29 janeiro, 2013

Semana do Consagrado - Irmã Catarina de Jesus



Senhor,
pessoas há que me dizem muito.
e outras muitas que não me dizem mesmo nada.
Todos, porém, me ajudaram como ninguém 
a abrir o coração, a erguer as mãos e a rezar,
a pôr a razão a cantar, a alma a bendizer,
e eu, desconcertado, ficando tantas vezes sem saber 
o que falar ou dizer,
e sem acertar o combinado.

Nesta Semana do Consagrado
eu te louvo e agradeço pelo Irmã
Catarina da Cruz
monja santa, simples e inocente,
cuja vida foi um Ai Jesus!
A cozinha foi o seu céu e cenário,
seu armário e seu sacrário,
e a horta uma escola e um recreio:
ali ia, ali colhia
um repolho, uma alface,
duas ou três folhas de loureiro,
uns agriões e um ramo de salsa.
E indo ou vindo do seu passeio
sempre esperta reparava
que ao passar pela balsa
as rãs cantadoras fugiam
e de um salto se recolhiam
no verde lodo profundo.
Ó Irmã Catarina, 
foi necessário um Doutor santo e sábio
enviado por Nosso Senhor
para te acalmar e iluminar
com palavra santa e natural.
E contigo ficamos a saber
que as rãs buscam o centro profundo
onde ruindade alguma do mundo
pode chegar a fazer-nos mal.
E assim se devem esconder
os que em Deus querem crescer:
devem ir para o mais fundo e mergulhar
no mar que é Deus
e ali se esconder e repousar
e assim continuar a cumprir o dever
de dar de comer ou beber
a todos os peregrinos da fé,
que assim manda quem É.



Fr. João Costa

28 janeiro, 2013

Santa Teresa Benedita da Cruz (I)


"1. Quanto a mim, que eu não me glorie, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo (cf.Gl 6, 14).

As palavras de São Paulo aos Gálatas, que acabámos de escutar, adaptam-se bem à experiência humana e espiritual de Teresa Benedita da Cruz, que hoje é solenemente inscrita no álbum dos santos. Também ela pode repetir com o Apóstolo: Quanto a mim, que eu não me glorie, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo.

A cruz de Cristo! No seu constante florescimento, a árvore da Cruz dá sempre renovados frutos de salvação. Por isso, os fiéis olham com confiança para a Cruz, haurindo do seu mistério de amor a coragem e o vigor para caminhar com fidelidade nas pegadas de Cristo crucificado e ressuscitado. Assim, a mensagem da Cruz entrou no coração de muitos homens e mulheres, transformando a sua existência.

Um exemplo eloquente desta extraordinária renovação interior é a vicissitude espiritual de Edith Stein. Uma jovem em busca da verdade, graças ao trabalho silencioso da graça divina, tornou-se santa e mártir: é Teresa Benedita da Cruz, que hoje repete do céu a todos nós as palavras que caracterizaram a sua existência: «Quanto a mim, que eu não me glorie, a não ser na cruz de Jesus Cristo».

2. No dia 1 de Maio de 1987, durante a minha visita pastoral na Alemanha, tive a alegria de proclamar Beata, na cidade de Colónia, esta generosa testemunha da fé. Hoje, a onze anos de distância aqui em Roma, na Praça de São Pedro, é-me dado apresentar solenemente esta eminente filha de Israel e filha fiel da Igreja como Santa perante o mundo inteiro.

Assim como nessa data, também hoje nos inclinamos diante da memória de Edith Stein, proclamando o testemunho invicto que ela deu durante a vida e sobretudo com a morte. Ao lado de Teresa de Ávila e de Teresa de Lisieux, esta outra Teresa vai colocar-se no meio da plêiade de santos e santas que honram a Ordem carmelitana.

Caríssimos Irmãos e Irmãs, que vos congregastes para esta solene celebração, dêmos glória a Deus pela obra que realizou em Edith Stein.

3. Saúdo os numerosos peregrinos vindos a Roma, com um particular pensamento para os membros da família Stein, que quiseram estar connosco nesta feliz circunstância. Uma cordial saudação dirige-se também à representação da Comunidade carmelitana, que se tornou a «segunda família» para Teresa Benedita de Cruz.

Depois, dou as minhas boas-vindas à delegação oficial da República Federal da Alemanha, chefiada pelo Chanceler Federal resignatário, Helmut Kohl, a quem saúdo com deferente cordialidade. Além disso, cumprimento os representantes das regiões de Nordrhein-Westfalen e Rheinland-Pfalz, bem como o Primeiro Presidente da Câmara Municipal de Colónia. Inclusivamente da minha Pátria veio uma delegação oficial, guiada pelo Primeiro-Ministro Jerzy Buzek.


