08 abril, 2013

O Fazedor de Milagres



Em tempo de Natal, surgem em todos os écrans televisivos aproximações à narração da história de Jesus.
Argumento/Sinopse 

O filme decorre durante o século primeiro acompanhando a história de uma menina que padece de uma doença que ninguém pode curar. Na tentativa de descobrir uma forma de sarar a filha, a família encontra um carpinteiro chamado Jesus que anuncia as maravilhas de Deus. O encontro com Jesus vai fazer nascer uma esperança e uma atitude nova. Todos juntos acompanham Jesus enquanto Ele forma os seus discípulos, enfrenta as autoridades corruptas e cura os doentes e antes de enfrentar a parte mais terrível da sua missão: dar a vida para salvação de todos. A perspectiva escolhida para narrar a trama, a partir da óptica de Tamar, a filha de Jairo que Jesus ressuscita, torna-a ainda mais emotiva. Tamar é uma personagem simpática, terna e sensível, transportando-nos para um mundo de sensibilidade e ternura tocantes ao longo do filme. Em paralelo, surge a história de Jesus, com medida certa e abordagem interessante e feliz. 

Crítica 

“O Fazedor de Milagres” é um relato em animação da história de Jesus aclamado pela crítica. Ao nível de “Toy story” e outros filmes de animação de alta qualidade, o realismo das suas imagens conduz a uma aproximação da realidade confundindo os espectadores. Nele, a história de Jesus é contada fluentemente, com recurso ao desenho animado para os momentos de flashback. Os autores tomam simplesmente a história dos evangelhos, com algumas modificações menores (fundamentalmente nas figuras negativas de Herodes e Pilatos, um pouco à imagem de “Rei dos Reis” de Nicholas Ray), e converte toda a essência da história de Jesus num filme feito de imagens em plasticina. De fora, ficam alguns momentos importantes de modo a respeitar todos os públicos evangélicos (não católicos): a anunciação a Maria, a visita a Isabel ou a fuga para o Egipto; como ausente está a Transfiguração, a confissão de Pedro e as chaves do Reino. Mesmo assim, consegue o quase impossível respeito pelo original evangélico ao mesmo tempo sem cair no aborrecimento, numa visão de Jesus segundo os evangelhos, religiosamente neutra. 

Aplicações 

O mundo da animação é sempre uma proposta simpática de abordagem para a história de Jesus. Este “fazedor de milagres” extraordinário que transforma as vidas dos que com Ele se cruzam. Realizado entre a Inglaterra e a Rússia, podemos neste Natal usá-la como ponto de referência para a apresentação da vida de Jesus. Mas pode ser usado em tantas outras situações: em referência ao chamamento dos discípulos, à paixão e ressurreição de Jesus, a algumas parábolas, enfim, a tantos aspectos da vida de Jesus. 

Actividade 

“Rasguem caminhos através do deserto. Abri os corações ao Senhor que está para chegar” – diz-nos João. Esta é a nossa tarefa de Advento: preparar a vinda do Senhor que está para chegar ao nosso coração. 

Sequências 

- 0:00:00 – 0:08:50 – No início do filme apresenta-se Jesus como carpinteiro iniciando uma missão. Em flashback, surge a perda de Jesus no Templo e o nascimento de Jesus, com os presentes e a epifania aos Reis Magos. E a voz de João no deserto: preparai os vossos corações para o Senhor que está para chegar. 

1. Dialogar a partir das imagens vistas. Jesus está de novo a chegar, como em cada Natal. Que sentido tem prepararmos a vinda de Jesus? Como poderemos, também nós, abrir o nosso coração? 

2. Mais: que significa hoje abrir o nosso coração a Jesus para que seja morada de Deus? Diante das mil cores do Natal, das mil propostas do comércio e do consumismo, como poderemos proteger o nosso coração daquilo que não interessa deste Natal? 

3. Diálogo final. Há muita gente que não sabe o que é o Natal de Jesus, mesmo que a sua rua esteja enfeitada, mesmo que recebendo presentes de Natal, mesmo que atordoados pela publicidade deste tempo. Há uma canção do CD “Natal de Esperança” das Edições Salesianas, que diz “Não sabem que é Natal”: há noutra terra, homens em guerra, gente gritando, gente chorando, gostava tanto que eles soubessem que é Natal”. Que podemos fazer para tornar verdade o Natal hoje? 

“Presente para Jesus: o nosso coração cheio de ti” 

Qual seria o melhor presente que poderíamos oferecer a Jesus neste Natal? Certamente, que um gesto de solidariedade, de partilha, de encontro com o mais pobre. Dependendo da idade dos nossos destinatários, podemos criar algo de novo para este tempo de Natal e Epifania, de manifestação da presença de Deus no nosso mundo. Propomos agora um presente simples de realizar para idades mais pequeninas, enriquecidas pelo amor que enche os nossos corações. No centro do nosso coração está o presépio: o nascimento de Jesus – na simplicidade dos que nada têm, na vida dos que sofrem, na vida de tantos que, como nós, querem que haja Natal de novo. 
Propomos fazer, sobretudo para os mais pequenos, um cartão que seja um “presente para Jesus” que se pode colocar junto do Presépio. Num cartão simples, que pode ter as figuras principais do presépio (José, Maria e o Menino), cada catequizando poderá apresentar o seu presente para Jesus, sabendo que no mundo (e no nosso mundo), há muitos que “não sabem que é Natal”. Que o compromisso de cada um seja autêntico e possível de realizar. 

