18 junho, 2013
17 junho, 2013
Assim está o mundo
Um homem juntou-se a
Jesus, dizendo: «Quero ser teu
companheiro». Jesus aceitou, e ambos seguiram viagem. Quando chegaram à
margem de um rio, sentaram-se para comer. Levavam três pães. Comeram dois e
sobrou um. Depois, Jesus foi ao rio beber água. No regresso, não tendo
encontrado o terceiro pão, perguntou ao
homem: «quem tirou o pão?». Ele
respondeu:«não sei».
Continuaram a viagem,
e, no caminho, Jesus realizou dois milagres. Das duas vezes voltou-se para o
companheiro, dizendo: «Em nome d´Aquele
que te mostrou este milagre, pergunto-te: quem tirou o pão?». E o homem
voltou a responder: «não sei».
Chegaram depois ao
deserto e sentaram-se no chão. Jesus dividiu o ouro em três partes e disse: «um terço para ti, um terço para mim e um
terço para quem tirou o pão». Aí, o companheiro atirou: «fui eu que tirei o pão!». Jesus disse: «o ouro é todo teu».
Jesus continuou sozinho
o seu caminho. Entretanto, chegaram dois salteadores que queriam roubar o ouro
ao antigo companheiro. Este, porém, disse: «vamos
dividi-lo em três partes e um de vós vai à cidade comprar comida». Um deles
foi então à cidade e pensou de si para consigo: «porque hei-de dividir o ouro com estes dois? Vou antes envenenar a
comida e ficar com o ouro todo para mim». E comprou comida, que envenenou.
Por sua vez, os que
tinham ficado à espera disseram: «porque
havemos de dar-lhe um terço do ouro? Em vez disso, vamos é matá-lo, quando
regressar, e dividimos o ouro entre os dois».
Quando o terceiro
voltou, mataram-no. Depois, comeram a comida envenenada e também morreram os
dois. E o ouro ficou no deserto com os três homens mortos ao lado. Aconteceu
que Jesus passou por ali e, ao ver aquela miséria, disse aos discípulos: «Assim é o mundo. Tende cuidado».
KHALIDI,
Tarif – Jesus Muçulmano: máximas e
histórias de Jesus na literatura islâmica.
16 junho, 2013
TRÊS HISTÓRIAS PARA TI E PARA MIM
1. À boca da cena do Evangelho deste Domingo XI do Tempo Comum (Lucas 7,36-8,3) perfilam-se três personagens: o fariseu Simão, Jesus, e uma mulher pecadora. Ao fundo da cena estão ainda os convidados, que só intervêm no final do relato. Todos, menos a mulher, estão recostados à mesa, em casa do fariseu Simão, pois foram por ele convidados.
2. As primeiras atenções dirigem-se para a mulher, introduzida pelo narrador com aquele: «E EIS uma mulher…», que passa claramente por uma fórmula de atenção. Também não deve o leitor estranhar muito esta súbita, e parece que não desejada, entrada desta mulher em casa alheia. No mundo oriental, as portas das casas permaneciam abertas, e qualquer pessoa podia espreitar pela porta para ver o que lá dentro se passava, sobretudo quando eram perceptíveis movimentações fora do habitual. Estranho, neste caso, foi que a mulher se tenha aventurado a entrar na sala, e não apenas a espreitar à porta!
3. Uma vez lá dentro, é a pessoa de Jesus o centro único do seu interesse (vê-se que foi unicamente por causa d’Ele que entrou), vão para Ele todas as suas atenções, em relação a Ele cumpre SEIS ACÇÕES simbólicas e grandemente significativas, sempre sem dizer uma palavra:
4. Enquanto isto acontecia em silêncio, aberto, portanto, à interpretação de todos, também à nossa, diz-nos o narrador que o fariseu murmurava acerca de Jesus, que seguramente não seria um profeta, pois se o fosse, segundo o pensar do fariseu, saberia certamente que era uma pecadora que o tocava, e teria impedido tal procedimento.
5. Assim pensava o fariseu, quando Jesus mostra que é, de facto, profeta, interceptando-lhe e corrigindo-lhe os pensamentos enviesados e retorcidos, apontando-lhe o essencial, que é a GRAÇA, e pondo-o a falar bem e abertamente. «Simão, tenho uma coisa para te dizer». «Fala, Mestre», respondeu ele. «Um credor tinha dois devedores: um devia-lhe quinhentos denários e o outro cinquenta. Como não tinham com que pagar, fez graça (charízomai) a ambos. Qual dos dois o amará (agapáô) mais?». Simão respondeu: «Suponho que aquele a quem fez mais graça (charízomai)». Jesus disse: «Julgaste bem» (Lucas 7,40-43).