Dirijo-lhe uma cordial saudação. Depois, quero reservar uma especial menção aos peregrinos das dioceses de Vratislávia, Colónia, Monastério, Espira, Cracóvia e Bielsko-Žywiec, presentes com os seus Bispos e sacerdotes. Eles unem-se ao numeroso grupo de fiéis vindos da Alemanha, dos Estados Unidos da América e da minha Pátria, a Polónia."

Semana do Consagrado - Venerável Lourenço da Ressurreição



Senhor,
pessoas há que me dizem muito.
e outras muitas que não me dizem mesmo nada.
Todos, porém, me ajudaram como ninguém 
a abrir o coração, a erguer as mãos e a rezar,
a pôr a razão a cantar, a alma a bendizer,
e eu, desconcertado, ficando tantas vezes sem saber 
o que falar ou dizer,
e sem acertar o combinado.

Nesta Semana do Consagrado
eu te louvo e agradeço pelo Irmão
Lourenço da Ressurreição.
Três anos foi soldado
mas dali saiu magoado
e manchado pelo pecado.
Carmelita se fez em Paris,
que Deus assim quis.
Quinze anos de cozinheiro
outros tantos de sapateiro.
Foi assim que aprendeu a viver
a presença de Deus no trabalho.
E a conversar com Ele sem prever
e sem cuidar de se preparar,
sem necessidade de delicadezas,
simplesmente a com Ele estar 
com simplicidade e bondade.
Sempre de avental posto
e sorriso no rosto
lutou contra o mal;
e a gosto dizia que as palavras pouco valem
porque só o amor faz tudo.
E ao morrer
declarou com solenidade
que poderia partir para a eternidade
porque ali faria o que sempre fizera:
a Deus bendizer e louvar,
amar e adorar,
por nada mais ser necessário.
Ámen.


