31 janeiro, 2013

Peregrinos na Fé, Apóstolos na Evangelização do Mundo (I)


ENSAGEM DA COMISSÃO EPISCOPAL DAS VOCAÇÕES E MINISTÉRIOS POR OCASIÃO DA SEMANA DO CONSAGRADO – 27 DE JANEIRO A 3 DE FEVEREIRO DE 2013

PEREGRINOS NA FÉ, APÓSTOLOS NA EVANGELIZAÇÃO DO MUNDO



"1. CONSAGRADO, PEREGRINO DA FÉ

O batismo, assumido de forma livre e responsável, como participação no mistério pascal de Jesus Cristo, incorporação na sua Igreja e sacramento da comunhão com Deus, Santíssima Trindade, constitui o início do longo peregrinar da fé do cristão. Trata-se de um “caminho que dura a vida inteira... tem início com o batismo... e está concluído com a passagem através da morte para a vida eterna” (Bento XVI, A Porta da Fé, 1).

Entre todos os cristãos, os Consagrados assumem explicitamente a totalidade da vida como uma peregrinação na fé, como um sinal da transformação operada pelo batismo e como um testemunho da graça da comunhão com Deus.

Neste Ano da Fé, todo o consagrado tem oportunidade de refazer a história da sua vida humana, da sua fé e da sua vocação. Encontrará a linha contínua do amor de Deus, manifestado de muitas formas, recordará os momentos fortes do caminho realizado na procura das respostas a dar-Lhe, perceberá as dúvidas, fraquezas e, porventura, alguns retrocessos e infidelidades. Acima de tudo, verá que a fé é uma contínua resposta a um dom recebido, que implica todas as dimensões da vida e que há-de progredir sempre até que ele viva totalmente da fé, tal como diz o apóstolo: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim. E a vida que agora tenho na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus que me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gl 2, 20).

Apesar da sua condição de batizados e consagrados na Igreja, os consagrados não podem considerar a fé como um “pressuposto óbvio da sua vida diária” (Bento XVI, A Porta da Fé, 2). Correm, portanto, o risco comum a todos os cristãos de parar em qualquer fase da sua peregrinação, de se descentrarem de Deus em favor das tarefas quotidianas, de investir tanto nas obras humanas que descuidem a obra de Deus, que consiste em “crer n’Aquele que Ele enviou” (Jo 6, 29)."

D. Virgílio do Nascimento Antunes
Presidente da Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios

Semana do Consagrado - Frei José António da Imaculada Conceição



Senhor,
pessoas há que me dizem muito.
e outras muitas que não me dizem mesmo nada.
Todos, porém, me ajudaram como ninguém 
a abrir o coração, a erguer as mãos e a rezar,
a pôr a razão a cantar, a alma a bendizer,
e eu, desconcertado, ficando tantas vezes sem saber 
o que falar ou dizer,
e sem acertar o combinado.

Nesta Semana do Consagrado
eu te louvo e agradeço pela vida venerável 
de Frei José António da Imaculada Conceição,
vindo de outra nação para junto de nós.
Por aqui caminhou, 
aqui ajuntou, serviu e amou 
a Deus e a sua Mãe 
a quem
o coração entregou.
Sua vida desvelou, todo inteiro se deu
e para si nada reservou.
Amava o Menino Jesus e o Santuário,
onde morreu,
Nossa Senhora e o seu Escapulário,
onde perto viveu.
E Aveiro e Viana onde rezou,
animou e celebrou e confessou.
Recordo-lhe a letra ponderada e linda,
o rosto maduro, a fronte larga e ainda
umas mãos feitas para abençoar.
Recordo-lhe o português perfeito e belo
e o anelo de aqui ficar
nesta terra que em nome do Santo Deus
ajudou a santificar.
Recordo-lhe as contas certas,
as mãos ágeis e despertas,
o gosto pela festa e de preparar
um jantar – eu bem sei –
bem digno de um rei!
Recordo-lhe a palavra ardente,
a alma silente, o olhar aceso e vivo,
o coração contemplativo e manso
e os pés de profeta sem descanso
e sem meta.
E é assim que recordo no coração
o bem-aventurado Frei José António
da Imaculada Conceição.
Recordo por fim, pois não posso esquecer
o venerável de joelhos,
diante de nós, novos e velhos,
dando-nos a derradeira lição
do dar humilde e humilde receber o perdão.