04 abril, 2013

Pastorzinho de São João da Cruz


Neste poema, João da Cruz transmite uma interpretação da encarnação, vida, morte e ressurreição de Cristo por cada alma, pela Igreja, em clave de amor.




Canções transpostas «ao divino» sobre Cristo e a alma 


Um pastorzinho, só e amargurado,
Alheio de prazer e de contento
Tem na sua pastora o pensamento
E o peito por amor tão magoado.


Não chora por amor o haver chagado,
Pois lhe não dói assim ver-se afligido,
Embora o coração tenha ferido;
Mas chora de pensar ser olvidado.


Que só de se pensar já olvidado
Pela bela pastora, em dor tamanha
Se deixa maltratar em terra estranha,
Seu peito por amor tão magoado.


E diz o pastorzinho: Ai, malfadado
É quem do meu amor buscou a ausência
E quem não quer gozar minha presença,
Por seu amor meu peito magoado!


E, ao fim de grande tempo, ele há trepado
Uma árvore: abriu os braços belos
E morto lá ficou, suspenso deles,
Seu peito por amor tão magoado!

03 abril, 2013

A missão específica de mulher




A vocação de todo o ser humano é chegar a ser o que Deus quer que cada um seja: pessoa plena, isto é, verdadeiramente realizada, agindo e cuidando da criação para que em tudo e através de tudo se possa ver e experimentar a bondade, a beleza e o amor de Criador. 
  
Homem e Mulher são iguais em direitos, dignidades e obrigações. Um não é superior ao outro. São duas expressões do mesmo ser humano com origem em Deus e que para Ele tendem.

«ser feminino é um modo singular de ser pessoa» que é resultado não só da sua constituição física e biológica mas também da sua constituição anímica e interior.
A vocação geral do ser humano é ser imagem de Deus. Para chegar a realização dessa vocação, cada um, através da sua vocação pessoal, que reside na sua individualidade, expressa-se de modo distinto conforme a sua masculinidade ou feminilidade. É neste sentido que se entende a vocação e a missão específica da mulher.   
   
«Junto com a vocação geral que a mulher possui em comum com todos os homens e a individual própria de cada pessoa, temos a vocação de mulher enquanto tal. Deus criou o homem como varão e mulher dando a cada um modo e determinação próprios: “Não é bom que o homem esteja só”, assim disse depois da criação do primeiro homem dando-lhe a mulher como companheira. Esta primeira determinação acomoda-se ao seu modo de ser: caminhar ao lado do homem, tomar parte com amor na sua vida, com fidelidade e disposta a servir é o característico da feminilidade. Isto implica ter capacidade de empatia para com o outro e as suas necessidade, capacidade e docilidade de adaptação».

 MACHADO, António José Gomes - Edith Stein: Pedagoga e Mística
Braga: Editorial A. O., 2008, p. 70.  Santos para hoje.

Recolha de Fr. Eugénio.


01 abril, 2013

A cor das lentes com que se… vê



Que alegria sentiu aquele viajante quando viu ao longe o oásis!
Já tinha percorrido centenas de quilómetros sobre as areias de uma imponente planície desértica. 
À sombra de algumas palmeiras, os habitantes pareciam um paraíso de felicidade: as crianças brincavam, as mulheres cumprimentavam sorridentes e os homens passavam as horas em agradável convívio.

Se antes o nosso viajante imaginava como único paraíso a sombra e a água, agora acabava de descobrir que a felicidade também está, e cresce com o acolhimento, a comunicação e as relações amigáveis.

Aquele ambiente pareceu-lhe tão extraordinário que quis conhecer a sua razão de ser. Ao ver um velho que brincava com uma criança perguntou-lhe: «Oiça, procuro um lugar agradável para viver. Como são as pessoas desta terra?». O venerável ancião não lhe respondeu, mas perguntou por sua vez: «e como são as da sua terra?».

O viajante, respondeu um pouco aborrecido: «As pessoas da minha terra são egoístas, desconfiadas e pouco credíveis». «Pois, aqui as pessoas - disse o ancião – são muito parecidas com essas».
        
O viajante, decepcionado, disse para consigo: «Nem tudo o que reluz é ouro. Mais vale ir procurar outro oásis».

Mas eis que algumas horas mais tarde, casualmente, chegou outro viajante que, ao ver o mesmo espectáculo, fez a mesma pergunta. E o ancião, por sua vez fez também a sua pergunta: «como são as da sua terra?».

O novo viajante lembrou, radiante de alegria, as pessoas da sua aldeia como pessoas cheias de bondade, de boa vizinhança, de alegria e de solidariedade…recordava-as com grande carinho.

O ancião respondeu com o mesmo tom: «Pois, aqui as pessoas também são assim, são muito parecidas».

O viajante foi-se embora contente por ter encontrado tanta gente boa e feliz. Quando ficaram a sós, a criança perguntou admirada ao ancião porque é que respondeu do mesmo modo a pessoas tão diferentes.

O ancião, com ar afável e misterioso, respondeu-lhe: «Não fugi à verdade. O bem e o mal não estão fora, mas dentro de cada um. Costumamos ver com os olhos do coração. Quem desconfia das pessoas no lugar onde vive, também desconfiará no lugar para onde for». 

In Parábolas de Hoje