6. Neste momento, há já na sala um excesso de luz. Salta à vista que asSEIS ACÇÕES da mulher apontam para a SÉTIMA, que enche agora a cena toda e prende todos os pensamentos: é a ACÇÃO DE DEUS, a ACÇÃO DA GRAÇA concedida por Deus e actuante nos dois devedores que não tinham com que pagar (Lucas 7,41-42). Este relevo da ACÇÃO DA GRAÇA está bem marcado, de resto, pelas únicas ocorrências em Lucas do verbocharízomai [= fazer graça] (Lucas 7,21b.42-43).
7. Vendo que os seus pensamentos tinham sido interceptados por Jesus, o fariseu responde cautelosamente à pergunta formulada por Jesus: «SUPONHO que…». Ao contrário da mulher, que arrisca tudo, expondo-se a todos os olhares, pensamentos e dizeres. O fariseu é mesmo apresentado como o homem do NÃO, ao contrário da mulher: «TU NÃOme deste água para os pés; ELA, AO CONTRÁRIO, banhou-me os pés com as suas lágrimas e enxugou-os com os seus cabelos; TU NÃO me deste um beijo; ELA, AO CONTRÁRIO, desde que entrei, não cessou de me beijar os pés; TU NÃO me ungiste a cabeça com óleo perfumado; ELA, AO CONTRÁRIO, ungiu-me os pés com perfume» (Lucas 7,44-46).
8. Em suma, esta mulher pecadora arriscou tudo por amor. Foi perdoada e ganhou a GRAÇA de uma vida nova (Lucas 7,48-50).
9. E esta mulher pecadora e silenciosa é, para todas as gerações, um imenso discurso sobre a GRAÇA e a ACÇÃO DA GRAÇA de Deus, que nos precede e acompanha sempre. GRAÇA preveniente, concomitante, consequente.
10. Cruzam-se as histórias bíblicas dos dois Testamentos, e as personagens surgem, como por encanto, lado a lado: é a mulher pecadora e agraciada, e é David pecador perdoado. Natan [= «Deus deu»], o profeta, vindo não se sabe de onde nem de ninguém (não são conhecidos pai ou mãe), apenas de Deus, entra no palácio do rei (2 Samuel 7), cruza porta após porta até chegar junto de David, e diz-lhe quanto Deus manda dizer: «Fui Eu que te tirei das pastagens e fiz de ti chefe do meu povo. Estive sempre contigo por onde andaste. Dar-te-ei um nome grande. Acomodarei o meu povo neste lugar bom. Farei uma Casa para ti e para a tua descendência depois de ti. Serei para eles um pai. Eles serão para mim como meus filhos. Estabelecerei o teu trono para sempre».
11. Vê-se bem que, pela boca de Natan, Deus estende a David um tapete de luz, um fio de sentido, a perder de vista, que já sabemos que vai até Cristo.
12. Mas há um maciço de palavras entalhadas no mais puro gume do papiro, que não podemos mesmo deixar no esquecimento. Refiro-me aos Capítulos 11 e 12 do Segundo Livro de Samuel, de que hoje temos a graça de ler um estrato (2 Samuel 12,7-13).
13. Eis, cena após cena, o que aí fica registrado: Passou o inverno, chegou a primavera. É o tempo da guerra e do amor. David mandou para a guerra o seu exército comandado pelo general Joab. O combate é contra os Amonitas, mais precisamente contra a sua capital Rabbah, actual Aman. Mas David, o rei, ficou em Jerusalém neste tempo da guerra e do amor. Evitou a guerra. Fica com a parte do amor. Levanta-se num belo entardecer, e vem passear para o terraço do seu palácio. É daí que avista uma bela mulher, banhando-se. E a paixão toma conta de David. Incumbe a sua guarda pessoal de recolher informações acerca dela. Dizem-lhe que se chama Betsabé, e que é casada com Urias, um dos militares que partiu para a guerra com Joab. David mandou os seus agentes buscar Betsabé. Dormiu com ela. Depois, ela voltou para casa. Mas alguns dias depois, mandou dizer a David: «Estou grávida».
