26 dezembro, 2012

Retiro para a tomada de hábito.




O início do noviciado é marcado com a tomada de Hábito, mas antes da tomada hábito há um retiro de preparação para a nova etapa de formação que se começa. O grupo de noviços actual fez o seu retiro em Segóvia, no convento dedicado a S. João da Cruz, de 25 de Agosto a 1 de Setembro de 2012. Este retiro foi orientado pelo mestre de noviços, o Fr. Vasco.

Aproveitando a ida a Espanha, fez-se uma paragem na cidade natal (Ávila) da nossa fundadora Santa Teresa de Jesus. Assim, nós, os noviços, tivemos a oportunidade de conhecer esse espaço tão percorrido e tão cheio de lembranças da nossa Santa Madre. Visitamos alguns pontos mais importantes da vida de Teresa: a casa em que nasceu, a Encarnação (convento em que se tornou freira), S. José de Ávila (o primeiro convento da reforma/fundação dessa nossa vida da Ordem do Carmelo Descalço).

Esta paragem foi na ida para Segóvia. No regresso, a paragem foi em Alba de Tormes, local onde morreu Santa Teresa de Jesus, em Outubro de 1582, quando regressava a Ávila da fundação de Burgos. Em Alba de Tormes, visitamos o convento em que morreu a Santa e o primeiro convento Carmelita em honra de S. João da Cruz. O convento em que morreu Teresa é uma fundação da própria Santa e é lá que estão os seus restos mortais. Aqui também se pode encontrar um museu onde estão expostos vários objectos da época e até utilizados pela Santa.

O retiro teve como cenário um espaço que também nos é muito querido, como carmelitas que somos. Este convento de Segóvia foi fundado por S. João da Cruz e habitado por ele durante alguns anos. Em cada recanto do convento, cruzamo-nos com uma obra do seu tempo, algumas delas, provavelmente, feitas por ele. Enfim, respira-se no ar o espírito Sãojoanista, o desapego de tudo para chegar ao Todo, a contemplação da natureza como meio para chegar a Deus.
Neste ambiente SãoJoanista, o Pe. Vasco fez-nos uma apresentação dos objectivos do noviciado, dos métodos a usar e do programa a seguir (horário comunitário, programação das aulas, retiros, passeios, etc..) 

Após esta introdução, começámos o retiro propriamente dito. As reflexões que nos foram apresentadas iam na linha do sentir-se chamado a servir Deus e aos outros dentro e através do carisma teresiano. Teresa apresenta-nos o seu carisma baseado em três pilares centrais: oração, comunidade, apostolado. E apresenta-nos um conjunto central de virtudes que unem e alimentam esses três pilares carismáticos, a saber: "amor de umas(uns) para com as(os) outras(os)", "verdadeira humildade" (= "andar em verdade", perante si próprio e perante Deus) e "desapego de todo o criado" (liberdade). 
O Pe. Vasco apresentou-nos uma reflexão do carisma teresiano, pondo o acento na liberdade/desapego. Porque o "estar no mundo sem ser do mundo" é uma das partes mais difíceis de enfrentar na Vida Religiosa, mas que se torna fácil se, de facto, somos e nos deixamos ser apanhados pelo amor de Jesus.

Noviços

25 dezembro, 2012

ATENÇÃO, HOJE É NATAL!



Hoje é Natal! «Sim, hoje! Hoje mesmo! Não celebramos, à maneira de recordação, um acontecimento do passado, que ocorreu uma vez e passou; é algo presente que é, ao mesmo tempo, começo de um futuro eterno que de nós se avizinha!» Assim li em algum sítio estas palavras como tendo sido escritas ou pronunciadas pelo grande teólogo que foi Karl Rahner.

E creio que é um dia muito bonito para eu entrar nesta página que o nosso «bicho-da-seda» começou a construir já lá vão alguns dias. Sim, começou esta obra há pouco mais de 10 dias, praticamente está ainda em gestação, mas já tem pernas para andar. Ah, é que este «bicho-da-seda» mais parece uma centopeia, embora não tenha tantos pés... Mas entranha uma grande sabedoria e não se inspirasse a sua mensagem na doutrina do cantor das «Insulas estranhas»!

Não é difícil de recordar a vida deste minúsculo animal! Bom, quando começa a ser tal e quando deixa de o ser? Como do pequeno ovo sobre o qual se vai irradiando algum calor se vai desenvolvendo uma pequenina larva a qual, alimentada com folhas de amoreira, vai construindo, por sua vez, um casulo, a casa onde ela mesma há-de morrer para dar lugar, depois, a uma belíssima nova criatura que encanta flores, animais e gentes que a admiram no seu esvoaçar, no seu leve poisar, e no seu absoluto silêncio no andar/voar.

