01 fevereiro, 2013

Peregrinos na Fé, Apóstolos na Evangelização do Mundo (II)


MENSAGEM DA COMISSÃO EPISCOPAL DAS VOCAÇÕES E MINISTÉRIOS POR OCASIÃO DA SEMANA DO CONSAGRADO – 27 DE JANEIRO A 3 DE FEVEREIRO DE 2013

PEREGRINOS NA FÉ, APÓSTOLOS NA EVANGELIZAÇÃO DO MUNDO



"2. APÓSTOLOS DA FORÇA E DA BELEZA DA FÉ

Com muita alegria, reconhecemos que os Consagrados são, entre nós, autênticos apóstolos da força e da beleza da fé, ou seja, verdadeiros catecismos abertos aos fiéis, pois neles podem “descobrir novamente os conteúdos da fé professada, celebrada, vivida e rezada” (Bento XVI, A Porta da Fé, 9).

Hoje, como em todos os tempos, a força e a beleza da fé só podem encontrar-se quando ela é vivida na radicalidade evangélica. Os Consagrados são, na Igreja, aqueles em quem se espera encontrar de forma mais visível esse testemunho, em virtude dos conselhos evangélicos, a via da radicalidade que amorosamente assumem como dom e compromisso.

Precisamos urgentemente de homens e mulheres totalmente imbuídos de Cristo, que mostrem a outra face, isto é, que se distanciem dos critérios terrenos e se deixem conduzir pelos critérios do alto.

A força da fé só pode revelar-se por meio de pessoas reais que a experimentem e testemunhem como capaz de transformar as suas vidas. Do mesmo modo, a beleza da fé somente se revela por meio das vidas belas de homens e mulheres cheios de Deus, a origem e a fonte de toda a beleza.

Aos consagrados pedimos que se adentrem com profundidade no mistério da fé, única razão de ser da sua vocação e da sua vida, no respeito pela peculiaridade dos carismas de que são herdeiros. Pela sua autenticidade e pela radicalidade da sua entrega na pobreza, na castidade e na obediência, tornar-se-ão os apóstolos da força e da beleza da fé."

D. Virgílio do Nascimento Antunes
Presidente da Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios


Semana do Consagrado - Venerável Chiquitunga



Senhor,
pessoas há que me dizem muito.
e outras muitas que não me dizem mesmo nada.
Todos, porém, me ajudaram como ninguém 
a abrir o coração, a erguer as mãos e a rezar,
a pôr a razão a cantar, a alma a bendizer,
e eu, desconcertado, ficando tantas vezes sem saber 
o que falar ou dizer,
e sem acertar o combinado.

Nesta Semana do Consagrado
eu te louvo e agradeço pela Venerável Chiquitunga,
a Irmã Maria Felícia de Jesus Sacramentado,
por ela tão amado e tão visitado
nos pobres materiais e espirituais,
nos meninos da catequese e nos jovens
trabalhadores, que foram seus amores
com os universitários amáveis.
Para todos quis ser um raiozinho de luz
e assim foi levando o sorriso de Jesus
ao leito dos incuráveis.
Como a sede da entrega total não se perdeu
no Carmelo toda a Deus se deu
porque ali conseguiu achar o amor que devia amar.
De todo o coração amava o apostolado
e por isso as mãos levemente erguia
e nada perdia do fio das horas do dia,
até que por fim, toda inteira se ofereceu 
a seu Amor tão adorado.
Escondida em Jesus viveu rezando
a Deus tudo dando, e a Humanidade abençoando.
E por fim foi sem surpresa
que o ladrão incurável a assaltou
e de nova forma toda a Jesus se entregou,
a fim de que a tomasse como noiva que amasse
e desejasse como sua.
Para o que Ele quisesse d’Ele ela só queria ser:
Era assim que devia ser, pensava em seu peito,
que de Jesus tudo aceito,
porque se assim quer Ele lá sabe o porquê.
Assim se ficou aguardando, toda para Ele se reservando
e do amor de Jesus se enchendo
e não vivendo senão para Ele, que sendo tão pequena
não o era no ardor de cumprir a sua vontade
e corresponder à sua amizade. 