Fr. João Costa

30 janeiro, 2013

Santa Teresa Benedita da Cruz (III)


"6. Santa Teresa Benedita da Cruz conseguiu compreender que o amor de Cristo e a liberdade do homem se entretecem, porque o amor e a verdade têm uma relação intrínseca. A busca da verdade e a sua tradução no amor não lhe pareciam ser contrastantes entre si; pelo contrário, compreendeu que estas se interpelam reciprocamente. No nosso tempo, a verdade é com frequência interpretada como a opinião da maioria. Além disso, é difundida a convicção de que se deve usar a verdade também contra o amor, ou vice-versa. Todavia, a verdade e o amor têm necessidade uma do outro. A Irmã Teresa Benedita é testemunha disto. «Mártir por amor», ela deu a vida pelos seus amigos e no amor não se fez superar por ninguém. Ao mesmo tempo, procurou com todo o seu ser a verdade, da qual escrevia: «Nenhuma obra espiritual vem ao mundo sem grandes sofrimentos. Ela desafia sempre o homem inteiro». A Irmã Teresa Benedita da Cruz diz a todos nós: Não aceiteis como verdade nada que seja isento de amor. E não aceiteis como amor nada que seja isento de verdade!


7. Enfim, a nova Santa ensina-nos que o amor a Cristo passa através da dor. Quem ama verdadeiramente, não se detém diante da perspectiva do sofrimento: aceita a comunhão na dor com a pessoa amada. Consciente do que comportava a sua origem judaica, Edith Stein pronunciou palavras eloquentes a este respeito: «Debaixo da cruz, compreendi a sorte do povo de Deus... Efectivamente, hoje conheço muito melhor o que significa ser a esposa do Senhor no sinal da Cruz. Mas dado que se trata de um mistério, isto jamais poderá ser compreendido somente com a razão». Pouco a pouco, o mistério da Cruz impregnou toda a sua vida, até a impelir rumo à oferta suprema. Como esposa na Cruz, a Irmã Teresa Benedita não escreveu apenas páginas profundas sobre a «ciência da cruz», mas percorreu até ao fim o caminho da escola da Cruz. Muitos dos nossos contemporâneos quereriam fazer com que a Cruz se calasse. Mas nada é mais eloquente que a Cruz que se quer silenciar! A verdadeira mensagem da dor é uma lição de amor. O amor torna o sofrimento fecundo e este aprofunda aquele. Através da experiência da Cruz, Edith Stein pôde abrir um caminho rumo a um novo encontro com o Deus de Abraão, Isaac e Jacob, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. A fé e a cruz revelaram-se-lhe inseparáveis. Amadurecida na escola da Cruz, ela descobriu as raízes às quais estava ligada a árvore da própria vida. Compreendeu que lhe era muito importante «ser filha do povo eleito e pertencer a Cristo não só espiritualmente, mas inclusive mediante um vínculo sanguíneo».


8. «Deus é espírito e aqueles que O adoram devem adorá-Lo em espírito e verdade» (Jo 4, 24). Caríssimos Irmãos e Irmãs, com estas palavras o divino Mestre entretém-se com a Samaritana junto do poço de Jacob. Quanto Ele deu à sua ocasional mas atenta interlocutora, encontramo-lo presente também na vida de Edith Stein, na sua «subida ao Monte Carmelo ». A profundidade do mistério divino tornou-se-lhe perceptível no silêncio da contemplação. Ao longo da sua existência, enquanto amadurecia no conhecimento de Deus adorando-O em espírito e verdade, ela experimentava cada vez mais claramente a sua específica vocação de subir à cruz juntamente com Cristo, de abraçá-la com serenidade e confiança, de amá-la seguindo as pegadas do seu dilecto Esposo: hoje, Santa Teresa Benedita da Cruz é-nos indicada como modelo em que nos devemos inspirar e como protectora à qual havemos de recorrer. Dêmos graças a Deus por este dom. A nova Santa seja para nós um exemplo do nosso compromisso no serviço da liberdade e na nossa busca da verdade. O seu testemunho sirva para tornar cada vez mais sólida a ponte da recíproca compreensão entre judeus e cristãos. Santa Teresa Benedita da Cruz, ora por nós! Amém"

                                                                         João Paulo II,  In Homilia na canonização de Edith Stein

Semana do Consagrado - Irmã Mary Mackillop



Senhor,
pessoas há que me dizem muito.
e outras muitas que não me dizem mesmo nada.
Todos, porém, me ajudaram como ninguém 
a abrir o coração, a erguer as mãos e a rezar,
a pôr a razão a cantar, a alma a bendizer,
e eu, desconcertado, ficando tantas vezes sem saber 
o que falar ou dizer,
e sem acertar o combinado.