14. Sabendo isto, David mandou uma mensagem ao general Joab, para que lhe enviasse Urias. Chegado ao palácio de David, este pediu-lhe notícias de Joab, do exército e do andamento da guerra. Depois disse-lhe: «Desce à tua casa». Mas Urias não entrou em sua casa, e dormiu à porta do palácio com os outros servos do rei. Disseram a David que Urias não foi a sua casa. David mandou-o chamar e perguntou-lhe: «Não regressaste de uma viagem? Por que não foste a tua casa?» Urias respondeu: «A arca de Deus habita numa tenda, assim como Israel e Judá. Joab, meu chefe, e os seus servos dormem ao relento, e eu teria coragem de entrar na minha casa para comer e beber e dormir com a minha mulher? Pela tua vida, não farei tal coisa». David disse-lhe: «Fica aqui também hoje, e amanhã enviarte-ei». E Urias ficou em Jerusalém naquele dia. No dia seguinte, David convidou Urias para comer e beber com ele, e embriagou-o. Mas, à noite, Urias não desceu a sua casa, mas dormiu com os servos do rei.
15. No dia seguinte, de manhã, David escreveu uma carta a Joab, e enviou-lha por Urias. Dizia nela: «Coloca Urias na frente, onde o combate for mais aceso, e não o socorras, para que seja ferido e morra». Joab, que sitiava a cidade, pôs Urias no lugar onde sabia que estavam os mais valentes guerreiros do inimigo. Os guerreiros Amonitas fizeram um ataque de surpresa, e morreram alguns militares das tropas de Joab, entre os quais, Urias.
16. Joab mandou imediatamente informações pormenorizadas a David acerca das peripécias do combate, e ordenou ao mensageiro: «Quando tiveres contado ao rei todos os pormenores do combate, se ele ficar indignado e te perguntar: «Por que vos aproximastes da cidade para combater? Não sabíeis que iam disparar do alto da muralha? Quem matou Abimélec, filho de Jerubaal? Não foi uma mulher que lhe atirou uma pedra de moinho de cima do muro, matando-o em Tebes? (cf. Juízes 9,51-54). Porque vos aproximastes dos muros?», então dirás ao rei: «Morreu também o teu servo Urias».
17. Partiu, pois, o mensageiro e contou a David tudo o que Joab lhe tinha mandado. Disse-lhe: «Esses homens são mais fortes do que nós. Saíram contra nós em campo aberto, mas nós perseguimo-los até às portas da cidade. Então, do alto da muralha, os arqueiros dispararam sobre os teus servos e morreram alguns, entre eles o teu servo Urias». Então o rei respondeu ao mensageiro: «Diz a Joab que não se aflija por causa deste fracasso, e que intensifique o ataque à cidade até a destruir».
18. Ao saber da morte do seu marido, a mulher de Urias chorou-o. Terminados os dias de luto, David mandou buscá-la e acolheu-a em sua casa. Tomou-a por esposa e ela deu-lhe um filho. Mas o procedimento de David desagradou ao Senhor.
19. O Senhor enviou então Natan ter com David. Logo que entrou no palácio, Natan disse-lhe: «Dois homens viviam na mesma cidade. Um era rico, o outro pobre. O rico tinha ovelhas e bois em grande quantidade. O pobre tinha apenas uma ovelha pequenina, que comprara. Criou-a, e ela cresceu junto dele e dos seus filhos, comia do seu pão, bebia do seu copo e dormia no seu regaço. Era para ele como uma filha. Certo dia, chegou um hóspede a casa do homem rico. Mas este não quis tocar nas suas ovelhas e nos seus bois para preparar um banquete para o seu hóspede. Antes, foi apoderar-se da ovelhinha do pobre, matou-a e preparou-a para o seu hóspede».
20. David espumava, e indignado contra tal homem, disse a Natan: «Pelo Deus vivo! O homem que fez isso merece a morte. Pagará quatro vezes o valor da ovelha por ter feito essa maldade e não ter tido compaixão».
21. Natan disse a David: «Esse homem és tu!». «Assim diz o Senhor: “Tomarei as tuas mulheres diante dos teus olhos e hei-de dá-las a outro, que dormirá com elas à luz do sol! Pois tu pecaste ocultamente, mas eu farei o que digo diante de todo o Israel e à luz do dia!”».
22. Mas é sempre do amor e do perdão a última palavra. O Filho de Deus amou-me e deu a sua vida por mim (Gálatas 2,20), e assim me justificou, isto é, transformou-me de pecador em justo. E não podemos inutilizar a graça de Deus (Gálatas 2,21). Sim, não é a Lei ou o cumprimento de qualquer humana tradição ou conhecimento adquirido que me salva. É Cristo. Aí está toda a história de Paulo hoje também para nós evocada na Carta aos Gálatas 2,16-21.