31 janeiro, 2013

Peregrinos na Fé, Apóstolos na Evangelização do Mundo (I)


ENSAGEM DA COMISSÃO EPISCOPAL DAS VOCAÇÕES E MINISTÉRIOS POR OCASIÃO DA SEMANA DO CONSAGRADO – 27 DE JANEIRO A 3 DE FEVEREIRO DE 2013

PEREGRINOS NA FÉ, APÓSTOLOS NA EVANGELIZAÇÃO DO MUNDO



"1. CONSAGRADO, PEREGRINO DA FÉ

O batismo, assumido de forma livre e responsável, como participação no mistério pascal de Jesus Cristo, incorporação na sua Igreja e sacramento da comunhão com Deus, Santíssima Trindade, constitui o início do longo peregrinar da fé do cristão. Trata-se de um “caminho que dura a vida inteira... tem início com o batismo... e está concluído com a passagem através da morte para a vida eterna” (Bento XVI, A Porta da Fé, 1).

Entre todos os cristãos, os Consagrados assumem explicitamente a totalidade da vida como uma peregrinação na fé, como um sinal da transformação operada pelo batismo e como um testemunho da graça da comunhão com Deus.

Neste Ano da Fé, todo o consagrado tem oportunidade de refazer a história da sua vida humana, da sua fé e da sua vocação. Encontrará a linha contínua do amor de Deus, manifestado de muitas formas, recordará os momentos fortes do caminho realizado na procura das respostas a dar-Lhe, perceberá as dúvidas, fraquezas e, porventura, alguns retrocessos e infidelidades. Acima de tudo, verá que a fé é uma contínua resposta a um dom recebido, que implica todas as dimensões da vida e que há-de progredir sempre até que ele viva totalmente da fé, tal como diz o apóstolo: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim. E a vida que agora tenho na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus que me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gl 2, 20).

Apesar da sua condição de batizados e consagrados na Igreja, os consagrados não podem considerar a fé como um “pressuposto óbvio da sua vida diária” (Bento XVI, A Porta da Fé, 2). Correm, portanto, o risco comum a todos os cristãos de parar em qualquer fase da sua peregrinação, de se descentrarem de Deus em favor das tarefas quotidianas, de investir tanto nas obras humanas que descuidem a obra de Deus, que consiste em “crer n’Aquele que Ele enviou” (Jo 6, 29)."

D. Virgílio do Nascimento Antunes
Presidente da Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios

Semana do Consagrado - Frei José António da Imaculada Conceição



Senhor,
pessoas há que me dizem muito.
e outras muitas que não me dizem mesmo nada.
Todos, porém, me ajudaram como ninguém 
a abrir o coração, a erguer as mãos e a rezar,
a pôr a razão a cantar, a alma a bendizer,
e eu, desconcertado, ficando tantas vezes sem saber 
o que falar ou dizer,
e sem acertar o combinado.

Nesta Semana do Consagrado
eu te louvo e agradeço pela vida venerável 
de Frei José António da Imaculada Conceição,
vindo de outra nação para junto de nós.
Por aqui caminhou, 
aqui ajuntou, serviu e amou 
a Deus e a sua Mãe 
a quem
o coração entregou.
Sua vida desvelou, todo inteiro se deu
e para si nada reservou.
Amava o Menino Jesus e o Santuário,
onde morreu,
Nossa Senhora e o seu Escapulário,
onde perto viveu.
E Aveiro e Viana onde rezou,
animou e celebrou e confessou.
Recordo-lhe a letra ponderada e linda,
o rosto maduro, a fronte larga e ainda
umas mãos feitas para abençoar.
Recordo-lhe o português perfeito e belo
e o anelo de aqui ficar
nesta terra que em nome do Santo Deus
ajudou a santificar.
Recordo-lhe as contas certas,
as mãos ágeis e despertas,
o gosto pela festa e de preparar
um jantar – eu bem sei –
bem digno de um rei!
Recordo-lhe a palavra ardente,
a alma silente, o olhar aceso e vivo,
o coração contemplativo e manso
e os pés de profeta sem descanso
e sem meta.
E é assim que recordo no coração
o bem-aventurado Frei José António
da Imaculada Conceição.
Recordo por fim, pois não posso esquecer
o venerável de joelhos,
diante de nós, novos e velhos,
dando-nos a derradeira lição
do dar humilde e humilde receber o perdão.