Nesta Semana do Consagrado
eu te louvo e agradeço pela Irmã Mary
Mackillop – Santa Maria da Cruz,
freira ardente por Jesus
e pelos humanos pequeninos 
que Ele em vida tanto amou.
Ela como Ele diante de nada parou,
nada temeu.
Como água fresca a todos se deu:
às crianças necessitadas, às mulheres andadas,
aos idosos desamparados,
aos sem abrigo parados,
aos aborígenes feios, aos imigrantes sem freios.
A todos amou com amor
como manda e fez Nosso Senhor,
pois que de outro jeito
ela não sabia fazer
cama, caminha ou leito.
E assim amou especialmente
os que partiam pelo mundo
com coração vagabundo,
os que chegavam de qualquer maneira
e por ali ficavam sem eira nem beira.
Essa era a sua religião:
disponibilidade para servir
e a todos unir ao Sagrado Coração;
disponibilidade para obedecer
a quem precisasse de uma mão,
um refúgio temporário ou um lar,
um copo de leite e um pão,
um catecismo, uma palavra sossegada,
ou um conselho como uma âncora.
Essa era a sua religião
que ela vivia passando pelas margens,
pela fria periferia:
cuidar os meninos pobres
sem temer nem chorar a excomunhão
que lhe impunham os fartos poderosos
muito cientes do seu saber
e seus direitos, sem pensar
em partilhar para fazer crescer
o Reino que diziam servir e amar.


Fr. João Costa

29 janeiro, 2013

Santa Teresa Benedita da Cruz (II)


"4. Dilectos Irmãos e Irmãs! Porque era judia, Edith Stein foi deportada juntamente com a irmã Rosa e muitos outros judeus dos Países Baixos para o campo de concentração de Auschwitz, onde com eles encontrou a morte nas câmaras de gás. Hoje recordamo-nos de todos com profundo respeito. Poucos dias antes da sua deportação, a quem lhe oferecia uma possibilidade de salvar a vida, a religiosa respondera: «Não o façais! Por que deveria eu ser excluída? A justiça não consiste acaso no facto de eu não obter vantagem do meu baptismo? Se não posso compartilhar a sorte dos meus irmãos e irmãs, num certo sentido a minha vida é destruída».


Doravante, ao celebrarmos a memória da nova Santa, não poderemos deixar de recordar todos os anos também o Shoah, aquele atroz plano de eliminação de um povo, que custou a vida a milhões de irmãos e irmãs judeus. O Senhor faça brilhar o seu rosto sobre eles, concedendo-lhes a paz (cf.Nm 6, 25s.).

Por amor de Deus e do homem, lanço de novo um premente brado: nunca mais se repita uma semelhante iniciativa criminosa para nenhum grupo étnico, povo e raça, em qualquer recanto da terra! É um brado que dirijo a todos os homens e mulheres de boa vontade; a todos aqueles que crêem no Deus eterno e justo; a todos aqueles que se sentem unidos em Cristo, Verbo de Deus encarnado. Aqui, todos nós devemos ser solidários: é a dignidade humana que está em jogo. Só existe uma única família humana. É isto que a nova Santa afirmou com grande insistência: «O nosso amor pelo próximo - escrevia - é a medida do nosso amor a Deus. Para os cristãos - e não só para eles - ninguém é "estrangeiro". O amor de Cristo não conhece fronteiras».

5. Estimados Irmãos e Irmãs! O amor de Cristo foi o fogo que ardeu a vida de Teresa Benedita da Cruz. Antes ainda de se dar conta, ela foi completamente arrebatada por ele. No início, o seu ideal foi a liberdade. Durante muito tempo, Edith Stein viveu a experiência da busca. A sua mente não se cansou de investigar e o seu coração de esperar. Percorreu o árduo caminho da filosofia com ardor apaixonado e no fim foi premiada: conquistou a verdade; antes, foi por ela conquistada. De facto, descobriu que a verdade tinha um nome: Jesus Cristo, e a partir daquele momento o Verbo encarnado foi tudo para ela. Olhando como Carmelita para este período da sua vida, escreveu a uma Beneditina: «Quem procura a verdade, consciente ou inconscientemente, procura a Deus».

Embora sua mãe a tenha educado na religião hebraica, aos 14 anos de idade Edith Stein, «consciente e propositadamente desacostumou-se da oração». Só queria contar consigo mesma, preocupada em afirmar a própria liberdade nas opções de vida. No fim do longo caminho, foi-lhe dado chegar a uma surpreendente conclusão: só quem se une ao amor de Cristo se torna verdadeiramente livre.


