22 julho, 2013

O tempo


Uma criança perguntou timidamente ao pai quando este regressava do trabalho:
— Pai, quanto é que ganhas por hora?
O pai, friamente, respondeu:
— Para que queres tu saber? São dez euros por hora.
— Então, pai, poderias emprestar-me três euros?
— Ah! É por isso que queres saber quando ganho por hora?! Vai para a cama e não me aborreças mais!
Daí a bocado, o pai começou a pensar no que tinha acontecido e sentiu-se culpado. Talvez o filho necessite de comprar algo. Entrou no quarto e perguntou-lhe baixinho:
— Filho, já estás a dormir?
— Não, pai.
— Olha, aqui tens os três euros que me pediste.
— Muito obrigado, pai. Depois a criança levantou-se, foi buscar os sete euros do mealheiro e disse ao pai:
— Agora já tenho dez euros! Pai, podias vender-me uma hora do teu tempo? 

21 julho, 2013

JESUS, MARTA E MARIA E EU


1. Imediatamente a seguir ao belo trabalho de amor do Bom Samaritano (Lucas 10,25-37), apresentado como figura do discípulo de Jesus, eis-nos a braços com outra cena de excepção do Evangelho de Lucas: Jesus, Marta e Maria (Lucas 10,38-42), que continua a expor diante de nós, neste Domingo XVI do Tempo Comum, traços salientes para continuarmos a compor a figura do discípulo de Jesus.
2. A primeira anotação do narrador é para nos comunicar que, estando Jesus em viagem, uma mulher, de nome Marta, o recebeu em sua casa (Lucas 10,38). Acrescenta logo que Marta tinha uma irmã, chamada Maria (Lucas 10,39), e começa de imediato a desenhar o retrato das duas irmãs.
3. De Maria, diz-nos que se SENTOU aos pés de Jesus e que ESCUTAVA a sua Palavra (Lucas 10,39). O leitor apercebe-se de imediato que Maria assume a figura de discípula atenta, dedicada e deliciada: SENTADA perto do Mestre, ESCUTAVA… O narrador usa outras tintas para pintar o retrato de Marta. Começa por nos dizer que andava DISTRAÍDA (verbo gregoperispáô) com muito trabalho (Lucas 10,40). Aproximando-se, porém, disse a Jesus com um certo ar de reprovação: «Senhor, a ti não te importa que a minha irmã me deixe sozinha a trabalhar?» (Lucas 10,40). E sem esperar pela resposta, como quem está cheia de razão, acrescenta logo, como quem tem autoridade para dar ordens até a Jesus: «Diz-lhe, pois, que me venha ajudar!» (Lucas 10,40). É aqui que intervém Jesus, com a sua Palavra serena e soberana, para lhe dizer: «Marta, Marta, andas PREOCUPADA (verbo grego merimnáô) e ÀS VOLTAS (verbo gregothorybázô) com MUITAS COISAS (pollá), quando UMA SÓ (henós) é necessária» (Lucas 10,41-42). E conclui, para total espanto nosso e de Marta: «Maria ESCOLHEU (eklégomai) a parte BOA (e bela), que não lhe será tirada» (Lucas 10,42).
