17 março, 2013

DEUS NÃO TEM PLANOS, TEM SURPRESAS!



1. A «caminhada« quaresmal aproxima-se da sua meta e do seu verdadeiro ponto de partida: a Cruz Gloriosa onde resplandece para sempre o Rosto do imenso, indizível, surpreendente amor de Deus. Nestaaltura do percurso (supõe-se que encetámos uma subida espiritual: entenda-se no Espírito Santo e com o Espírito Santo), baptizados e catecúmenos devem estar já a ser Iluminados por essa luz, a ponto de se desfazerem das «obras das trevas» e de abraçarem as «obras da Luz», como verdadeiros discípulos que seguem o Mestre até ao fim, que é também o princípio, a Fonte da Vida verdadeira donde jorra o Espírito Santo (sempre Actos 2,32-33; João 19,30 e 34; 7,37-39). Os catecúmenos têm neste Domingo V da Quaresma os seus terceiros «escrutínios»: última «chamada» para a Liberdade antes da Noite Pascal Baptismal.

 2. Deus não tem planos, tem surpresas. É, portanto, sempre desmedido e surpreendente quanto vem de Deus. Brota do excesso de Deus, que supera em muito as nossas necessidades e capacidades. Aí está, neste Domingo V da Quaresma, a imensa lição do Evangelho de João 8,1-11. Esta passagem parece uma incrustação no IV Evangelho, pois interrompe o discurso de Jesus durante a Festa das Tendas (7,1-8,59), não aparece nos manuscritos mais antigos e nos códices antigos mais importantes dos Evangelhos, nem nos Padres gregos. Omitem-na nos seus comentários Orígenes, João Crisóstomo, Teodoro de Mopsuéstia, Cirilo de Alexandria, Teófilo, Tertuliano, Cipriano, Hilário e Taciano. Os Padres latinos Ambrósio, Agostinho e Jerónimo conhecem-na noutro lugar. Alguns manuscritos situam esta perícope no Evangelho de João depois de 7,36, outros depois de 7,44, outros depois de 7,52, ou mesmo no final, depois de 21,25. Outros ainda introduzem-na no Evangelho de Lucas (depois de 21,38). Por outro lado, a perícope não tem o estilo joanino. Está, de facto, mais perto do estilo lucano.

 3. Fixemos a nossa atenção no movimento do texto. Jesus SENTA-SE como MESTRE, para ensinar, e SENTADO como MESTRE permanece na cena até ao fim. Apenas se inclina para o chão, e de novo se endireita, nunca deixando, porém, a posição de SENTADO. Portanto, permanecendo SENTADO, está sempre na cátedra a ensinar. Nele tudo é lição. São lição os seus gestos; são lição as suas palavras.
 4. Entram na cena os «impecáveis» do costume: os escribas e os fariseus. Desta vez não vêm sós. Trazem uma mulher apanhada em flagrante adultério. Eles conhecem a Lei de Moisés, que citam a propósito, para dizer que tais mulheres devem ser apedrejadas. Mas, roídos de malícia, querem saber o que, sobre este assunto preciso, tem a dizer o MESTRE Jesus. Só isto: permanecendo SENTADO como MESTRE, inclinou-se, e, COM O DEDO, escrevia no chão.