A experiência desta mulher, que enfrentou os desafios de um século atormentado como o nosso, é para nós exemplar: o mundo moderno ostenta a porta atraente do permissivismo, ignorando a porta estreita do discernimento e da renúncia. Dirijo-me especialmente a vós, jovens cristãos, em particular aos numerosos ministrantes reunidos em Roma nestes dias: evitai conceber a vossa vida como uma porta aberta a todas as opções! Escutai a voz do vosso coração! Não permaneçais na superfície, mas ide até ao fundo das coisas! E quando chegar o momento, tende a coragem de vos decidirdes! O Senhor espera que coloqueis a vossa liberdade nas suas mãos misericordiosas."

                                                                         João Paulo II,  In Homilia na canonização de Edith Stein

Semana do Consagrado - Irmã Catarina de Jesus



Senhor,
pessoas há que me dizem muito.
e outras muitas que não me dizem mesmo nada.
Todos, porém, me ajudaram como ninguém 
a abrir o coração, a erguer as mãos e a rezar,
a pôr a razão a cantar, a alma a bendizer,
e eu, desconcertado, ficando tantas vezes sem saber 
o que falar ou dizer,
e sem acertar o combinado.

Nesta Semana do Consagrado
eu te louvo e agradeço pelo Irmã
Catarina da Cruz
monja santa, simples e inocente,
cuja vida foi um Ai Jesus!
A cozinha foi o seu céu e cenário,
seu armário e seu sacrário,
e a horta uma escola e um recreio:
ali ia, ali colhia
um repolho, uma alface,
duas ou três folhas de loureiro,
uns agriões e um ramo de salsa.
E indo ou vindo do seu passeio
sempre esperta reparava
que ao passar pela balsa
as rãs cantadoras fugiam
e de um salto se recolhiam
no verde lodo profundo.
Ó Irmã Catarina, 
foi necessário um Doutor santo e sábio
enviado por Nosso Senhor
para te acalmar e iluminar
com palavra santa e natural.
E contigo ficamos a saber
que as rãs buscam o centro profundo
onde ruindade alguma do mundo
pode chegar a fazer-nos mal.
E assim se devem esconder
os que em Deus querem crescer:
devem ir para o mais fundo e mergulhar
no mar que é Deus
e ali se esconder e repousar
e assim continuar a cumprir o dever
de dar de comer ou beber
a todos os peregrinos da fé,
que assim manda quem É.



Fr. João Costa

28 janeiro, 2013

Santa Teresa Benedita da Cruz (I)


"1. Quanto a mim, que eu não me glorie, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo (cf.Gl 6, 14).

As palavras de São Paulo aos Gálatas, que acabámos de escutar, adaptam-se bem à experiência humana e espiritual de Teresa Benedita da Cruz, que hoje é solenemente inscrita no álbum dos santos. Também ela pode repetir com o Apóstolo: Quanto a mim, que eu não me glorie, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo.

A cruz de Cristo! No seu constante florescimento, a árvore da Cruz dá sempre renovados frutos de salvação. Por isso, os fiéis olham com confiança para a Cruz, haurindo do seu mistério de amor a coragem e o vigor para caminhar com fidelidade nas pegadas de Cristo crucificado e ressuscitado. Assim, a mensagem da Cruz entrou no coração de muitos homens e mulheres, transformando a sua existência.

Um exemplo eloquente desta extraordinária renovação interior é a vicissitude espiritual de Edith Stein. Uma jovem em busca da verdade, graças ao trabalho silencioso da graça divina, tornou-se santa e mártir: é Teresa Benedita da Cruz, que hoje repete do céu a todos nós as palavras que caracterizaram a sua existência: «Quanto a mim, que eu não me glorie, a não ser na cruz de Jesus Cristo».

2. No dia 1 de Maio de 1987, durante a minha visita pastoral na Alemanha, tive a alegria de proclamar Beata, na cidade de Colónia, esta generosa testemunha da fé. Hoje, a onze anos de distância aqui em Roma, na Praça de São Pedro, é-me dado apresentar solenemente esta eminente filha de Israel e filha fiel da Igreja como Santa perante o mundo inteiro.

Assim como nessa data, também hoje nos inclinamos diante da memória de Edith Stein, proclamando o testemunho invicto que ela deu durante a vida e sobretudo com a morte. Ao lado de Teresa de Ávila e de Teresa de Lisieux, esta outra Teresa vai colocar-se no meio da plêiade de santos e santas que honram a Ordem carmelitana.

Caríssimos Irmãos e Irmãs, que vos congregastes para esta solene celebração, dêmos glória a Deus pela obra que realizou em Edith Stein.

