «Todos os santos o compreenderam e de modo mais particular talvez os que encheram o universo com a irradiação da doutrina evangélica. Não é porventura da oração que os Santos Paulo, Agostinho, João da Cruz, Tomás de Aquino, Francisco, Domingos e muitos outros ilustres Amigos de Deus se inspiraram nesta ciência divina que fascina os maiores génios?» (Ms C, 36r). Inseparável do Evangelho, a Eucaristia é para Teresa o Sacramento do Amor Divino que se abaixa ao extremo para se elevar até Ele. Na sua última Carta, sobre uma imagem que representa o Menino Jesus na Hóstia consagrada, a Santa escreve estas palavras simples: «Não posso temer um Deus que para mim se fez tão pequenino! (...) Eu amo-O! De facto, Ele mais não é do que Amor e Misericórdia!» (LT 266).
No Evangelho, Teresa descobre sobretudo a Misericórdia de Jesus, a ponto de afirmar: «A mim Ele deu a sua Misericórdia infinita, através dela contemplo e adoro as outras perfeições divinas! (...) Então todas me parecem resplandecentes de amor, a própria Justiça (e talvez ainda mais do que qualquer outra) me parece revestida de amor» (Ms A, 84r). Assim se expressa também nas últimas linhas da História de uma alma: «Um só olhar ao Santo Evangelho, imediatamente respiro os perfumes da vida de Jesus e sei para onde correr... Não é para o primeiro lugar, mas para o último que me oriento... Sim, sinto-o, mesmo se tivesse na consciência todos os pecados que se podem cometer, iria, com o coração despedaçado pelo arrependimento, lançar-me entre os braços de Jesus, porque sei quanto ama o filho pródigo que volta a Ele» (Ms C, 36v-37r). «Confiança e Amor» são portanto o ponto final da narração da sua vida, duas palavras que como faróis iluminaram todo o seu caminho de santidade, para poder guiar os outros pela sua mesma «pequena via de confiança e de amor» da infância espiritual (cf. Ms C, 2v-3r; LT 226). Confiança como a do menino que se abandona nas mãos de Deus, inseparável do compromisso forte e radical do verdadeiro amor, que é dom total de si, para sempre, como diz a Santa contemplando Maria: «Amar é dar tudo, e dar-se a si mesmo» (Porque te amo, ó Maria, P 54/22). Assim Teresa indica a todos nós que a vida cristã consiste em viver plenamente a graça do Baptismo na doação total de si ao Amor do Pai, para viver como Cristo, no fogo do Espírito Santo, o seu mesmo amor por todos os outros."
Bento XVI, In Audiência Geral de 6 de Abril de 2011
25 janeiro, 2013
Catequese sobre Santa Teresinha (II)
"Em Novembro de 1887, Teresa vai
em peregrinação a Roma juntamente com o Pai e a irmã Celina (ibid., 55v-67r). Para ela, o momento
culminante é a Audiência do Papa Leão XIII, ao qual pede a autorização para
entrar, apenas com 15 anos, no Carmelo de Lisieux. Um ano depois, o seu desejo
realiza-se: torna-se Carmelita, «para salvar as almas e rezar pelos sacerdotes»
(ibid.,69v). Contemporaneamente, começa também a dolorosa e humilhante
doença mental do seu pai. É um grande sofrimento que leva Teresa à contemplação
da Face de Jesus na sua Paixão (ibid.,71rv). Assim, o seu nome de
Religiosa — irmã Teresa do
Menino Jesus e da Sagrada Face —expressa o programa de toda a sua vida, em
comunhão com os Mistérios centrais da Encarnação e da Redenção. A sua profissão
religiosa, na festa da Natividade de Maria, a 8 de Setembro de 1890, é para ela
um verdadeiro matrimónio espiritual na «pequenez» evangélica, caracterizada
pelo símbolo da flor: «Que festa bonita a Natividade de Maria para se tornar
esposa de Jesus — escreve — Era a pequena Virgem Santa de um dia que
apresentava a sua pequena flor ao pequeno Jesus» (ibid., 77r). Para Teresa ser religiosa
significa ser esposa de Jesus
e mãe das almas (cf. Ms B,
2v). No mesmo dia, a Santa escreve uma oração que indica toda a orientação da
sua vida: pede a Jesus o dom do seu Amor infinito, para ser a mais pequena, e
sobretudo pede a salvação de todos os homens: «Que nenhuma alma seja danada
hoje» (Pr 2). De grande importância é a sua Oferta
ao Amor Misericordioso, feita na festa da Santíssima Trindade de 1895 (Ms
A, 83v-84r; Pr 6): uma oferenda que Teresa partilha imediatamente com as suas
irmãs de hábito, sendo já vice-mestra das noviças.