 5. Os escribas e fariseus tinham compreendido mal a Lei, citando só metade, pois a Lei diz que, em caso de adultério, morrerão os dois: o homem e a mulher (Levítico 20,10; Deuteronómio 22,22). Tão-pouco estavam a compreender a resposta do MESTRE Jesus ao parecer jurídico que lhe tinham pedido. E era clara a lição: na verdade, há apenas outra circunstância na Escritura Santa em que alguém escreve COMO O DEDO: as tábuas de pedra escritas pelo DEDO DE DEUS no Sinai (Êxodo 31,18; Deuteronómio 9,10). Claramente: o MESTRE que escrevia COM O DEDO era Deus! Conhecia a Lei, mas conhecia também os Profetas, pois ao ESCREVER NO CHÃO, está a ler Jeremias que diz que «os que se afastam de YHWH serão escritos no chão» (17,13). Jesus conhecia a Lei e os Profetas, isto é, a inteira Escritura Santa, e conhecia também os homens por dentro (João 2,24-25). Permanecendo SENTADO, endireitou-se e disse-lhes: «Aquele que estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra!». Inclinou-se novamente e continuava a escrever. Saíram todos, a começar pelos mais velhos, diz-nos o narrador, recorrendo com certeza outra vez a Jeremias 17,13, que diz ainda que «os que abandonam YHWH serão cobertos de vergonha». É esta vergonha que faz com que todos se vão embora, um após outro, a começar pelos mais velhos, os primeiros a sentir o peso da vergonha. Ontem como hoje: os mais novos chegam lá sempre depois.
 6. Ao comentar este episódio, Santo Agostinho diz luminosamente que só ficaram dois em cena: a miserável e a misericórdia! Os escribas e fariseus prenderam e acusaram a mulher, mas foram eles que se sentiram acusados, desvendados, lidos, descobertos no esconderijo do seu próprio pecado! Nem sequer viram a mulher como uma pessoa: nunca falam com ela ou para ela; falam simplesmente dela, como se de um objecto se tratasse. É o MESTRE Jesus o primeiro na cena que fala para a mulher, e não a prende, mas liberta-a, colocando-a no caminho novo da liberdade: «Vai e não tornes a pecar», diz-lhe Jesus.

Aproximou-se um homem habituado
ao uso inveterado do silêncio
o seu olhar varrendo toda a fraude
das palavras
Aproximou-se firme e impoluto
Esquadrinhou as faces oxidadas
da mentira
Olhou depois o chão como quem abre
um sepulcro
e lentamente desenhou
o puro rosto da verdade
sobre a areia

 7. O anónimo profeta do exílio, o chamado «Segundo Isaías» (Isaías 40-55), põe hoje Deus a interpelar-nos assim directamente, como Jesus no Evangelho: «Eis que vou fazer uma coisa nova! Ela já desponta: não a compreendeis?» (Isaías 43,19). A nós compete entender a obra sempre nova e surpreendente de Deus, que ultrapassa sempre a medida do nosso coração e da nossa capacidade de compreensão! Pode o deserto florir, encher-se de água, e pode o mar encher-se de caminhos. Pode sempre a semente germinar antes do tempo, e a espiga amadurar antes do campo!
 8. Paulo pode bem ser hoje o modelo a seguir (Filipenses 3,8-14): esquecendo o que fica para trás, atira-se todo para a frente, para Cristo.

 Quando Jesus irrompe na vida de alguém,
interrompe a normalidade de um percurso,
e rompe essa vida em duas partes desiguais:
uma que fica para trás,
outra que se abre agora à nossa frente,
recta como uma seta directa a uma meta,
a um alvo, um objectivo intenso e claro,
tão intenso e claro que na vida de cada um
só pode haver um!
D. António Couto, In Mesa de Palavras

16 março, 2013

«Porque eu sou bom» (II)



Aprofundemos a Palavra

            É a vez de tentar descobrir o significado de alguns desses elementos e de me perguntar pelo ensinamento do Jesus de Mateus. Para se compreender bem esse ensinamento, ajuda muito saber o ambiente que está por detrás do texto.

            - Pai de família: a figura de Deus. A Ele pertence o Reino e a iniciativa da chamada.
- Reino dos Céus: um mundo novo de salvação e vida plena, oferecido a todos sem excepção.
            - Vinha: imagem do Antigo Testamento para designar o povo eleito (Sl 78,9; Is 5,1). É o povo do Senhor, a Igreja, a comunidade cristã.
            - Horas: o dono da vinha sai ao amanhecer, a meio da manhã, ao meio-dia, a meio da tarde e ao cair da tarde.
            - Os trabalhadores da primeira hora e da última hora: os cumpridores acérrimos da lei (escribas e fariseus) e os não cumpridores (pecadores). Os cristãos provindos do judaísmo e os cristãos provindos do paganismo. Os que passaram todos os dias da sua vida na intimidade com Deus e na escuta da Sua palavra e os que andaram arredados delas.
            - O mesmo salário: Nesta vinha, não há trabalhadores mais importantes do que os outros, não há trabalhadores de primeira e de segunda classe. Mas todos têm a mesma dignidade e importância.
            - O trabalho na vinha: os diversos serviços ou ministérios a desenvolver na comunidade. Qual é o meu lugar ou a minha tarefa a realizar na vinha do Senhor?
            - O comportamento do dono da vinha: uma denúncia da religião dos “méritos”, ensinada pelos guias espirituais de então. Estes tinham levado o povo a substituir o Deus bom, pai, esposo e amigo fiel, anunciado pelos profetas, por um deus distante, legislador, juiz, negociante e contabilista.