3. Saúdo os numerosos peregrinos vindos a Roma, com um particular pensamento para os membros da família Stein, que quiseram estar connosco nesta feliz circunstância. Uma cordial saudação dirige-se também à representação da Comunidade carmelitana, que se tornou a «segunda família» para Teresa Benedita de Cruz.

Depois, dou as minhas boas-vindas à delegação oficial da República Federal da Alemanha, chefiada pelo Chanceler Federal resignatário, Helmut Kohl, a quem saúdo com deferente cordialidade. Além disso, cumprimento os representantes das regiões de Nordrhein-Westfalen e Rheinland-Pfalz, bem como o Primeiro Presidente da Câmara Municipal de Colónia. Inclusivamente da minha Pátria veio uma delegação oficial, guiada pelo Primeiro-Ministro Jerzy Buzek.


Dirijo-lhe uma cordial saudação. Depois, quero reservar uma especial menção aos peregrinos das dioceses de Vratislávia, Colónia, Monastério, Espira, Cracóvia e Bielsko-Žywiec, presentes com os seus Bispos e sacerdotes. Eles unem-se ao numeroso grupo de fiéis vindos da Alemanha, dos Estados Unidos da América e da minha Pátria, a Polónia."

Semana do Consagrado - Venerável Lourenço da Ressurreição



Senhor,
pessoas há que me dizem muito.
e outras muitas que não me dizem mesmo nada.
Todos, porém, me ajudaram como ninguém 
a abrir o coração, a erguer as mãos e a rezar,
a pôr a razão a cantar, a alma a bendizer,
e eu, desconcertado, ficando tantas vezes sem saber 
o que falar ou dizer,
e sem acertar o combinado.

Nesta Semana do Consagrado
eu te louvo e agradeço pelo Irmão
Lourenço da Ressurreição.
Três anos foi soldado
mas dali saiu magoado
e manchado pelo pecado.
Carmelita se fez em Paris,
que Deus assim quis.
Quinze anos de cozinheiro
outros tantos de sapateiro.
Foi assim que aprendeu a viver
a presença de Deus no trabalho.
E a conversar com Ele sem prever
e sem cuidar de se preparar,
sem necessidade de delicadezas,
simplesmente a com Ele estar 
com simplicidade e bondade.
Sempre de avental posto
e sorriso no rosto
lutou contra o mal;
e a gosto dizia que as palavras pouco valem
porque só o amor faz tudo.
E ao morrer
declarou com solenidade
que poderia partir para a eternidade
porque ali faria o que sempre fizera:
a Deus bendizer e louvar,
amar e adorar,
por nada mais ser necessário.
Ámen.