Dez anos depois da «Graça de Natal», em 1896, vem a «Graça de
Páscoa», que abre a última fase da vida de Teresa com o início da sua paixão em
profunda união com a Paixão de Jesus; trata-se da paixão do corpo, com a doença
que a levará à morte através de grandes sofrimentos, mas sobretudo trata-se da
paixão da alma, com uma dolorosíssima prova
da fé (Ms C, 4v-7v). Com
Maria ao lado da Cruz de Jesus, Teresa vive então a fé mais heróica, como luz
nas trevas que lhe invadem a alma. A Carmelita tem a consciência de viver esta
grande prova para a salvação de todos os ateus do mundo moderno, por ela
chamados «irmãos». Vive então ainda mais intensamente o amor fraterno (8r-33v):
para com as irmãs da sua comunidade, para com os seus dois irmãos espirituais
missionários, para com os sacerdotes e todos os homens, sobretudo os mais
distantes. Torna-se deveras uma «irmã universal»! A sua caridade amável e
sorridente é a expressão da alegria profunda da qual nos revela o segredo:
«Jesus, a minha alegria é amar-Te» (P 45/7). Neste contexto de sofrimento,
vivendo o maior amor nas mais pequenas coisas da vida quotidiana, a Santa
realiza a sua vocação de ser o Amor no coração da Igreja (cf. Ms B, 3v).
Teresa faleceu na noite de 30 de Setembro de 1897, pronunciando as
simples palavras «Meu Deus, amo-Te!», olhando para o Crucifixo que estreitava
nas suas mãos. Estas últimas palavras da Santa são a chave de toda a sua
doutrina, da sua interpretação do Evangelho. O acto de amor, expresso no seu
último suspiro, era como que o contínuo respiro da sua alma, como o pulsar do
seu coração. As simples palavras «Jesus,
amo-Te» estão no centro de
todos os seus escritos. O acto de amor a Jesus imerge-a na Santíssima Trindade.
Ela escreve: «Ah, tu sabes, amo-te Menino Jesus, / O Espírito de Amor
inflama-me com o seu fogo. / É amando-Te que eu atraio o Pai» (P 17/2)."
Bento XVI, In Audiência Geral de 6 de Abril de 2011
24 janeiro, 2013
Catequese sobre Santa Teresinha (I)
"Amados irmãos e irmãs!
Gostaria de vos falar hoje de santa Teresa de Lisieux. Teresa do Menino Jesus e
da Sagrada Face, que viveu neste mundo só 24 anos, no final do século XIX,
levando uma vida muito simples e no escondimento, mas que, depois da morte e da
publicação dos seus escritos, se tornou uma das santas mais conhecidas e amadas.
A «pequena Teresa» nunca deixou de ajudar as almas mais simples, os pequeninos,
os pobres e os sofredores que lhe rezam, mas iluminou também toda a Igreja com
a sua profunda doutrina espiritual, a ponto que o Venerável Papa João Paulo II,
em 1997,
quis atribuir-lhe o título de Doutora da Igreja, além do de Padroeira das
Missões, que já lhe tinha sido atribuído por Pio XI em 1927. O meu amado
Predecessor definiu-a «perita da scientia
amoris» (Novo
millennio ineunte, 27).
Esta ciência, que vê resplandecer no amor toda a
verdade da fé, Teresa expressa-a principalmente na narração da sua vida, publicada um ano depois da sua morte
com o título de História de
uma alma. Trata-se de um
livro que teve imediatamente um grande sucesso, foi traduzido em muitas línguas
e difundido em todo o mundo. Gostaria de vos convidar a redescobrir este
pequeno-grande tesouro, este comentário luminoso ao Evangelho plenamente
vivido! De facto, a História
de uma alma é uma história maravilhosa de Amor,
narrada com tanta autenticidade, simplicidade e vigor que o leitor não pode
deixar de se admirar! Mas qual é este Amor que encheu toda a vida de Teresa,
desde a infância até à morte? Queridos amigos, este Amor tem um Rosto, tem um
Nome, é Jesus! A Santa fala continuamente de Jesus. Repercorramos então as
grandes etapas da sua vida, para entrar no coração da sua doutrina.
Teresa nasceu a 2 de Janeiro de 1873 em Alençon, uma cidade da
Normandia, na França. É a última filha de Luís e Zélia Martin, esposos e pais
exemplares, beatificados juntamente a 19 de Outubro de 2008. Tiveram nove
filhos; quatro morreram em tenra idade. Permaneceram as cinco filhas, que se
tornaram todas religiosas. Teresa, com 4 anos, ficou profundamente abalada com
a morte da mãe (Ms A, 13r). Então, o pai transferiu-se com as filhas para a
cidade de Lisieux, onde se desenvolverá toda a vida da Santa. Mais tarde
Teresa, atingida por uma grave doença nervosa, sarou por graça divina, que ela
própria define o «sorriso de Nossa Senhora» (ibid., 29v-30v). Recebeu depois a Primeira
Comunhão, intensamente vivida (ibid., 35r),
e pôs Jesus Eucaristia no centro da sua existência.
A «Graça do Natal» de 1886 assinala a grande mudança, por ela
chamada a sua «total conversão» (ibid., 44v-45r).
De facto, ficou totalmente curada da sua hipersensibilidade infantil e começou
uma «corrida de gigante». Aos 14 anos Teresa aproxima-se cada vez mais, com
grande fé, de Jesus Crucificado, e começa a ocupar-se de um criminoso,
aparentemente desesperado, condenado à morte e impenitente (ibid., 45v-46v). «Quis impedir-lhe de todas
as formas de cair no inferno», escreve a Santa, com a certeza de que a sua
oração o teria posto em contacto com o Sangue redentor de Jesus. É a sua
primeira experiência fundamental de maternidade
espiritual: «Eu tinha tanta confiança na Misericórdia Infinita de Jesus»,
escreve. Com Maria Santíssima, a jovem Teresa ama, crê e espera com «um coração
de mãe» (cf. pr 6/10r)."
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