Fr. João Costa

27 janeiro, 2013

III Domingo do Tempo Comum




Durante os seguintes Domingos do presente ano litúrgico, seremos acompanhados pelo evangelista Lucas. É, portanto, lógico que, no início do tempo comum, nos seja proposto o prólogo ou introdução deste Evangelho.
O prólogo de Lucas revela-nos o sentido dos evangelhos. São os relatos da experiência de fé das primeiras comunidades cristãs a partir da Ressurreição de Jesus. Por isso, os evangelhos constituem uma mensagem baseada no passado, interpretada à luz do presente (a vida das primeiras comunidades) e com perspectivas para o futuro (a Igreja posterior). Também São Lucas dedica o seu evangelho ao "excelentíssimo Teófilo", nome que significa “amigo de Deus”, por tanto, nele cada um de nós pode e deve sentir-se incluído e interpelado. Os evangelhos são uma "boa notícia" para nós, homens e mulheres do século XXI.
A segunda parte do trecho Evangélico de hoje está separada do prólogo por três capítulos. Deste modo, ouvimos parte do capítulo quatro, onde nos é apresentado o início da vida pública de Jesus.
Jesus, na sinagoga de Nazaré, recebe a Palavra, proclama-a ao povo, recolhe o livro e anuncia a actualidade da Palavra. Mas, de facto, o próprio Jesus é a Palavra anunciada pelos profetas, por isso, Ele pôde dizer que “hoje” se cumpriu a Palavra anunciada já há tantas gerações. Na verdade, a Igreja proclama Jesus Cristo como o Salvador dos homens, ontem, hoje e sempre.
O papa Bento XVI diz, a este respeito, que “a Igreja não vive de si mesma mas do Evangelho e dele tira sempre de novo a orientação para o seu caminho. Trata-se – continua a dizer o Papa – de uma observação que cada cristão deve acolher e aplicar a si mesmo: só quem se coloca antes de tudo à escuta da Palavra de Deus pode depois tornar-se anunciador. De facto, ele (o cristão) não deve ensinar a sua própria sabedoria, mas a sabedoria de Deus, que muitas vezes, aos olhos do mundo, parece loucura. A Igreja e a Palavra de Deus estão inseparavelmente ligadas entre si. A Igreja vive da Palavra de Deus e a Palavra de Deus ressoa na Igreja, no seu ensinamento e em toda a sua vida” – conclui o Papa.
Por conseguinte, é indispensável ter presente que a Palavra de Deus é um dos principais pilares da nossa fé cristã, porque sem a Palavra proclamada e explicada a fé não amadurece. Torna-se assim compreensível que é fundamental, para aprofundar na nossa vida cristã, escutar e assimilar a Palavra que Deus nos revelou, por meio do seu Filho, Jesus Cristo.
Por isso, ser cristão e “anunciar hoje a Palavra” não é somente uma questão de palavras e discursos sugestivos; exige, simultaneamente, compromisso. O “anúncio” da boa notícia não é simplesmente transmitir informação, mas fazer, construir, lutar contra o mal, curar, reabilitar os irmãos, colocar-se ao seu serviço, acompanhar e dignificar a vida como manifestação da mão criadora de Deus. E somente assim a “evangelização” hoje será como a de Jesus que veio a fazer maravilhas em favor dos pobres, atribulados e cativos.
Este Domingo convida-nos a recomeçar de novo o projecto de vida cristã que queremos dar aos nossos dias. E a melhor forma é começar por aprender a escutar e acolher a Palavra de Deus, a exemplo de Nossa Senhora que guardava e meditava a Palavra no seu coração. Mas, depois, uma vez assimilada, essa Palavra deve tornar-se vida na nossa vida, pois “felizes os que escutam e cumprem a Palavra”.
O convite que o evangelho nos faz hoje, é aprofundar com seriedade e constância a riqueza da palavra de Deus, porque somente meditando-a e interiorizando-a, aprenderemos a vive-la quotidianamente. Deus continua a falar ao nosso coração por meio da sua palavra, e a palavra tem como missão alimentar o nosso caminho de fé, que iniciámos no dia do nosso Baptismo. Porque, como diz Santo Agostinho, a Deus falamos-lhe quando rezamos, mas é Ele que nos fala quando lemos e ouvimos a sua palavra. 
Em suma, sejamos atentos e dóceis à Palavra que Deus nos quis confiar. Não tenhamos medo das suas exigências. Se permanecermos fiéis aos compromissos do nosso Baptismo nunca deixaremos de levar Jesus Cristo aos outros. Esta é a missão que “hoje” nos faz concretizar a Palavra anunciada a todos os povos. Daí que são Paulo, na segunda leitura, falando dos carismas, sublinhe a importância primordial que deve ser dada ao anúncio da palavra de Deus.
Que a nossa vida cristã seja concretizada na alegria da fé que brota da Palavra de Deus. Só assim nos tornamos testemunhas de Jesus Cristo diante do mundo que nos desafia e interroga.
Jesus resumiu o seu projecto em poucas palavras: libertação das pessoas de toda espécie de escravidão. Mas, a libertação integral do homem não se consegue senão à base de amor e perdão, tolerância e liberdade, respeito pela dignidade da pessoa, serviço à verdade e à vida, fraternidade e solidariedade.
Hoje, somos nós, cristãos que devemos continuar a levar por diante o anúncio de esperança e o mesmo tipo de acção de Jesus.
Deixemo-nos conduzir pela Palavra de Deus, para caminhar com decisão para Cristo.

P. Vítor Hidalgo López

Abrir a Semana do Consagrado


Senhor,
pessoas há que me dizem muito.
e outras muitas que não me dizem mesmo nada.
Todos, porém, me ajudaram como ninguém
a abrir o coração, a erguer as mãos e a rezar,
a pôr razão a cantar, a alma a bendizer,
e eu, desconcertado, ficando tantas vezes sem saber
o que falar ou dizer,
e sem acertar o combinado.

Nesta Semana do Consagrado
eu te louvo e agradeço pela minha história
de que vou perdendo memória.
Porém, meu passos e a planta dos pés
ficam marcados no barro fresco da estrada,
nas almas frescas e brandas
de quantos sem saber, ou sabendo
foram comigo percorrendo
um pedaço do caminho da fé.
Uns comigo foram meninos,
Outros peregrinos, apóstolos muitos.
Movidos pelo teu Espírito,
queremos também todos, ó Pai,
encontrar e reconhecer hoje
Aquele que veio e é sempre esperado.
Queremos também nós, como Simeão,
acolhê-l’O nos braços,
vê-l’O, contemplá-l’O com os nossos olhos,
exultar de gratidão
à luz do seu rosto.
Queremos também nós, como Ana,
consumar a nossa vida
em santidade e alegria,
para que tudo em nós
seja oblação agradável aos vossos olhos
e puro louvor e acção de graças.
Ámen.

fr. João Costa