Fr. João Costa

27 janeiro, 2013

III Domingo do Tempo Comum




Durante os seguintes Domingos do presente ano litúrgico, seremos acompanhados pelo evangelista Lucas. É, portanto, lógico que, no início do tempo comum, nos seja proposto o prólogo ou introdução deste Evangelho.
O prólogo de Lucas revela-nos o sentido dos evangelhos. São os relatos da experiência de fé das primeiras comunidades cristãs a partir da Ressurreição de Jesus. Por isso, os evangelhos constituem uma mensagem baseada no passado, interpretada à luz do presente (a vida das primeiras comunidades) e com perspectivas para o futuro (a Igreja posterior). Também São Lucas dedica o seu evangelho ao "excelentíssimo Teófilo", nome que significa “amigo de Deus”, por tanto, nele cada um de nós pode e deve sentir-se incluído e interpelado. Os evangelhos são uma "boa notícia" para nós, homens e mulheres do século XXI.
A segunda parte do trecho Evangélico de hoje está separada do prólogo por três capítulos. Deste modo, ouvimos parte do capítulo quatro, onde nos é apresentado o início da vida pública de Jesus.
Jesus, na sinagoga de Nazaré, recebe a Palavra, proclama-a ao povo, recolhe o livro e anuncia a actualidade da Palavra. Mas, de facto, o próprio Jesus é a Palavra anunciada pelos profetas, por isso, Ele pôde dizer que “hoje” se cumpriu a Palavra anunciada já há tantas gerações. Na verdade, a Igreja proclama Jesus Cristo como o Salvador dos homens, ontem, hoje e sempre.
O papa Bento XVI diz, a este respeito, que “a Igreja não vive de si mesma mas do Evangelho e dele tira sempre de novo a orientação para o seu caminho. Trata-se – continua a dizer o Papa – de uma observação que cada cristão deve acolher e aplicar a si mesmo: só quem se coloca antes de tudo à escuta da Palavra de Deus pode depois tornar-se anunciador. De facto, ele (o cristão) não deve ensinar a sua própria sabedoria, mas a sabedoria de Deus, que muitas vezes, aos olhos do mundo, parece loucura. A Igreja e a Palavra de Deus estão inseparavelmente ligadas entre si. A Igreja vive da Palavra de Deus e a Palavra de Deus ressoa na Igreja, no seu ensinamento e em toda a sua vida” – conclui o Papa.
Por conseguinte, é indispensável ter presente que a Palavra de Deus é um dos principais pilares da nossa fé cristã, porque sem a Palavra proclamada e explicada a fé não amadurece. Torna-se assim compreensível que é fundamental, para aprofundar na nossa vida cristã, escutar e assimilar a Palavra que Deus nos revelou, por meio do seu Filho, Jesus Cristo.
Por isso, ser cristão e “anunciar hoje a Palavra” não é somente uma questão de palavras e discursos sugestivos; exige, simultaneamente, compromisso. O “anúncio” da boa notícia não é simplesmente transmitir informação, mas fazer, construir, lutar contra o mal, curar, reabilitar os irmãos, colocar-se ao seu serviço, acompanhar e dignificar a vida como manifestação da mão criadora de Deus. E somente assim a “evangelização” hoje será como a de Jesus que veio a fazer maravilhas em favor dos pobres, atribulados e cativos.
Este Domingo convida-nos a recomeçar de novo o projecto de vida cristã que queremos dar aos nossos dias. E a melhor forma é começar por aprender a escutar e acolher a Palavra de Deus, a exemplo de Nossa Senhora que guardava e meditava a Palavra no seu coração. Mas, depois, uma vez assimilada, essa Palavra deve tornar-se vida na nossa vida, pois “felizes os que escutam e cumprem a Palavra”.
O convite que o evangelho nos faz hoje, é aprofundar com seriedade e constância a riqueza da palavra de Deus, porque somente meditando-a e interiorizando-a, aprenderemos a vive-la quotidianamente. Deus continua a falar ao nosso coração por meio da sua palavra, e a palavra tem como missão alimentar o nosso caminho de fé, que iniciámos no dia do nosso Baptismo. Porque, como diz Santo Agostinho, a Deus falamos-lhe quando rezamos, mas é Ele que nos fala quando lemos e ouvimos a sua palavra. 
Em suma, sejamos atentos e dóceis à Palavra que Deus nos quis confiar. Não tenhamos medo das suas exigências. Se permanecermos fiéis aos compromissos do nosso Baptismo nunca deixaremos de levar Jesus Cristo aos outros. Esta é a missão que “hoje” nos faz concretizar a Palavra anunciada a todos os povos. Daí que são Paulo, na segunda leitura, falando dos carismas, sublinhe a importância primordial que deve ser dada ao anúncio da palavra de Deus.
Que a nossa vida cristã seja concretizada na alegria da fé que brota da Palavra de Deus. Só assim nos tornamos testemunhas de Jesus Cristo diante do mundo que nos desafia e interroga.
Jesus resumiu o seu projecto em poucas palavras: libertação das pessoas de toda espécie de escravidão. Mas, a libertação integral do homem não se consegue senão à base de amor e perdão, tolerância e liberdade, respeito pela dignidade da pessoa, serviço à verdade e à vida, fraternidade e solidariedade.
Hoje, somos nós, cristãos que devemos continuar a levar por diante o anúncio de esperança e o mesmo tipo de acção de Jesus.
Deixemo-nos conduzir pela Palavra de Deus, para caminhar com decisão para Cristo.

P. Vítor Hidalgo López

Abrir a Semana do Consagrado


Senhor,
pessoas há que me dizem muito.
e outras muitas que não me dizem mesmo nada.
Todos, porém, me ajudaram como ninguém
a abrir o coração, a erguer as mãos e a rezar,
a pôr razão a cantar, a alma a bendizer,
e eu, desconcertado, ficando tantas vezes sem saber
o que falar ou dizer,
e sem acertar o combinado.

Nesta Semana do Consagrado
eu te louvo e agradeço pela minha história
de que vou perdendo memória.
Porém, meu passos e a planta dos pés
ficam marcados no barro fresco da estrada,
nas almas frescas e brandas
de quantos sem saber, ou sabendo
foram comigo percorrendo
um pedaço do caminho da fé.
Uns comigo foram meninos,
Outros peregrinos, apóstolos muitos.
Movidos pelo teu Espírito,
queremos também todos, ó Pai,
encontrar e reconhecer hoje
Aquele que veio e é sempre esperado.
Queremos também nós, como Simeão,
acolhê-l’O nos braços,
vê-l’O, contemplá-l’O com os nossos olhos,
exultar de gratidão
à luz do seu rosto.
Queremos também nós, como Ana,
consumar a nossa vida
em santidade e alegria,
para que tudo em nós
seja oblação agradável aos vossos olhos
e puro louvor e acção de graças.
Ámen.

fr. João Costa

26 janeiro, 2013

Faith Night!