Não sei se estais a ver a ligação desta pequena história que estou para aqui a soletrar e o Natal que é hoje! E que insistia nesse «hoje», como o faz, com tanta força e insistência também a própria liturgia que a Igreja celebra. Hoje é Natal! Mas é mesmo hoje! Nem foi ontem, nem é amanhã! Insisto: é hoje! Porque Jesus, o Senhor, o Salvador, Deus mesmo, vem em cada hoje, cada momento ao nosso encontro; a cada batida do coração Ele nasce, Ele vem. E eu creio que muitas vezes esquecemos isto: julgamos, ou pelo menos vivemos, como se o Natal fosse só uma vez por ano, só um dia no ano: e isso para darmos as boas festas, enviarmos mensagens, desejarmos felicidades, fazermos votos de boa saúde e bem-estar; partilharmos alguma coisa com alguém, talvez até lembrar-nos dos mais débeis, fracos e pobres..., tanto mais que nós sentimo-nos muito bem, mas entra-nos o remorso de consciência ao ver ou pensar nesses deserdados. E então pensamos, e dizemos: ah! É Natal! E lá vamos nós com gestos, com atitudes, com palavras de circunstância, puramente esporádicos.

Que pobres que somos estes «bichinhos da seda», todos nós! E quanta resistência vamos fazendo para que em nós se dê um novo nascimento, o verdadeiro, transformando-nos de... «larva em crisálida, de crisálida em borboleta»!

Sim, porque Natal é transformação, é mudança: das trevas em Luz (‘no mundo que andava em trevas, brilhou uma grande luz!’), do silêncio em Palavra (‘no princípio era o Verbo, e o Verbo estava em Deus, e o Verbo era Deus’), da morte em Vida (‘a vida que estava junto do Pai manifestou-se na terra’). Natal é início da vida na terra enquanto a Páscoa será início da vida no céu: é verdade, o Natal está profundamente unido à Pascoa; e não se compreende um sem a outra.

Natal é vida, é família, amizade, partilha, comunhão, abraço, reunião; é alegria, paz, felicidade... Natal é antecipação do céu, por isso há tréguas, há cessar de conflitos, há silêncio, escuta, acolhimento do outro, do diferente...

Que bom se todos os dias fosse Natal! E não apenas pela abundância da mesa, pelas luzinhas e as flores, pelas cantos e as músicas, pelas prendas e felicitações, pelos bons desejos e até pelos gestos esporádicos de caridade e bem-fazer pelos mais pobres e necessitados, pelos que estão a passar frio e não têm um tecto para se abrigar; mas um Natal permanente e eterno no qual o verdadeiro protagonista, Jesus que nasce hoje, estivesse realmente presente e fosse o «motor» que move os nossos corações para fazermos comunhão, unidade, corpo com os nossos semelhantes.

Atenção! Muita atenção! Hoje é Natal! E só existe o hoje porque, como dizia aquela jovem doutora: «Para Te amar, ó Deus amante, eu só tenho o dia de hoje»!
Santo e Feliz Natal para todos!

P. Alpoim Portugal

24 dezembro, 2012

S. João da Cruz e o Natal



É natural que, nesta quadra natalícia, nos perguntemos pelo modo como os nossos fundadores celebravam a festa do Nascimento de Jesus. Qualquer carmelita sabe que Teresa de Jesus e João da Cruz modernamente são contados entre aqueles santos que mais contribuíram para difundir a devoção ao Menino de Belém. Também, quem é próximo ao Carmelo, sabe que nestes conventos, ou castelos onde Deus mora, a marca da casa é a humildade, a oração e a alegria. Dizia Teresa: “Tristeza e melancolia não as quero em minha casa”. E João da Cruz arrematava: “Neste estado de vida tão perfeita, a alma anda sempre, interior e exteriormente, como de festa; no paladar do seu espírito traz frequentemente um grande júbilo de Deus, uma espécie de canto novo, que é sempre novo, envolto em alegria e amor” (Ch 2, 36).