            Ambiente

            Neste texto proposto pelo evangelista, Jesus continua a instruir os discípulos, a fim de que compreendam a realidade do Reino e, após a sua partida, dêem testemunho dele.
O cenário que a parábola nos mostra reflecte bastante bem a realidade social e económica dos tempos de Jesus. A Galileia estava cheia de camponeses que, por causa da pressão fiscal ou de anos contínuos de más colheitas, tinham perdido as terras que pertenciam à sua família. Para sobreviver, esses camponeses sem terra alugavam a sua força de trabalho. Juntavam-se na praça da cidade e esperavam que os grandes latifundiários os contratassem para trabalhar nos seus campos ou nas suas vinhas. Normalmente, cada senhor tinha os seus “trabalhadores” em quem ele confiava e a quem contratava regularmente. Naturalmente, todos eles recebiam um tratamento de favor. Esse tratamento de favor implicava, concretamente, que esses “trabalhadores” fossem sempre os primeiros a ser contratados, a fim de que pudessem ganhar um dia de serviço. 

Ensinamento

A parábola refere-se a um dono de uma vinha que, ao romper da manhã, se dirigiu à praça e chamou os seus “clientes” para trabalhar na sua vinha, ajustando com eles o preço habitual: um denário. As muitas tarefas a realizar na vinha fez com que ele voltasse a sair outras vezes e trouxesse um novo grupo de trabalhadores. O trabalho decorreu sem problemas, até ao final do dia. Ao anoitecer, os trabalhadores foram chamados diante do senhor, a fim de receberem a paga do trabalho. Todos receberam o mesmo: um denário. Porém, os trabalhadores da primeira hora, ou seja, os “clientes” habituais do dono da vinha, manifestaram a sua surpresa e o seu desconcerto por, desta vez, não terem recebido um tratamento “de favor”.
A resposta final do dono da vinha afirma que ninguém tem nada a reclamar se ele decide derramar a sua justiça e a sua misericórdia sobre todos, sem excepção. Ele cumpre as suas obrigações para com aqueles que trabalham com ele desde o início; não poderá ser bondoso e misericordioso para com aqueles que só chegam no fim?
Quase de certeza que a parábola, primeiramente, serviu a Jesus para responder às críticas de quem se opunha ao seu comportamento demasiado próximo aos pecadores. Através dela, Jesus revela que o amor do Pai se difunde sobre todos os seus filhos, sem excepção e por igual. Para Deus, não é fulcral a hora a que se respondeu ao seu apelo; o que é fulcral é que se tenha respondido ao seu convite para trabalhar na vinha do Reino. Para Deus, não há tratamento especial por razões de antiguidade; para Deus, todos os seus filhos são iguais e merecem o seu amor.
A parábola serviu também a Jesus para pôr por terra a ideia que os guias espirituais de Israel tinham de Deus e da salvação. Para os fariseus, sobretudo, Deus era um patrão que pagava conforme as acções do homem. Se o homem cumprisse escrupulosamente a Lei, conquistaria determinados méritos e Deus pagar-lhe-ia convenientemente. O seu “deus” era uma espécie de comerciante, que todos os dias apontava no seu caderno de contas as dívidas e os créditos do homem, que um dia faria as contas finais, veria o saldo e daria a recompensa ou aplicaria o castigo. Segundo este ponto de vista, Deus não dá nada; é o homem que conquista tudo.
Para Jesus, no entanto, Deus não é um comerciante, sempre de lápis em punho a fazer contas para pagar aos homens consoante os seus merecimentos. Ele é um pai, cheio de bondade, que ama todos os seus filhos por igual e que derrama sobre todos, sem excepção, o seu amor.
A parábola foi mais tarde proposta pelo evangelista à sua comunidade para iluminar a situação concreta que a mesma estava a viver com a entrada maciça de pagãos na Igreja. Alguns cristãos de origem judaica não conseguiam entender que os pagãos, vindo mais tarde, estivessem em pé de igualdade com aqueles que tinham acolhido a proposta do Reino desde a primeira hora. Mateus deixa, no entanto, claro que o Reino é um dom oferecido por Deus a todos os seus filhos. Judeus ou gregos, escravos ou livres, cristãos da primeira ou da última hora, todos são filhos amados do Pai. Na comunidade de Jesus não há graus de antiguidade, de raça, de classe social, de merecimento. O dom de Deus é para todos, por igual.       