Como o próprio nome sugere, queremos experimentar uma noite de fé diferente de outras que vivemos diariamente. Queremos juntar a oração, a música e a animação dos jovens para, juntos, vivermos uma experiência única. 
 
O Encontro terá lugar no antigo convento dos Padres Carmelitas de Fátima, que foi recentemente restaurado e preparada para grupos de jovens, nos dia 16 e 17 de Fevereiro e terá um custo de 20€.
A estadia inclui jantar de sábado, pequeno-almoço e almoço de domingo.

O programa será o seguinte:

Dia 16 (Sábado)

- Chegada a Fátima antes do almoço;
- Almoço Partilhado;
- Apresentação dos grupos;
- Encontro com as Irmãs Carmelitas de Fátima;
- Jantar (incluído na diária);
- Inicio da “Faith Night” (que entrará pela madrugada dentro…);
- A Faith Night terminará com um sarau animado pelos diferentes grupos seguido de um lanche partilhado.

Dia 17 (Domingo)

- Pequeno-almoço;
- Avaliação do encontro;
- Preparação da Eucaristia;
- Eucaristia;
- Foto Final;
- Despedida.


Catequese sobre Santa Teresinha (III)



"Queridos amigos, também nós com santa Teresa do Menino Jesus deveríamos poder repetir todos os dias ao Senhor que queremos viver de amor a Ele e aos outros, aprender na escola dos santos a amar de modo autêntico e total. Teresa é um dos «pequeninos» do Evangelho que se deixam conduzir por Deus às profundezas do seu Mistério. Uma guia para todos, sobretudo para aqueles que, no Povo de Deus, desempenham o ministério de teólogos. Com a humildade e a caridade, a fé e a esperança, Teresa entra continuamente no coração da Sagrada Escritura que encerra o Mistério de Cristo. E esta leitura da Bíblia, alimentada pela ciência do amor, não se opõe à ciência académica. De facto, a ciência dos santos, da qual ela mesma fala na última página da História de uma alma, é a ciência mais nobre: «Todos os santos o compreenderam e de modo mais particular talvez os que encheram o universo com a irradiação da doutrina evangélica. Não é porventura da oração que os Santos Paulo, Agostinho, João da Cruz, Tomás de Aquino, Francisco, Domingos e muitos outros ilustres Amigos de Deus se inspiraram nesta ciência divina que fascina os maiores génios?» (Ms C, 36r). Inseparável do Evangelho, a Eucaristia é para Teresa o Sacramento do Amor Divino que se abaixa ao extremo para se elevar até Ele. Na sua última Carta, sobre uma imagem que representa o Menino Jesus na Hóstia consagrada, a Santa escreve estas palavras simples: «Não posso temer um Deus que para mim se fez tão pequenino! (...) Eu amo-O! De facto, Ele mais não é do que Amor e Misericórdia!» (LT 266).

No Evangelho, Teresa descobre sobretudo a Misericórdia de Jesus, a ponto de afirmar: «A mim Ele deu a sua Misericórdia infinita, através dela contemplo e adoro as outras perfeições divinas! (...) Então todas me parecem resplandecentes de amor, a própria Justiça (e talvez ainda mais do que qualquer outra) me parece revestida de amor» (Ms A, 84r). Assim se expressa também nas últimas linhas da História de uma alma: «Um só olhar ao Santo Evangelho, imediatamente respiro os perfumes da vida de Jesus e sei para onde correr... Não é para o primeiro lugar, mas para o último que me oriento... Sim, sinto-o, mesmo se tivesse na consciência todos os pecados que se podem cometer, iria, com o coração despedaçado pelo arrependimento, lançar-me entre os braços de Jesus, porque sei quanto ama o filho pródigo que volta a Ele» (Ms C, 36v-37r). «Confiança e Amor» são portanto o ponto final da narração da sua vida, duas palavras que como faróis iluminaram todo o seu caminho de santidade, para poder guiar os outros pela sua mesma «pequena via de confiança e de amor» da infância espiritual (cf. Ms C, 2v-3r; LT 226). Confiança como a do menino que se abandona nas mãos de Deus, inseparável do compromisso forte e radical do verdadeiro amor, que é dom total de si, para sempre, como diz a Santa contemplando Maria: «Amar é dar tudo, e dar-se a si mesmo» (Porque te amo, ó Maria, P 54/22). Assim Teresa indica a todos nós que a vida cristã consiste em viver plenamente a graça do Baptismo na doação total de si ao Amor do Pai, para viver como Cristo, no fogo do Espírito Santo, o seu mesmo amor por todos os outros."