4. Importa ver já, com clareza, que Maria não diz uma palavra em todo o episódio. Não se ouve a sua voz. Ela está tranquilamente SENTADA e totalmente concentrada na ESCUTA de outra VOZ, que não a sua. Maria é a mulher de UMA COISA e de UMA PESSOA. Por isso, na base da sua vida, tem de haver uma ESCOLHA. Nas páginas da Escritura Santa, é normalmente Deus o sujeito do verbo ESCOLHER. Quando também nós ousamos ESCOLHER, então já se percebe que deixamos muitos mundos para trás e que nasce em nós um mundo novo, por acostagem ao mundo de Deus.
5. Marta começa por receber Jesus na casa dela. É a senhora dona Marta. Olha de soslaio para a sua irmã Maria que acusa de não fazer nada, e repreende Jesus por não se importar com isso, e acaba mesmo dando ordens a Jesus, para que, por sua vez, dê ordens a Maria para a ir ajudar. É a senhora dona Marta. Manda, ou pensa que manda, em casa, na sua irmã e em Jesus!
6. A sua vida é uma azáfama, anda às voltas, ocupada por preocupações e preconceitos, descentrada e desconcentrada. O seu fazer é tradicional e convencional. Nunca ESCOLHEU. O narrador diz-nos que anda DISTRAÍDA, e Jesus diz-lhe que anda PREOCUPADA (merimnáô) e ÀS VOLTAS (thorybázô)… Vocabulário importante. Um pouco adiante, Jesus adverte os seus discípulos para não se PREOCUPAREM (merimnáô) com a vida, quanto ao que hão-de comer, nem com o corpo, quanto ao que hão-de vestir (Lucas 12,22), e acrescenta logo que isso – afadigar-se com o que comer, beber e andar freneticamente, de lado para lado, como meteoritos (meteôrízô) – são coisas dos pagãos! (Lucas 12,30). E põe-nos diante dos olhos este tesouro evangélico e poético: «Considerai os lírios do campo, que não fiam nem tecem!…» (Lucas 12,27).
7. Ressalta deste finíssimo quadro que também o agitar-se por Deus ou pelo próximo pode ser coisa pagã. Não necessariamente por ser pagão o objecto da busca, mas por ser pagão o modo de procurar: com afã, inquietação, agitação! Na verdade, as «muitas coisas» podem viciar, não apenas a escuta, mas também o verdadeiro serviço. Fazer muito pode ser sinal de amor, mas pode também fazer morrer o amor! Ao hóspede é necessário oferecer companhia, não apenas coisas!
8. Ao contrário da senhora dona Marta, que nunca abriu mão da sua condição de dona, Maria percebeu bem que não é dona, mas simplesmente hóspede. Não da sua irmã Marta, mas de Jesus. Maria está, na verdade, hospedada em casa de Jesus. Por isso, está assim serena e tranquila. Entregou-lhe tudo: o coração, as mãos, os olhos, o cofre, a chave do cofre, a chave de casa. Marta não é apresentada como sendo má pessoa, mas não compreendeu que, quando Jesus entra em nossa casa, é dele a casa, e nós simplesmente seus hóspedes, tranquilamente sentados junto dele! Ai esta nossa entranhada tentação patronal!
9. Dizia um velho rabino acerca de um seu colega: «anda de tal modo ocupado com as COISAS de Deus, que até se esquece de que ELE existe!». Convenhamos que se trata de um esquecimento desastroso…
10. Veja-se bem a simplicidade, a prontidão e a candura desarmantes do velho Abraão do Antigo Testamento de hoje! (Génesis 18,1-10).
D. António Couto, In Mesa de Palavras