Deixo aqui um breve lamiré sobre o modo de S. João da Cruz celebrar o Natal. Convém lembrar, já de entrada, que o mistério de Cristo – o Amado e o Esposo – é central na sua vida. Por isso, meditou, contemplou e cantou a gloriosa humanidade de Cristo: “Na qual a Suma Trindade/de carne o Verbo vestia. E embora de três a obra,/somente num se fazia;/ficou o Verbo encarnado/ em o ventre de Maria. E o que tinha apenas Pai,/também já Mãe possuía” (Romance In principio…, nº 8). O mistério da encarnação – o Natal – é, juntamente com o mistério da redenção, obra maior, em comparação com a criação e as criaturas (obras menores). A encarnação é obra excelsa na qual o Pai mais reparou e se deleitou. Belém é o tálamo do abraço de amor eterno entre o céu e a terra. 

Segundo a Ir. Maria da Paz, João da Cruz “amava muito a nosso Senhor e andava sempre em oração, agradando a Deus, e isso notava-se-lhe porque o seu rosto acomodava-se às festas”. Esta testemunha estava persuadida de que, conforme às festas, assim trazia o seu afeto em Deus. “Se era natal, denunciava ternura” (BMC 14, 45). Foi atendendo a esta testemunha que Juan Vicente Rodriguez batizou João da Cruz como “o homem do tempo litúrgico”.

Era nas festas de Natal que João da Cruz mais se extasiava. Em Baeza, Granada e Segóvia animava a sua comunidade com versos, cantos e pequenas representações teatrais que entretinham e enterneciam os seus frades. Frei João de Santa Eufémia, o cozinheiro da comunidade de Baeza, diz que “na noite de Natal, o dito frei João da Cruz fez que dois dos seus religiosos, representando Nossa Senhora e S. José, andassem pelo claustro do convento a pedir pousada. E daquilo que diziam estes dois frades, João da Cruz tirava pensamentos divinos que partilhava para grande consolação dos religiosos… E, quando estas festas se celebravam na igreja, o povo ficava muito edificado e cheio de devoção” (BMC 14, 25). Também em Granada, segundo Alonso da Mãe de Deus, frei João “colocou a mãe de Deus num andor, e, posta aos ombros, acompanhada por este servo do Senhor e pelos religiosos que a seguiam pelo claustro, batiam às portas que nele havia a pedir pousada para aquela Senhora em horta de parto e seu marido. Chegados à primeira porta cantaram esta letra que o santo compôs: Do Verbo divino/ a Virgem prenhada/ lá vem a caminho./ Dar-lhe-eis pousada? Esta letra foi-se repetindo de porta em porta. Lá dentro, o santo tinha colocado religiosos que respondiam secamente. João da Cruz respondia-lhes dizendo quem eram os hóspedes, do tempo que fazia e da importância daquela hora. O ardor das suas palavras e das maravilhas que apresentava enternecia o coração de quantos o ouviam e nas suas almas ficava impresso este mistério e um grande amor a Deus”. Gabriel da Mãe de Deus, o velho sacristão do convento, descreve uma procissão idêntica que entrava na igreja à meia-noite. Ao lado do ambão estava montado o presépio – feito de ramos, palha e terra – onde não faltava a mula e o boi, bem como a imagem de S. José. Ao chegar punha-se a Virgem Maria na gruta. Todos adoraram o Menino recém-nascido. Era tal o realismo com que se fazia a celebração “que não parecia representação de uma coisa passada, mas tal acontecimento via-se presente, como se acontecesse naquele instante diante dos seus olhos” (Jerónimo, História, lib 4, c. 11, 427-428). Este mesmo documento histórico relata o momento em que frei João da Cruz, estando afalar aos seus frades sobre a riqueza do amor de Deus feito Menino, sentindo um impulso irreprimível, dirigiu-se a uma mesa onde estava uma imagem do Menino Jesus que recebia todas as alegrias daquele tempo litúrgico, pegou nela nos braços e começou a dançar com toda a arte e fervor. A letra que acompanhava a sua dança dizia: “Meu doce e terno Jesus,/ se amores me hão-de matar,/ agora tenham lugar”.

Ó carmelitas, haja alegria, dancemos, bailemos, porque Jesus nasceu para nos salvar. Abramos a pousada da nossa alma a José e a Maria, porque, no seu seio, trazem-nos o Menino Deus, o Redentor. Feliz Natal!