                                                                     Bento XVI,  In Audiência Geral de 6 de Abril de 2011

25 janeiro, 2013

Catequese sobre Santa Teresinha (II)



"Em Novembro de 1887, Teresa vai em peregrinação a Roma juntamente com o Pai e a irmã Celina (ibid., 55v-67r). Para ela, o momento culminante é a Audiência do Papa Leão XIII, ao qual pede a autorização para entrar, apenas com 15 anos, no Carmelo de Lisieux. Um ano depois, o seu desejo realiza-se: torna-se Carmelita, «para salvar as almas e rezar pelos sacerdotes» (ibid.,69v). Contemporaneamente, começa também a dolorosa e humilhante doença mental do seu pai. É um grande sofrimento que leva Teresa à contemplação da Face de Jesus na sua Paixão (ibid.,71rv). Assim, o seu nome de Religiosa — irmã Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face —expressa o programa de toda a sua vida, em comunhão com os Mistérios centrais da Encarnação e da Redenção. A sua profissão religiosa, na festa da Natividade de Maria, a 8 de Setembro de 1890, é para ela um verdadeiro matrimónio espiritual na «pequenez» evangélica, caracterizada pelo símbolo da flor: «Que festa bonita a Natividade de Maria para se tornar esposa de Jesus — escreve — Era a pequena Virgem Santa de um dia que apresentava a sua pequena flor ao pequeno Jesus» (ibid., 77r). Para Teresa ser religiosa significa ser esposa de Jesus e mãe das almas (cf. Ms B, 2v). No mesmo dia, a Santa escreve uma oração que indica toda a orientação da sua vida: pede a Jesus o dom do seu Amor infinito, para ser a mais pequena, e sobretudo pede a salvação de todos os homens: «Que nenhuma alma seja danada hoje» (Pr 2). De grande importância é a sua Oferta ao Amor Misericordioso, feita na festa da Santíssima Trindade de 1895 (Ms A, 83v-84r; Pr 6): uma oferenda que Teresa partilha imediatamente com as suas irmãs de hábito, sendo já vice-mestra das noviças.

Dez anos depois da «Graça de Natal», em 1896, vem a «Graça de Páscoa», que abre a última fase da vida de Teresa com o início da sua paixão em profunda união com a Paixão de Jesus; trata-se da paixão do corpo, com a doença que a levará à morte através de grandes sofrimentos, mas sobretudo trata-se da paixão da alma, com uma dolorosíssima prova da fé (Ms C, 4v-7v). Com Maria ao lado da Cruz de Jesus, Teresa vive então a fé mais heróica, como luz nas trevas que lhe invadem a alma. A Carmelita tem a consciência de viver esta grande prova para a salvação de todos os ateus do mundo moderno, por ela chamados «irmãos». Vive então ainda mais intensamente o amor fraterno (8r-33v): para com as irmãs da sua comunidade, para com os seus dois irmãos espirituais missionários, para com os sacerdotes e todos os homens, sobretudo os mais distantes. Torna-se deveras uma «irmã universal»! A sua caridade amável e sorridente é a expressão da alegria profunda da qual nos revela o segredo: «Jesus, a minha alegria é amar-Te» (P 45/7). Neste contexto de sofrimento, vivendo o maior amor nas mais pequenas coisas da vida quotidiana, a Santa realiza a sua vocação de ser o Amor no coração da Igreja (cf. Ms B, 3v).

Teresa faleceu na noite de 30 de Setembro de 1897, pronunciando as simples palavras «Meu Deus, amo-Te!», olhando para o Crucifixo que estreitava nas suas mãos. Estas últimas palavras da Santa são a chave de toda a sua doutrina, da sua interpretação do Evangelho. O acto de amor, expresso no seu último suspiro, era como que o contínuo respiro da sua alma, como o pulsar do seu coração. As simples palavras «Jesus, amo-Te» estão no centro de todos os seus escritos. O acto de amor a Jesus imerge-a na Santíssima Trindade. Ela escreve: «Ah, tu sabes, amo-te Menino Jesus, / O Espírito de Amor inflama-me com o seu fogo. / É amando-Te que eu atraio o Pai» (P 17/2)."

                                                                     Bento XVI,  In Audiência Geral de 6 de Abril de 2011