António Couto
15 junho, 2013
Bilhete de identidade de Paulo (I)
«Sou judeu, nascido em Tarso
da Cilícia, mas fui educado nesta cidade, instruído aos pés de
Gamaliel, em todo o rigor da Lei dos nossos pais e cheio de zelo pelas
coisas de Deus, como todos vós sois agora» (Act 22,3).
Lugar, ambiente em que nasceu e se criou
Paulo nasceu em Tarso, na região
da Cilícia, na Ásia menor, actual Turquia. Era uma cidade bonita e grande. De
acordo com os cálculos de alguns estudiosos, teria então cerca de 300.000
habitantes. Para o Sul, a cidade abria-se para o Mediterrâneo; para o Norte,
espraiava-se junto a uma serra com 3000 metros de altitude. Tarso era um
importante centro de cultura e de comércio. Possuía um porto muito movimentado.
Passava por lá a estrada que fazia a ligação entre o Oriente e o Ocidente. Como
é que Paulo, sendo judeu, foi nascer numa cidade grega da Ásia Menor? Desde o
século VI a.C., muitos judeus emigraram para fora da Palestina. Em quase todas
as cidades do Império Romano, havia bairros judeus, cada um com a sua Sinagoga
e organização comunitária. Formavam assim a chamada diáspora (dispersão). Havia
uma comunicação muito intensa entre Jerusalém e a diáspora: romarias, visitas,
promessas, estudo… Jerusalém era o centro espiritual de todos os judeus. Assim
se entende por que é que Paulo, nascido em Tarso, foi criado em Jerusalém. Nascido
no seio de uma família judaica, Paulo foi criado dentro das exigências da Lei
de Deus e das «tradições paternas». Os judeus da diáspora eram judeus
praticantes. A sua maior preocupação era a observância da Lei de Deus. Por
isso, lutavam contra aquelas leis e costumes do Império Romano que dificultavam
ou impediam a observância da Lei de Deus. Por exemplo: prestar culto ao
Imperador, trabalhar ao sábado, prestar serviço militar. Deste modo, conservavam
viva a obrigação de serem «a nação consagrada, propriedade particular» de Deus
e mantinham-se «separados», diferentes dos outros povos. Por causa disso, eram
hostilizados e perseguidos. Mas carregavam a cruz da diferença como expressão
da vontade de Deus. Paulo nasceu e cresceu nesse ambiente protegido e rígido do
bairro judeu. De lá, olhava para o ambiente aberto e hostil da grande cidade
grega. Estes dois ambientes marcaram a sua vida. Ele tinha dois nomes, um para
cada ambiente: Saulo, o nome judaico, e Paulo, o nome grego. Ele mesmo prefere
e assina «Paulo». Deus chama-o «Saulo».
Formação
Como todas as crianças judias da época, Paulo recebeu
a sua formação básica na casa dos pais, na Sinagoga do bairro e na escola
ligada à Sinagoga. A formação básica compreendia: aprender a ler e a escrever;
estudar a Lei de Deus e a história do povo; assimilar as tradições religiosas;
aprender as orações, sobretudo os Salmos. O método era: pergunta e resposta;
repetir e decorar; disciplina e convivência. Além da formação básica em Tarso,
Paulo recebeu uma formação superior em Jerusalém. Estudou aos pés de Gamaliel.
Esse estudo abrangia as seguintes matérias: a Lei de Deus, chamada Torá (os cinco primeiros livros da Bíblia – o
Pentateuco). O estudo era feito através de leituras frequentes, até aprender
tudo de memória. A tradição dos Antigos:
actualizava a Lei de Deus para o povo. Tinha duas partes, chamadas, na sua
língua, halaká e hagadá. A halaká ensinava como viver a vida de acordo com a
Lei de Deus. Abarcava os costumes e leis complementares, reconhecidas como tais
pelas autoridades competentes. Havia a halaká dos fariseus, a mais rigorosa, e
a dos saduceus. Paulo formou-se na Tradição dos fariseus. A hagadá ensinava
como ler a vida à luz da Lei de Deus. Não tinha a aprovação oficial das autoridades.
Era mais livre. Continha as histórias da Bíblia. O modo de recordar e ler a
história antiga ajudava o aluno a ler a sua própria história e a descobrir nela
os apelos de Deus. A interpretação da Bíblia,
chamada Midrash. Midrash significa procura. Ensinava as regras e o modo de
procurar o sentido da Sagrada Escritura para a vida do povo e das pessoas. Ou
seja, ensinava a descobrir que a janela do texto, através da qual se vê o
passado do povo, é também espelho através do qual se vê o presente do mesmo
povo. A leitura da Bíblia era o eixo da formação. Marcava a piedade do povo.