Agostinho Leal, ocd

23 dezembro, 2012

Alegrai-vos



Estimados leitores!
Bem-vindos (as) a esta página. 
Gostaria que partilhássemos a nossa fé neste Deus-Menino que constantemente advém na nossa história pessoal e familiar a fim de nos oferecer uma proposta de salvação e de vida nova, quando celebramos já o 4º e último Domingo do Advento. Ao longo destas quatro semanas que precedem o Natal temos vindo a contemplar, através do silêncio e da meditação, este Deus que tanto amou o mundo e que decidiu encarnar fazendo-Se em tudo igual a nós excepto no pecado. Ele que é totalmente consubstancial ao Pai e também totalmente consubstancial à Virgem Maria Mãe. A Ele suplicamos que a nossa humanidade se dilua na Sua divindade.~

O Natal está à porta. Natal é um tempo em que a humanidade rende graças pela primeira vinda do Filho de Deus, simultaneamente é um tempo em que vive na expectativa da segunda vinda de Cristo. É a festa da família. Deixemo-nos interpelar por este Céu que desce até nós. Deus encarna por amor! É um mistério tão grande que eleva a humanidade da imanência à transcendência, da encarnação à escatologia, do amor recebido ao amor partilhado.

A esta altura acredito que já estamos preparados para O acolher: fomo-nos purificando das nossas falsas alianças, rompemos com os falsos deuses, e estamos mais predispostos a acolhermos Jesus Menino que, encarnando, nos traz a Salvação. E as leituras deste Domingo são muito sugestivas para todos nós que queremos viver cada vez mais intensamente a nossa condição de baptizados e de peregrinos em direcção ao Reino. Na primeira leitura o profeta Miqueias diz que o Senhor é fiel ao seu estilo habitual: fará nascer o Salvador, não de uma grande cidade como Jerusalém mas de Belém. Ele será a Paz. Na segunda leitura vemos que é necessário que os homens acolham num “sim” total ao projecto de Deus que consiste em fazer a Sua vontade. E, finalmente, na terceira leitura ou Evangelho vemos Maria correndo sobre os montes, levando o evangelho, Jesus, em seu ventre, assumindo assim a figura do mensageiro de boas notícias de Isaías 52,7: «Como são belos sobre os montes os pés do mensageiro que anuncia boas novas a Sião…». Vemos também Maria como figura da Arca do Senhor, que abençoa a casa de Isabel, permanecendo com ela cerca de três meses, tal como em 2 Samuel 6,11. E Isabel sua prima cheia do Espírito Santo saúda Maria com a segunda parte da oração a Nossa Senhora: “Bendita és tu entre as mulheres”, “… A mãe do meu Senhor”. 

As palavras de Isabel são proféticas, fruto de uma luz sobrenatural que lhe fez ver que o mexer-se do menino no seu seio não era casual, mas que exultou de alegria. Como Isabel e João Baptista que, ainda no seio de sua mãe, exultou de alegria com a vinda do Salvador, exultemos nós também e vivamos este Natal como um dom. Então assim, o tempo de Natal será caracteristicamente regido por um amor partilhado como uma dádiva. Então, o tempo de Natal será caracteristicamente regido por um amor vivido e partilhado até ao mais extremo grau, independentemente das nossas diferenças. Sejamos mais amáveis e solidários uns para com os outros nestes tempos que são difíceis para todos. Nesse caso é agora que somos chamados a mostrarmos o nosso rosto sócio-caritativo para com os mais marginalizados, os mais desprotegidos, como testemunhas do amor entranhável e misericordioso do nosso Deus.

Que a quadra festiva venha a simbolizar-se não somente nas cinco festas natalícias (o Nascimento, a Sagrada Família, a Santa Maria Mãe de Deus, a Epifania e o Baptismo do Senhor) mas sobretudo acolher Jesus no nosso coração, nas nossas vidas. Deixemo-nos transformar por Ele para nos deixarmos dominar pelo Seu amor; então, conseguiremos ser portadores do Seu Evangelho como Maria, testemunhas do Seu Reino como João Baptista e testemunhas da Sua santidade como o Apóstolo João.

Pe. Daniel Sachipangue

22 dezembro, 2012

Das pedras para os filhos de Abraão: o encontro com o Crucificado por Amor.




Como surgiu o Carmelo na minha vida, na minha história pessoal? 
Creio que a primeira graça, foi quando um dia estando na Eucaristia  percebi dentro de mim que a minha relação com Deus tinha de mudar, estamos entre 2001 e 2002 (não me recordo a data exacta). Percebi que tinha de ser eu que tinha de fazer a vontade de Deus, e não querer que fosse Deus a fazer a minha. Isto levou-me a repetir muitas vezes as orações de Nossa Senhora na anunciação – “Eis a serva do Senhor faça-se a Tua vontade”, e de Jesus no horto: “Pai faça-se como Tu queres.” Isto foi fundamental, porque permitiu uma abertura à graça, porém muito incipiente.

