14 março, 2013

Teresinha



Minha Esposazinha
Querida Oh! Como estou contente contigo... durante todo ano me divertiste muito à jogar malha. Gostei tanto que a corte dos anjos estava surpreendida e cantada, mais de um querubinzinho perguntou por que é que eu não o tinha feito criança... Outros me perguntaram ainda se a melodia da sua harpa não era mais agradável do que o teu riso alegre quando fazes cair um pino com a bola do teu amor? Respondi aos meus querubinzinho que não deviam ficar tristes por não serem crianças visto que um dia poderiam jogar contigo nas Campinas do céu, disse-lhes que certamente o teu sorriso me era mais doce do que as melodias deles, porque tu não podias jogar nem sorrir senão sofrendo, esquecendo-te de si mesma. 

Esposazinha bem-amada, tenho uma coisa a pedir-te, vais recusar-me?... Oh não! Amas-me demasiadamente para isso. Pois bem! Vou-te confessar que queria mudar de jogo; a malha diverte-me muito, mas agora queria jogar o pião e, se quiseres, serás tu o meu pião. Dou-te um para modelo, já vês que não é bonito, quem não souber servir-se dele reacusá-lo-á a ponta pé, mas uma criança saltará de alegria ao vê-lo, e dirá: «Ai! Que lindo, é capaz de andar o dia inteiro sem parar». Eu, o Jesus Menino, amo-te, embora não tenhas atractivos, peço-te que não deixes nunca de andar pra me divertires... mas para andar a roda os piões são precisos chicotados... pois bem!deixa que as tuas irmãs te prestem este serviço e se agradecida para com aquelas que forem mais assíduas em não te deixarem atrasar o teu andamento. Quando eu me tiver divertido bastante contigo, levar-te-ei para o céu e então poderemos jogar sem sofrer...

Recolha de Fr. Vitor

11 março, 2013

História do Burro



Um dia, o burro de um aldeão caiu num poço. O animal zurrou fortemente durante algumas horas, enquanto o dono procurava ajuda para retirá-lo do poço. Não a encontrando, acabou por decidir que, sendo o burro já velho e estando o poço já seco, o melhor era tapar o poço e não valia a pena tirar o burro.
Convidou então todos os vizinhos para o ajudarem. Cada um pegou numa pá e começaram a atirar terra para dentro do poço. O burro, ao ver o que se estava a passar, começou desesperadamente a zurrar. Mas, pouco depois, para surpresa de todos, calou-se, e só se ouvia o som de pazadas a cair. O aldeão, olhando para o fundo do poço, ficou surpreendido com o que o burro estava a fazer. Sacudia a terra que ia caindo nas costas e dava mais um passo para cima da terra.
Rapidamente, todos viram com espanto como o burro chegou à boca do poço, saltou por cima dos bordos e partiu…
A vida vai-te atirar muita terra para cima, terra de todos os géneros. O segredo para saíres do teu poço é sacudi-la e usá-la para dares um passo para cima. Cada um dos nossos problemas é um degrau para subir. Assim, podemos sair dos vazios mais profundos, se não nos dermos por vencidos… Usa a terra que te atiram, para caminhares em frente.

10 março, 2013

"Acolhe-nos com a Tua luz"



Este quarto domingo da Quaresma, é tradicionalmente designado como domingo "Laetare", uma palavra latina que significa «alegria». Este Domingo está repleto de uma alegria que de certa forma atenua o clima penitencial deste tempo quaresmal: "Alegra-te Jerusalém… Exultai e rejubilai, vós que vivíeis na tristeza". A este convite contido na antífona de entrada e nas orações da liturgia de hoje, fez eco o  Salmo responsorial. Mas é espontâneo perguntar-nos: qual é o motivo pelo qual nos devemos alegrar? Certamente um motivo é o aproximar-se da Páscoa, a nossa festa mais importante como cristãos, cuja previsão nos faz pregustar a alegria do encontro com Cristo ressuscitado. Contudo, a  razão mais profunda da nossa alegria consiste na mensagem oferecida pelas leituras bíblicas que a liturgia hoje propõe. Elas recordam que, apesar das nossas faltas, erros e fraquezas, nós somos os destinatários da misericórdia infinita de Deus.
Precisamente, o tema do amor de Deus é o que sobressai na parábola que  escutamos no Evangelho .
A parábola do Filho Pródigo já teve diferentes títulos, porque tudo depende de como cada um a lê e da ressonância que ela tem no coração de cada um. Porque, ao contrário de outras parábolas, esta tem um carácter muito pessoal, ou seja, nela cabe o retrato de cada um de nós. É a parábola de Deus Pai. É a parábola do coração de Deus. Mas também é a parábola de cada um de nós, porque há cenas que se repetem também nas nossas vidas onde há um pai que nos ama incondicionalmente. Mas que ama tanto que só pode respeitar a liberdade de cada homem. O Seu amor pela humanidade é sem limites e por isso, concedeu-nos o dom da liberdade. Liberdade, inclusive, de O negar e de nos afastarmos d’Ele. Há, portanto, uma liberdade mal usada e que só pode trazer miséria, degradação e desespero.
Mas a parábola não tem tanto a finalidade de nos descrever a nós mesmos, mas sim de descrever o coração de Deus e de nos convidar a amar como Ele ama, a perdoar como Ele perdoa e a celebrar como ele celebra o regresso de alguém à casa do Pai. Ele sai a receber o filho que regressa de longe. E sai a chamar o Filho que está próximo mas que se nega a entrar na casa paterna.
Talvez há já demasiado tempo que temos o coração de ambos os filhos. É o momento de termos o coração do Pai. É o momento de amar como o Pai. É o momento de perdoar como temos sido perdoados. É o momento de descobrir que ser cristãos, ser Filhos de Deus, é experimentar o abraço terno deste Pai que nos traz de novo à vida. Que devolve rumo, dignidade e alegria.
Esta é a historia de Deus com cada um de nós. Uma bela história de amor, uma bela história de beijos, abraços e festa onde o protagonista é Deus.
Assim é Deus, tão bom, tão compreensivo, tão indulgente com quem se arrepende, tão cheio de misericórdia e tão transbordante de amor.
Continuemos com fé viva e espirito generoso o nosso caminho rumo a Páscoa.
Pe. Víctor