16 julho, 2013

SOLENIDADE DE NOSSA SENHORA DO CARMO


Queridos irmãos e irmãs carmelitas, é com profunda alegria e esperança que
me dirijo a todos vós neste dia da Solenidade da nossa Mãe e Irmã, a Senhora do
Carmo.
A alegria da mãe resulta da alegria e felicidade dos seus filhos. Como
carmelitas, pedimos muitas vezes a Maria que «nos seja propícia, que nos conceda
graças e privilégios», mas também a Virgem Mãe nos dirige muitas vezes os seus
pedidos. Que me está a pedir nesta encruzilhada da história a Virgem Maria? Que
Carmelita leigo, consagrado ou sacerdote espera que eu seja? Que alegrias tenho
para dar à Virgem Maria, esposa de José? Como bom filho que quero ser, não fico
indiferente às alegrias e tristezas de tão boa Mãe.
Alegramos Maria quando fizermos o que Jesus nos disser (Jo 2, 5). As alegrias
de Maria são as mesmas do Seu Filho Jesus. A fidelidade no seguimento é fonte de
alegria para todos os discípulos. E o Autor de toda esta obra, o guia do caminho, é o
Espírito Santo que sempre foi o guia da Virgem Mãe e inspirador de todas as suas
obras! D’Ela disse o nosso Pai S. João da Cruz: “Eram assim as [obras] da
gloriosíssima Virgem Nossa Senhora, a qual, estando desde o princípio elevada neste
alto estado, nunca teve gravada na sua alma forma alguma de criatura, nem se
moveu por ela, mas foi sempre movida pelo Espírito Santo (S III, 2, 10).
O Espírito continua a sua acção. Os ventos deste momento histórico pedemnos
renovação e revitalização. Já não aguentamos, nem temos que aguentar,
estruturas do passado porque já não respondem às necessidades dos nossos
tempos. Para vinho novo, odres novos (Mc 2, 22). Nós que nos revestimos do manto
da Virgem Mãe do Carmo, sob a forma de hábito ou escapulário, somos também
revestidos do Espírito que a cobriu com a sua sombra. E é sob a acção do Espírito
que podemos deixar a inércia, o nosso estilo morno de vida e nos aventurarmos nos
caminhos da conversão radical e profunda; de contrário, impediremos o kairós que
está constantemente a bater à nossa porta (Cf. Ap 3, 20). Sopremos a cinza para
que a chama do Espírito que ainda fumega não se apague. Do pouco, Deus pode
fazer muito, reacendendo esta chama do Espírito nos nossos corações. Todos nós,
protegidos, acolhidos e amados por Maria, sentimos a chama da fé que ainda dá luz
e calor, que não se apagou, mas está à espera de ser refrescada pela Palavra, pelo
reencontro com Jesus na Eucaristia e na Reconciliação, pelo contacto com a Chama
Viva de Amor que ardia no coração dos nossos fundadores, Teresa e João da Cruz.
Não deixemos extinguir o Espírito! (1 Tes 5, 19)
Sob o olhar terno e materno de Maria, nossa Mãe, podemos identificar e
interpretar com realismo e esperança os desafios do nosso tempo. Aponto três
desafios e coloco-os em paralelo com alguns quadros da vida da Virgem Maria que
nos poderão servir de guia e inspiração à sua resposta.
Em primeiro lugar, temos o desafio da simplicidade e humildade; para tal,
contemplemos Maria, rezando o seu cântico de Magnificat. No seu cântico de louvor,
a Virgem Maria, cheia do Espírito Santo, constata como o Senhor «derrubou os
poderosos de seus tronos e exaltou os humildes». Penso que os nossos tempos
pedem-nos uma vida mais pobre e mais simples, mais próxima dos pobres,
literalmente falando. O Papa Francisco não se cansa de nos convidar para as
periferias. Ora, se nos deixamos invadir pelo Espírito, a nossa vida tornar-se-á pobre
e próxima dos pobres, como a da Virgem Maria. A grande acção do Espírito é