Desde criança, os judeus aprendiam a Bíblia. Era sobretudo a mãe, em casa, quem
tinha o cuidado de a transmitir aos filhos. Assim, desde pequeno, Paulo
aprendeu que «toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para ensinar, refutar,
corrigir e educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e
esteja preparado para toda a obra boa» (2 Tm 3,16-17).
Pe. Vasco
10 junho, 2013
Cura de Naaman - águas santificadoras do baptismo
«Naaman, general dos exércitos do rei da Síria,
gozava de grande prestígio diante do seu amo e era muito estimado, porque, por
meio dele, o Senhor salvou a Síria; era um homem robusto e valente, mas
leproso. Ora
tendo os sírios feito uma incursão no território de Israel, levaram consigo uma
jovem donzela, que ficou ao serviço da mulher de Naaman. Ela disse à sua senhora: «Ah,
se o meu amo fosse ter com o profeta que vive na Samaria, certamente ficava
curado da lepra!»
Naaman foi contar ao seu soberano aquilo que dissera a jovem
israelita. O
rei da Síria respondeu-lhe: «Vai, que eu vou escrever uma carta ao rei de
Israel.» Naaman partiu levando consigo dez talentos de prata, seis mil siclos
de ouro e dez mudas de roupa. Levou ao rei de Israel uma carta escrita nestes termos:
«Juntamente com esta carta, aí te mando o meu servo Naaman, para que o cures da
sua lepra.» Ao
terminar de ler a carta, o rei de Israel rasgou as suas vestes e exclamou: «Sou
eu, porventura, um deus que possa dar a morte ou a vida, de modo que me enviem
alguém para eu o curar da lepra? Reparai e vede como ele busca pretextos contra
mim.» Mas Eliseu, o homem de Deus, soube que o rei rasgara as
suas vestes e mandou-lhe dizer: «Porque rasgaste as tuas vestes? Que ele venha
ter comigo e saberá que há um profeta em Israel.» Chegou, pois, Naaman com o seu
carro e os seus cavalos e parou à porta de Eliseu. Este mandou-lhe dizer por um
mensageiro: «Vai, lava-te sete vezes no Jordão e a tua carne ficará limpa.» Naaman,
despeitado, retirou-se, dizendo: «Pensava que ele sairia a receber-me e, diante
de mim, invocaria o Senhor, seu Deus, colocaria a sua mão no lugar infectado e
me curaria da lepra. Porventura, os rios de Damasco, o Abaná e o Parpar, não são
acaso melhores do que todas as águas de Israel? Não me poderia lavar neles e
ficar limpo?» E, virando costas, retirou-se indignado. Mas os seus servos
aproximaram-se dele e disseram-lhe: «Meu pai, mesmo que o profeta te tivesse
mandado uma coisa difícil, não a deverias fazer? Quanto mais agora, ao
dizer-te: ‘Lava-te e ficarás curado.’» Naaman desceu ao Jordão e
lavou-se sete vezes, como lhe ordenara o homem de Deus, e a sua carne tornou-se
como a de uma criança e ficou limpo. Voltou, então, ao homem de Deus
com toda a sua comitiva; entrou, apresentou-se diante dele e disse: «Reconheço
agora que não há outro Deus em toda a Terra, senão o de Israel. Aceita este
presente do teu servo.»Eliseu respondeu: «Pelo Senhor, o
Deus vivo a quem sirvo, juro que nada aceitarei.» E, apesar das instâncias de
Naaman, ele continuou a recusar.»
2 Rs
5,1-16
Comentário[1]: não devias acreditar apenas no que vês (Cf. 2 Cor 4,18), para que digas:
grande mistério que nem os olhos viram,
nem os ouvidos ouviram, nem jamais passou pelo pensamento do homem (Cf. 1
Cor 2,9; Is 45,5; Dt 4,32). Se vejo estas águas todos os dias, como posso
purificar nelas? Sem espírito, nada purifica.
No baptismo as três testemunhas são uma só: a água, o sangue e o espírito.
O que é a água sem a cruz de Cristo? É um elemento comum, sem nenhuma eficácia
sacramental. Que mais não foi o madeiro lançado na água de Mara (fonte amarga do deserto) por Moisês (Cf. Ex 15,23-27)? De
amarga, tornou-se em doce, com utilidade futura e esperança de salvação.
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