Acolhamos o ensinamento

            O que se pretende aqui é entrar em diálogo com a palavra de Deus, através de algumas questões: Que me diz Jesus? Põe-me alerta contra quê? Que atitude me sugere no dia-a-dia?

O Deus que Jesus me revela é um Deus que não faz negócio comigo. Ele não precisa da minha mercadoria. Não me contabiliza os créditos, nem me paga em consequência. O Deus que Jesus me anuncia é um Pai que me quer ver livre e feliz, derramando sobre mim o Seu amor de forma gratuita e incondicional.
Jesus pede-me que, ao entender esta verdade sobre Deus, isto é, que Ele não é um negociante mas um pai cheio de amor por mim, renuncie a uma lógica interesseira no meu relacionamento com Ele. Como seu filho, não devo fazer as coisas por interesse mas por estar convicto de que o comportamento que Ele me propõe é o caminho para a verdadeira vida. Quem segue o caminho certo, é feliz, encontra a paz e a serenidade e colhe, logo aí, a sua recompensa.     
O seu Reino é para mim e para todos, sem excepção. Para Ele não há marginalizados, excluídos, indignos, desclassificados… Para Ele, há homens e mulheres – todos seus filhos, independentemente da cor da pele, da nacionalidade, da classe social – a quem Ele ama, a quem Ele quer oferecer a salvação e a quem Ele convida para trabalhar na sua vinha.

Oremos com o ensinamento

            A oração é a nossa resposta a Deus; ela emerge da escuta, do aprofundamento e do acolhimento do texto sagrado, e dirige-se ao Senhor sob diversas formas.

            Senhor, ensina-me a estar diante de ti com um coração livre daqueles preconceitos que ofuscam em mim a tua imagem. Dá-me um coração simples que saiba perceber, na palavra das Sagradas Escrituras, meditadas quotidianamente, o teu rosto de Deus que salva, se torna próximo de cada homem para libertá-lo do pecado. Um coração capaz de usufruir de tudo o que me ofereces, disposto a uma escuta obediente.

Apliquemo-lo à vida

            Tudo teria sido em vão se o ensinamento não viesse a dar fruto na minha existência. Quais as medidas concretas a assumir a partir deste ensinamento que escutei, aprofundei, acolhi e orei?

                Estarei mais atento ao meu trabalho na Sua vinha e ao espírito com que o faço. Farei tudo por dar a conhecer o Seu rosto de bondade e generosidade aos meus irmãos. Alegrar-me-ei com a chegada de novos trabalhadores e não requererei qualquer tipo de privilégios ou qualquer superioridade sobre esses irmãos.
Pe. Vasco