empobrecer para nos encher das riquezas de Deus. Estamos no grupo dos poderosos
a derrubar ou dos humildes a exaltar? Esta profecia revolucionária de Maria é sinal
de esperança para os desempregados, emigrados, injustiçados dos nossos tempos
com os quais queremos percorrer os necessários êxodos para atingir a liberdade e
dignidade de filhos. Só um coração derrubado do seu orgulho pelo Espírito,
empobrecido por Ele, tornado pobre e humilde, se torna companheiro de viagem de
todos os pobres e humildes deste mundo e dispensador para eles de todos os bens
materiais e espirituais.
A seguir, o desafio da conversão à comunidade; para tal, contemplemos Maria
reunida com os discípulos no Cenáculo, em oração (Act 1,14). Os nossos tempos
pedem-nos que sejamos construtores de comunidades coesas e bem alicerçadas. Só
o Espírito une e cria comunhão! Estes tempos de desnorte que absolutizam os
egoísmos em detrimento do bem comum, exigem dos cristãos a conversão à
comunidade, à proximidade e relação com os que nos são naturalmente mais
próximos: a família, a fraternidade dos carmelitas seculares, a comunidades
religiosas das irmãs e irmãos carmelitas. A todos nós se nos pede que
acompanhemos estas comunidades de base e de referência. A nossa família
carmelita é uma grande comunidade de comunidades, onde cada pessoa se sente
apoiada e desafiada a crescer como crente e como carmelita. Acolhamo-nos sob a
protecção de Maria, nossa Mãe e, como outrora no Cenáculo, imploremos
incessantemente com Ela, a vinda às nossas comunidades, do Artífice da Comunhão.
Para isso, Cristo e a Virgem Maria, Sua e nossa Mãe, sempre nos estão a convidar
para a mesa da eucaristia a partir da qual se recebe o Espírito e se reconstrói e
renova a comunidade. Aceitemos o seu convite.
Em terceiro lugar, o desafio da missão; neste sentido, contemplemos Maria
que caminha apressadamente para as montanhas, sob o impulso do Espírito que
n’Ela havia descido na Anunciação. Os nossos tempos convidam-nos à
evangelização, que é sempre antiga e sempre nova, com propostas claras de vida
espiritual, mediante o acolhimento, o testemunho e a proposta de formação de
carmelitas e comunidades orantes; mediante o atendimento na reconciliação e no
acompanhamento espiritual, nas ofertas de iniciativas de mistagogia e pedagogia da
oração. A nova evangelização é a grande obra-prima do Espírito! Pede a criatividade
e ardor que nascem da experiência de Deus que nos permite ir ao encontro das
necessidades pastorais dos que estão perto, e já pertencem ao rebanho, mas
também dos que estão longe geográfica ou espiritualmente. Neste tempos
abraçamos de forma explícita a missão ad gentes com os projectos fundacionais em
Angola e Timor Leste. Maria possuída pelo Espírito tornou-se enviada e missionária e
por isso é nosso modelo. Ela correu apressadamente para as montanhas para ir ao
encontro de Isabel para lhe levar a sua alegria e lhe prestar os seus serviços.
Deixemo-nos tomar pela alegria e a pressa do Espírito, que não tem tempo a perder,
pois o cristão e o carmelita são estruturalmente missionários, estão sempre a sair e
a partir ao encontro dos que ainda não experimentaram a alegria do encontro com o
Deus vivo.
Que ao celebrarmos a Solenidade de Maria, Alegria e Formosura do Carmelo,
regressemos às fontes mais genuínas da nossa vocação e missão, para que movidos
em tudo pelo Espírito, como Maria, nossa Mãe, sejamos úteis e significativos nesta
Igreja e neste mundo.
Fátima, 16 de Julho de 2013
Pe Joaquim Teixeira, prov.