09 março, 2013

«Porque eu sou bom» (I)



                «1Porque o Reino dos Céus é semelhante a um pai de família que saiu de manhã cedo para contratar trabalhadores para a sua vinha. 2Depois de combinar com os trabalhadores um denário por dia, mandou-os para a vinha. 3Tornando a sair pela hora terceira, viu outros que estavam na praça, desocupados, 4e disse-lhes: ‘Ide, também vós para a vinha, e eu vos darei o que for justo’. 5Eles foram. Tornando a sair pela hora sexta e pela hora nona, fez a mesma coisa. 6Saindo pela hora undécima, encontrou outros que lá estavam e disse-lhes: ‘Por que ficais aí o dia inteiro desocupados? 7Responderam: ‘Porque ninguém nos contratou’. Disse-lhes: ‘Ide, também vós, para a vinha’. 8Chegada a tarde, disse o dono da vinha ao seu administrador: ‘Chama os trabalhadores e paga-lhes o salário começando pelos últimos até aos primeiros’. 9Vindo os da hora undécima, receberam um denário cada um. 10E vindo os primeiros, pensaram que receberiam mais, mas receberam um denário cada um também eles. 11Ao receber, murmuravam contra o pai de família, dizendo: 12’Estes últimos fizeram uma hora só e tu os igualaste a nós, que suportamos o peso do dia e o calor do sol’. 13Ele, então, disse a um deles: ‘Amigo, não fui injusto contigo. Não combinaste um denário? 14Toma o que é teu e vai. Eu quero dar a este último o mesmo que a ti. 15Não tenho o direito de fazer o que eu quero com o que é meu? Ou o teu olho é mau porque eu sou bom?’. 16Assim, os últimos serão primeiros, e os primeiros serão últimos» (Mt 20,1-16).

Olhemos para o texto

            Trata-se de ler e reler o texto, identificando os seus elementos mais importantes.

1. Personagens
Fala-se num pai de família ou dono da vinha, num administrador e em trabalhadores.
            2. Contratos
Contamos cinco, efectuados pelo pai de família:
            - O contrato com os trabalhadores do amanhecer
            - O contrato com os trabalhadores da hora terceira
            - O contrato com os trabalhadores da hora sexta e da hora nona
            - O contrato com os trabalhadores da hora undécima.

            Note-se as particularidades de todos eles: no primeiro, acerta-se o salário em «um denário por dia» (v. 2); no segundo, no «que for justo» (v. 4); no terceiro e quarto diz-se «fazendo a mesma coisa» (v. 5), ou seja, ajustando o salário em um denário por dia ou com a promessa de vir a dar o que for justo; no quinto, nem sequer se fala em salário (vv. 6-7), mas, pelo que os trabalhadores vêem a receber, ficamos a saber que o acerto não foi diferente. O pai de família apenas diz: «’Ide, também vós, para a vinha’».
            Além destas pequenas diferenças, são contratos que não têm muito a ver com os nossos. Os nossos têm em conta determinadas cláusulas, princípios concretos. Ora, estas cláusulas ou princípios não são tidos em conta por este Senhor.
3. O comportamento do dono da vinha e do administrador
Um comportamento diferente do comportamento dos patrões e dos administradores que conhecemos. Se este dono da vinha ou pai de família fosse verdadeiramente um «patrão», tal como o concebemos, o seu administrador ter-lhe-ia certamente recordado que nem todos chegaram e trabalharam o mesmo número de horas. Mas ele não é um dos patrões que nós conhecemos.
4. As horas
Este pai de família saiu a várias horas para contratar trabalhadores para a sua vinha: de «manhã cedo», pela «hora terceira», «hora sexta e hora nona», «hora undécima». Existe ainda uma outra referência temporal que nos indica o momento do pagamento aos seus trabalhadores: «Chegada a tarde».
5. A vinha
Todos os trabalhadores são contratados a pensar na vinha. Aparece por quatro vezes a expressão «para a vinha», numa das vezes subentendida (v. 5), e uma vez «para a sua vinha».
6. Género literário
Neste olhar para o texto, também não podemos deixar de reparar que se trata duma parábola. A parábola é sempre uma história tirada da vida corrente, com dois ou três personagens, tendo cada um deles comportamentos mais ou menos contrários ou contraditórios, com o intuito de fazer captar uma verdade vivida, ou mal vivida ou contestada. Esta é uma parábola do reino (v. 1).
7. A reacção dos trabalhadores
Embora este Senhor não seja um patrão, os trabalhadores vêem-no como tal e por isso exigem dele um salário conforme ao seu esforço (v. 12).
O texto não diz tudo acerca deste elemento. Depois das palavras do pai de família, de que modo reagiram os que murmuravam? Aceitaram? Continuaram a queixar-se? Responderam com ofensas? A reacção que formos capazes de lhes atribuir pode ser muito bem a nossa reacção diante deste Senhor que não é patrão.
Pe. Vasco