15 março, 2013

Homilia do Papa Francisco na Eucaristia de encerramento do Conclave



Vejo que estas três Leituras têm algo em comum: é o movimento. Na primeira Leitura, o movimento no caminho; na segunda Leitura, o movimento na edificação da Igreja; na terceira, no Evangelho, omovimento na confissãoCAMINHAR, EDIFICAR, CONFESSAR.
CAMINHAR. «Vinde, Casa de Jacob! Caminhemos à luz do Senhor» (Is 2, 5). Trata-se da primeira coisa que Deus disse a Abraão: caminha na minha presença e sê irrepreensível. Caminhar: a nossa vida é um caminho e, quando nos detemos, está errado. Caminhar sempre, na presença do Senhor, à luz do Senhor, procurando viver com aquela irrepreensibilidade que Deus pedia a Abraão, na sua promessa.
EDIFICAR. Edificar a Igreja. Fala-se de pedras: as pedras têm consistência; mas pedras vivas, pedras ungidas pelo Espírito Santo. Edificar a Igreja, a Esposa de Cristo, sobre aquela pedra angular que é o próprio Senhor. Aqui temos outro movimento da nossa vida: edificar.
Terceiro, CONFESSAR. Podemos caminhar o que quisermos, podemos edificar um monte de coisas, mas se não confessarmos Jesus Cristo, está errado. Tornar-nos-emos uma ONG piedosa, mas não a Igreja, Esposa do Senhor. Quando não se caminha, ficamos parados. Quando não se edifica sobre as pedras, que acontece? Acontece o mesmo que às crianças na praia quando fazem castelos de areia: tudo se desmorona, não tem consistência. Quando não se confessa Jesus Cristo, faz-me pensar nesta frase de Léon Bloy: «Quem não reza ao Senhor, reza ao diabo». Quando não confessa Jesus Cristo, confessa o mundanismo do diabo, o mundanismo do demónio.Caminhar, edificar-construir, confessar. Mas a realidade não é tão fácil, porque às vezes, quando se caminha, constrói ou confessa, sentem-se abalos, há movimentos que não são os movimentos próprios do caminho, mas movimentos que nos puxam para trás.
Este Evangelho continua com uma situação especial. O próprio Pedro que confessou Jesus Cristo com estas palavras: Tu és Cristo, o Filho de Deus vivo, diz-lhe: Eu sigo-Te, mas de Cruz não se fala. Isso não vem a propósito. Sigo-Te com outras possibilidades, sem a Cruz. Quando caminhamos sem a Cruz, edificamos sem a Cruz ou confessamos um Cristo sem Cruz, não somos discípulos do Senhor: somos mundanos, somos bispos, padres, cardeais, papas, mas não discípulos do Senhor. Eu queria que, depois destes dias de graça, todos nós tivéssemos a CORAGEM, sim a coragem, DE CAMINHAR NA PRESENÇA DO SENHOR, COM A CRUZ DO SENHOR; DE EDIFICAR A IGREJA SOBRE O SANGUE SDO SENHOR, QUE É DERRAMADO NA CRUZ; E DE CONFESSAR COMO NOSSA ÚNICA GLÓRIA CRISTO CRUCIFICADO. E assim a Igreja vai para diante.
Faço votos de que, pela intercessão de Maria, nossa Mãe, o Espírito Santo conceda a todos nós esta graça: caminhar, edificar, confessar Jesus Cristo Crucificado. Assim seja.


Homilia do Papa Francisco na Missa de conclusão do Conclave – 14.03.13

14 março, 2013

Teresinha



Minha Esposazinha
Querida Oh! Como estou contente contigo... durante todo ano me divertiste muito à jogar malha. Gostei tanto que a corte dos anjos estava surpreendida e cantada, mais de um querubinzinho perguntou por que é que eu não o tinha feito criança... Outros me perguntaram ainda se a melodia da sua harpa não era mais agradável do que o teu riso alegre quando fazes cair um pino com a bola do teu amor? Respondi aos meus querubinzinho que não deviam ficar tristes por não serem crianças visto que um dia poderiam jogar contigo nas Campinas do céu, disse-lhes que certamente o teu sorriso me era mais doce do que as melodias deles, porque tu não podias jogar nem sorrir senão sofrendo, esquecendo-te de si mesma. 

Esposazinha bem-amada, tenho uma coisa a pedir-te, vais recusar-me?... Oh não! Amas-me demasiadamente para isso. Pois bem! Vou-te confessar que queria mudar de jogo; a malha diverte-me muito, mas agora queria jogar o pião e, se quiseres, serás tu o meu pião. Dou-te um para modelo, já vês que não é bonito, quem não souber servir-se dele reacusá-lo-á a ponta pé, mas uma criança saltará de alegria ao vê-lo, e dirá: «Ai! Que lindo, é capaz de andar o dia inteiro sem parar». Eu, o Jesus Menino, amo-te, embora não tenhas atractivos, peço-te que não deixes nunca de andar pra me divertires... mas para andar a roda os piões são precisos chicotados... pois bem!deixa que as tuas irmãs te prestem este serviço e se agradecida para com aquelas que forem mais assíduas em não te deixarem atrasar o teu andamento. Quando eu me tiver divertido bastante contigo, levar-te-ei para o céu e então poderemos jogar sem sofrer...

Recolha de Fr. Vitor