Posso descrever a minha vida como uma série de lutas, de encontros, de descobertas, de períodos de fidelidade e entusiasmo, e de períodos difíceis, de rebeldia, de negação. Mas onde sempre o Senhor actuou, onde sempre me esperou… e podia dizer como a nossa Santa Madre “mais me cansei eu de O ofender do que Ele de me perdoar”.

Depois desta graça procurei de verdade fazer a vontade de Deus… mas essa vontade muitas vezes assustava-me… e pouco a pouco fui tentando silenciar a “Voz” que me gritava dentro… fiz-me surda e andei errante uns tempos.

Depois eis novas “luzes”, a minha vida mudou exteriormente. Mudei de escola e também de paróquia. A minha paróquia de origem estava (está) muito envelhecida, na nova paróquia encontrei vitalidade, uma Igreja aberta, com um testemunho de alegria, de “paixão”, de entusiasmo, uma Igreja atenta aos mais pequenos. Tratei mais de perto com várias irmãs, fiz a experiência de pertencer a um Corpo. 

Tudo isto levou-me a tentar ser mais generosa e empenhada… depois “encontrei-me” com o movimento dos convívios fraternos… descobri a oração. Fiz uma experiência muito linda: comecei a rezar pelo meu mano, que vivia uma fase difícil, e tudo começou a melhorar.

Neste tempo houve também uma “descoberta” fundamental… percebi no íntimo do meu ser, que o caminho para a felicidade era o AMOR, era a doação de si, era viver em comunhão.  

Estamos em 2005. Descobrir o amor e a alegria fez-me ver tudo com outros olhos… podia perguntar novamente ao Senhor qual era a Sua vontade… mas ainda me assustava… chega Agosto, vou às JMJ de Colónia… aí dá-se o primeiro encontro com Edith Stein: “Deus é a verdade, quem procura a verdade, procura a Deus…” sim dentro de mim havia sede de verdade… havia sede de Deus.

Mas eis que tudo muda novamente… em Setembro começo a faculdade, todo um mundo novo. O 2º ano foi o ano das mudanças… um ano de rebeldia e um ano em que fui “apanhada”. Queria ser independente, morar sozinha, sair do controle de todos… mas… o Senhor foi à minha procura quando andava mais longe… e dessa rebeldia começou a fazer algo lindo… e (imagine-se lá…) passei a ir à missa todos os dias. Precisava de estar com Ele… escutá-l’O… sentia a necessidade de estar em silêncio, de estar na solidão habitada.

A 6ª-feira santa de 2007 foi um dia importantíssimo. Houve um “encontro” com O Cristo Crucificado, mas não pela dor… pelo ódio… foi o Crucificado por Amor… aquele Deus que me amou tanto que morreu por mim (e este por mim faz a diferença), que me ama pessoalmente. Um Deus que se fez obediente, pequenino, aniquilado. Percebia interiormente que Ele me pedia para Lhe fazer companhia… estava tão só na Cruz… comecei a desejar estar sempre com Ele. A desejar Consolá-lO. 

O Carmelo: houve novamente um encontro com Edith Stein. Por ela descobri o carisma carmelita. O carisma da União com Deus, da intimidade, da oferta consciente da nossa vida, da fecundidade apostólica da vida escondida… eu queria muito ajudar os sacerdotes (primeiro pensei numa ajuda imediata… mas isso era pouco) … eu queria chegar a todos os sacerdotes… queria chegar a todas as pessoas… no Carmelo, na oração, não há limites de espaço e de tempo… há gratuidade e amor… não sabemos quem ajudamos… mas amamos e queremos ajudar todos. Por isso o coração da carmelita é o coração mais povoado do mundo, todos lá têm um lugar.

Dizia que a minha vida foi de lutas, agora no Carmelo travo também uma enorme luta… a luta pelo amor. Para que todos conheçam o amor de Deus. Deste Deus que é o Amigo que nos chama. Mas esta luta só se ganha perdendo. Sim, perdendo o nosso eu, para que seja Ele a ganhar. Deixar que seja Deus a fazer tudo em mim, a amar em mim, a trabalhar em mim. Só deixando que o Espírito de Deus aja em mim é que a minha vida de carmelita será fecunda para a Igreja.

O Carmelo apareceu como a resposta de amor. A resposta ao convite de Jesus a estar com Ele, a dar-me como Ele se deu. Não há outros caminhos??? sim há… mas para alguns este é o caminho. O escondimento, a simplicidade, o Amor.
Ir. Cláudia