Fr. João Costa

30 janeiro, 2013

Santa Teresa Benedita da Cruz (III)


"6. Santa Teresa Benedita da Cruz conseguiu compreender que o amor de Cristo e a liberdade do homem se entretecem, porque o amor e a verdade têm uma relação intrínseca. A busca da verdade e a sua tradução no amor não lhe pareciam ser contrastantes entre si; pelo contrário, compreendeu que estas se interpelam reciprocamente. No nosso tempo, a verdade é com frequência interpretada como a opinião da maioria. Além disso, é difundida a convicção de que se deve usar a verdade também contra o amor, ou vice-versa. Todavia, a verdade e o amor têm necessidade uma do outro. A Irmã Teresa Benedita é testemunha disto. «Mártir por amor», ela deu a vida pelos seus amigos e no amor não se fez superar por ninguém. Ao mesmo tempo, procurou com todo o seu ser a verdade, da qual escrevia: «Nenhuma obra espiritual vem ao mundo sem grandes sofrimentos. Ela desafia sempre o homem inteiro». A Irmã Teresa Benedita da Cruz diz a todos nós: Não aceiteis como verdade nada que seja isento de amor. E não aceiteis como amor nada que seja isento de verdade!


7. Enfim, a nova Santa ensina-nos que o amor a Cristo passa através da dor. Quem ama verdadeiramente, não se detém diante da perspectiva do sofrimento: aceita a comunhão na dor com a pessoa amada. Consciente do que comportava a sua origem judaica, Edith Stein pronunciou palavras eloquentes a este respeito: «Debaixo da cruz, compreendi a sorte do povo de Deus... Efectivamente, hoje conheço muito melhor o que significa ser a esposa do Senhor no sinal da Cruz. Mas dado que se trata de um mistério, isto jamais poderá ser compreendido somente com a razão». Pouco a pouco, o mistério da Cruz impregnou toda a sua vida, até a impelir rumo à oferta suprema. Como esposa na Cruz, a Irmã Teresa Benedita não escreveu apenas páginas profundas sobre a «ciência da cruz», mas percorreu até ao fim o caminho da escola da Cruz. Muitos dos nossos contemporâneos quereriam fazer com que a Cruz se calasse. Mas nada é mais eloquente que a Cruz que se quer silenciar! A verdadeira mensagem da dor é uma lição de amor. O amor torna o sofrimento fecundo e este aprofunda aquele. Através da experiência da Cruz, Edith Stein pôde abrir um caminho rumo a um novo encontro com o Deus de Abraão, Isaac e Jacob, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. A fé e a cruz revelaram-se-lhe inseparáveis. Amadurecida na escola da Cruz, ela descobriu as raízes às quais estava ligada a árvore da própria vida. Compreendeu que lhe era muito importante «ser filha do povo eleito e pertencer a Cristo não só espiritualmente, mas inclusive mediante um vínculo sanguíneo».


8. «Deus é espírito e aqueles que O adoram devem adorá-Lo em espírito e verdade» (Jo 4, 24). Caríssimos Irmãos e Irmãs, com estas palavras o divino Mestre entretém-se com a Samaritana junto do poço de Jacob. Quanto Ele deu à sua ocasional mas atenta interlocutora, encontramo-lo presente também na vida de Edith Stein, na sua «subida ao Monte Carmelo ». A profundidade do mistério divino tornou-se-lhe perceptível no silêncio da contemplação. Ao longo da sua existência, enquanto amadurecia no conhecimento de Deus adorando-O em espírito e verdade, ela experimentava cada vez mais claramente a sua específica vocação de subir à cruz juntamente com Cristo, de abraçá-la com serenidade e confiança, de amá-la seguindo as pegadas do seu dilecto Esposo: hoje, Santa Teresa Benedita da Cruz é-nos indicada como modelo em que nos devemos inspirar e como protectora à qual havemos de recorrer. Dêmos graças a Deus por este dom. A nova Santa seja para nós um exemplo do nosso compromisso no serviço da liberdade e na nossa busca da verdade. O seu testemunho sirva para tornar cada vez mais sólida a ponte da recíproca compreensão entre judeus e cristãos. Santa Teresa Benedita da Cruz, ora por nós! Amém"

                                                                         João Paulo II,  In Homilia na canonização de Edith Stein