14 julho, 2013

AMARÁS, AMARÁS, AMARÁS!


1. «Sou a personagem mais popular do Evangelho. Vós falais muitas vezes de mim: há vinte séculos que oiço o vosso aplauso por ter puxado o freio com que parei o cavalo naquela estrada que seguia de Jerusalém para Jericó. Ofereci imagens consoladoras à vossa emotividade e ao vosso gosto inato de histórias com um final feliz: a minha figura debruçada a colocar faixas, as gotas de óleo e vinho derramadas sobre as feridas do viandante maltratado pelos ladrões e traído por aqueles dois que pouco antes me precederam naquela estrada e lhe tinham negado a sua piedade, o facto de eu ter colocado o ferido sobre a minha montada, a pousada com o hospedeiro a quem entrego dois denários para ele continuar a assistência. E vós, para me honrar, ornamentastes com estas cenas as entradas dos albergues e lugares piedosos». É assim que o escritor italiano Luigi Santucci (1918-1999) abre o seu Samaritano apocrifo, deixando transparecer alguma ironia.
2. Concentrando agora a nossa atenção sobre a parábola do Evangelho de Lucas (10,25-37), é impressionante notar que o narrador não tenha necessitado de mais de cem palavras (incluindo artigos e partículas gramaticais) para criar um quadro inesquecível!
3. Um HOMEM, anónimo e solitário, percorre os 27 km da estrada romana que, serpenteando através do Wadi el-Kelt, ligava a Cidade Santa (Jerusalém) ao belíssimo oásis de Jericó, tradicional morada de sacerdotes, superando um desnivelamento de cerca de 1100 metros. De improviso, na paisagem inóspita e desértica daquela estrada, o cenário habitual: BANDIDOS que saltam da emboscada, roubo, violência, fuga. Fica na berma da estrada um corpo ensanguentado, com a guarda de honra das rochas vermelhas dos montes circundantes, ditos em hebraico de Adummîm, tradução literal: «do sangue». Tudo envolto num gritante silêncio.
4. Mas eis, ao longe, um SACERDOTE… Súbita desilusão. O narrador refere que o SACERDOTE bem viu o nosso homem, mas «passou pelo lado contrário» (antiparêlthen). Evitou demoras, chatices, incómodos, impureza ritual. Eis, todavia, no horizonte, outra possibilidade: um LEVITA… A mesma desilusão. Também ele «passou pelo lado contrário» (antiparêlthen).
5. A narrativa atinge o seu auge. Eis que vem agora um SAMARITANO, lídimo representante daquele «estúpido povo que habita em Siquém» (Eclesiástico 50,26), mas vai fazer tudo ao contrário dos dois anteriores representantes da religiosidade fria e formal de Jerusalém. Veja-se com quanto pormenor o narrador descreve todos os seus gestos: vem até junto dele (1), viu-o (2), encheu-se de comoção (3), aproximou-se (4), enfaixou-lhe as feridas (5), derramou óleo e vinho (6), colocou-o na sua montada (7), levou-o para uma pousada (8), tomou-o ao seu cuidado (9), deu dois denários ao hospedeiro (10), e disse-lhe: «Toma tu cuidado dele» (11).
6. Aí está a religiosidade fria e calculista e insensível, debruçada sobre si mesma, que passa ao lado da vida por e para estar atenta apenas às rubricas, por parte dos agentes do culto de Jerusalém, em claro contraponto com o amor pessoal, eivado de afecto e de gestos de carinho activo e criativo deste SAMARITANO, totalmente debruçado sobre os outros e para os outros, interessando-se até sobre o seu futuro, e provocando outros a entrar nesta dinâmica nova cheia de amor novo. Notável aquele: «Cuida tu dele!» do Samaritano implicando o hospedeiro neste trabalho do amor! E de Jesus implicando o doutor: «Vai e faz tu!».
7. É por tudo isto que, sobre uma pedra da pretensa pousada do Bom Samaritano, na verdade um edifício do tempo dos Cruzados, mas que os peregrinos identificam com a pousada da parábola, um peregrino medieval gravou em latim estas palavras: «Ainda que sacerdotes e levitas passem ao lado da tua angústia, fica a saber que Cristo é o Bom Samaritano, que terá compaixão de ti, e, na hora da tua morte, te conduzirá à pousada eterna».
8. «Amarás!», é quanto responde o doutor, lendo a Lei de Deus (Lucas 10,27), que não está longe de ti: está na tua boca e no teu coração (Deuteronómio, 30,10-14).
D. António Couto, In Mesa de Palavras

01 julho, 2013

O carpinteiro



Um velho carpinteiro que construía casas estava pronto para se aposentar. Informou o chefe do seu desejo de sair da indústria de construção e passar mais tempo com a família. Ainda disse que sentiria falta do salário, mas realmente queria aposentar-se.
A empresa não seria muito afectada pela saída do carpinteiro, mas o chefe estava triste por ver um bom funcionário partindo e pediu ao carpinteiro para trabalhar em mais um projecto, como favor. O carpinteiro não gostou mas acabou concordando. E foi fácil ver que ele não estava entusiasmado com a ideia.
Assim prosseguiu fazendo um trabalho de segunda qualidade e usando materiais inadequados. Foi uma maneira negativa dele terminar a sua carreira. Quando o carpinteiro acabou, o chefe veio fazer a inspecção da casa construída.
Deu a chave ao carpinteiro e disse:
"Essa é a sua casa. Ela é o meu presente para ti.".
O carpinteiro ficou muito surpreso. Que pena! Se ele soubesse que estava construindo a sua própria casa, teria feito tudo diferente.